À esquerda e à direita

Chapeladas 'rangelianas'

Qual não é o meu espanto quando agora constato que aqueles que se queixavam de chapeladas dos homens de Rio, são os mesmos que querem condicionar as listas de Rui Rio, que venceu claramente as eleições laranjas. Isto faz algum sentido?


Escrevi, num passado muito recente, vários artigos contra as chico-espertices de Rui Rio e seus apoiantes que tudo fizeram para impedir as eleições internas do partido em tempo real, e depois o que se disse que queriam fazer em relação às listas. Basicamente, os aliados de Rui Rio queriam condicionar as listas de Paulo Rangel para as legislativas se este tivesse sido o vencedor das diretas do PSD. Qual não é o meu espanto quando agora constato que aqueles que se queixavam de chapeladas dos homens de Rio, são os mesmos que querem condicionar as listas de Rui Rio, que venceu claramente as eleições laranjas. Isto faz algum sentido? Então o novo líder tem de fazer o ‘assalto’ ao poder com os homens nomeados pela equipa de Rangel? Não há vergonha na cara? As distritais e os diferentes órgãos do partido têm de perceber que quem vai ser o rosto nas eleições legislativas é Rui Rio e deve ser este a escolher a sua equipa, apesar das indicações dos órgãos do partido. Só dessa forma se poderá pedir responsabilidades pelo resultado que venha a alcançar no dia 30 de janeiro.

Além disso, fazia algum sentido o grupo parlamentar do PSD ser mais próximo de Rangel do que de Rio? Estes últimos episódios revelam bem como a sede de poder cega os seus intervenientes, revelando que não há grandes diferenças entre eles. E, como é sabido, essa sede não é exclusiva do PSD, pois os outros partidos sofrem do mesmo mal, embora no PCP as divergências raramente passem as paredes da Soeiro Pereira Gomes. Certo é que é mais um péssimo exemplo que o PSD dá à sociedade, numa altura em que é preciso cativar as pessoas para irem votar. Mas com exemplos destes é natural que muitos continuem de costas voltadas para a política.

E o que dizer da novela do ministro da Administração Interna? Eduardo Cabrita geriu a morte do trabalhador morto pelo acidente do carro em que ia com a mesma agilidade de um elefante em loja de porcelanas. Desde o primeiro momento que devia ter sido ele a dar a cara, explicando o que se tinha passado e se saiu do carro ou não para saber o que se tinha passado. 

Não alinho com aqueles que culpam o ministro pelo acidente, mas um governante não pode deixar pairar uma nuvem de incerteza sobre um acidente que envolveu o carro onde ia. Devia ter explicado tudo e exigido até que o Estado tivesse avançado com uma indemnização à família do trabalhador, independentemente do que se viesse a apurar - à semelhança do que se fez com o ucraniano assassinado nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa.  

Deixando a politiquice nacional para trás, o que dizer de Helena Dalli, comissária para a Igualdade na União Europeia, que lançou mais um documento com as diretrizes para uma linguagem inclusiva. Penso que a Europa e os seus acólitos modernaços, estão cada vez mais a aproximar-se do 10 de maio de 1933, quando os nazis decidiram fazer enormes fogueiras em várias cidades com os livros malditos devido à «necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã», como disse o poeta nazi Hanns Johst.

Helena Dalli queria abolir a palavra Natal, entre outras pérolas, alegando que muitos europeus não são cristãos e que muitos outros não professam a religião. Como digo, não faltará muito para que livros e filmes malditos para as Helenas Dallis da vida tenham como destino uma enorme fogueira ou um crematório para ser menos prejudicial ao ambiente.

São estes patetas que fazem com que a extrema-direita cresça em quase todo o continente, porque os ditos partidos moderados têm medo de enfrentar estes novos nazis do pensamento. Dalli devia era fazer um estágio na Arábia Saudita e aconselhar os muçulmanos a trocarem a palavra Ramadão por algo mais inclusivo. Veria o que lhe diriam...

vitor.rainho@sol.pt

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