Hoje Escrevo Eu

Quando a silly season chega ao Natal

Para um comentador televisivo, a afirmação de que o jogo entre o Belenenses SAD e o Benfica é uma ‘mancha negra’ no futebol português é ‘racista’ 

 


E pronto, estamos na reta final de mais um ano, com as festividades à porta.

Numa televisão qualquer, um comentador com pronúncia brasileira diz que não se deve qualificar o jogo entre um quarto da equipa do Belenenses SAD e o Benfica na sua máxima força como uma «mancha negra» do futebol português porque, argumenta, trata-se de uma «expressão racista». Pela mesma ordem de razão - ou melhor, pela falta dela - deveríamos apagar da História a ‘peste negra’ e rapidamente rebatizar a ‘febre amarela’. 

Aliás, o melhor mesmo seria acabar com a menção a qualquer cor individualmente considerada e usar para tudo o arco íris, que está na moda e é mais fiel ao pensamento e à moral que as minorias mundialmente dominantes querem impor às maiorias. O problema é que a mistura de todas as cores para uns dá branco e para outros cinza e lá teremos mais uma estéril discussão.

É como a covid-19, a imunidade de grupo, a vacina A, B, C e D ou E, mais a terceira dose, a vacinação das crianças, o uso da máscara e o certificado digital. 

Por mais que queira encontrar-se uma linha condutora para o que as autoridades da Saúde - mundial e nacionais - andam a fazer, ou obrigar-nos a fazer, não há meio.

Antigamente, quando a criança deixava cair a bolacha no chão, a apanhava e comia, também havia quem fizesse cara de nojo e logo repreendesse a petiz: ‘isso não se faz’ porque é ‘porcaria’ e ‘faz mal’; como não faltava quem encolhesse os ombros, porque ‘o que não mata engorda’ e não é com uma redoma que se ganham defesas.

Vale o que vale. Mas será com confinamentos sucessivos, máscaras, teletrabalho, tele-escola, fecho de fronteiras, vacinação de crianças com risco reduzido e que nem por isso deixarão de ser veículos de transmissão - porque a vacina não evita que o sejam - que se vence a pandemia?

Ou será que, assim, não estaremos antes a aumentar o risco no desenvolvimento de quem é saudável e a protelar a pandemia, mais variante, menos variante?

Não somos todos cientistas nem médicos, mas seria bom que aqueles que o são nos começassem a esclarecer, se puderem.

De outro modo, continuaremos a navegar à vista, como até aqui, eventualmente cometendo erros que nos poderão ser fatais. Podem até não o ser do ponto de vista clínico ou de saúde pública, mas ter custos sociais ou económicos igualmente ou até mais graves.

Portugal chegou a um patamar de vacinados recorde no mundo com um discurso e uma megaoperação de vacinação unanimemente elogiada, sobretudo na pessoa do seu responsável máximo, o vice-almirante Gouveia e Melo. Que foi o primeiro a defender publicamente a não inoculação de uma terceira dose generalizada nem a vacinação de crianças, denunciando a pressão das multinacionais da indústria farmacêutica e laboratorial.

Não foi um cético ou um negacionista da covid-19. Foi o vice-almirante. É certo que não é um médico, nem um cientista, mas é a pessoa em quem os portugueses mais confiaram neste combate contra a pandemia. E por isso tivemos a taxa de vacinação que tivemos.

E,  eventualmente por isso, foi dada por terminada a sua missão.

O resto é como a como a cor da mancha no futebol português daquele senhor comentador da televisão: é a silly season que passou a ser quando uma ‘pessoa’ quiser - ou seja, a qualquer altura do ano - e que já chegou às ‘festividades’.

Que é como quem dizia ‘Natal é quando um homem quiser’. 

Acontece que também esta semana tivemos uma senhora comissária europeia, Helena Dalli, a ensinar-nos que não devemos dizer nem ‘Natal’ nem ‘homem’, porque trata-se de uma linguagem que não é inclusiva. Porque nem todas as pessoas celebram o Natal - e por isso devemos antes passar a referirmo-nos a festividades - e porque utilizar a palavra homem para designar a humanidade é obviamente uma discriminação da mulher ou de género.

Se a senhora comissária fosse plantar mirtilos debaixo dos túneis que não são estufas da líder do partido que mais condena a agricultura intensiva dos outros ou a caça que torna mais produtiva a exploração agrícola do marido...

Estamos mesmo em permanente silly season. 

Basta ver o que passa no PSD, com a feitura das listas de candidatos a deputados: então não é que quem há dias, antes das diretas e julgando-se já vencedor, se mostrava indignado com a mera hipótese de um líder derrotado pretender avalizar as listas quer agora, tendo perdido as eleições, fazer valer os seus candidatos mesmo contra a vontade do líder reeleito?

Numa democracia, manda quem ganha, nem que seja por um voto.

Ainda que as minorias estejam na moda e pretendam impor como dominante o seu pensamento e a sua moral. O que é imoral. Ou faz parte da silly season em que vivemos.

Enfim, ou desde já, um Bom Natal!

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