Economia

RTP. Frente Cívica pede explicações sobre "perseguição a jornalistas"

Associação diz que tem “acompanhado com preocupação” a suspensão do programa Sexta às 9.


A Associação Frente Cívica diz que tem “acompanhado com preocupação” a suspensão do Programa Sexta às 9 na RTP e, por isso, escreveu esta segunda-feira, ao presidente da estação pública, Nicolau Santos, para que explique as alegadas pressões a jornalistas de investigação da empresa, que foram dadas a conhecer na passada sexta-feira pela Comissão de Trabalhadores.

Na carta, a associação presidida por Paulo de Morais pede a Nicolau Santos que instaure um processo de averiguação disciplinar aos autores das alegadas represálias aos ex-membros do programa de investigação Sexta às 9. São também exigidas garantias de proteção dos jornalistas contra pressões ou represálias. E pede ainda que seja “rapidamente” anunciado o “renovado formato” para o jornalismo de investigação no canal público, que a direção de informação da estação pública prometeu em comunicado.

Dirigindo-se diretamente ao presidente da RTP, a Frente Cívica é clara: “Os prémios acumulados pelo Sexta às 9 ao longo dos anos, o impacto do trabalho ali produzido e as audiências do programa demonstram que os espetadores da RTP valorizam o jornalismo de investigação e o consideram uma componente insubstituível do serviço público. Abdicar dessa componente da informação da RTP seria amputar o serviço público em termos inaceitáveis”, finaliza.

O caso A Comissão de Trabalhadores já acusou a RTP de assédio, num comunicado divulgado esta sexta-feira.  Em causa está a saída do jornalista Luís Vigário, que fazia parte da equipa do programa Sexta às 9, coordenada por Sandra Felgueiras, também ela de saída do canal. 

Depois de Luís Vigário ter dito que um dos trabalhos marcados para si era já fora do seu horário de trabalho, uma diretora ter-lhe-á dito: “Tu és recibo verde, não tens horário”, resposta que levou o jornalista a apresentar a sua demissão ao diretor de informação, devido ao “enxovalho”.

A CT tentou perceber esta situação e “o presidente respondeu prontamente, sem discutir a existência do assédio, mas referindo que o trabalhador, de qualquer modo, já tinha decidido acompanhar a coordenadora do Sexta às 9 num outro projeto, de modo que a sua saída da RTP era uma decisão já tomada e não teria ‘absolutamente nada a ver’ com a reunião em causa”.

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