Sociedade

Gouveia e Melo diz que a vacinação deve ser vista como uma proteção comunitária e não individual

"Se o único critério for só para proteger os mais jovens, se calhar aí está muito empatado; mas se o critério for, para além de proteger os mais jovens, proteger os pais dos mais jovens e para proteger a comunidade como um todo, o critério é totalmente desempatado", sustentou. 


A vacinação contra a covid-19 é um meio de proteção comunitária e não individual, afirmou o ex-coordenador da task-force e vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, direcionando este critério também para as decisões sobre a inoculação em crianças. 

"Se o único critério for só para proteger os mais jovens, se calhar aí está muito empatado; mas se o critério for, para além de proteger os mais jovens, proteger os pais dos mais jovens e para proteger a comunidade como um todo, o critério é totalmente desempatado", sustentou, esta sexta-feira, Gouveia e Melo num discurso no salão nobre da Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal.

"O que está em causa agora é saber se com a variante Omicron precisamos de passar dos 86% de vacinação completa ou não", apontou o vice-almirante, frisando que os responsáveis pela vacinação devem basear-se nos indicadores do país e não de outros. "Um bom decisor pensa sobre o terreno que está a pisar e não sobre o terreno que outros estão a pisar", realçou. 

Segundo Gouveia e Melo, a "pandemia vai continuar", visto que grande parte da população da Europa e do mundo não está vacinada, alertando assim para o aparecimento de novas variantes como a Omicron, em países cuja taxa de vacinação é muito baixa, localizados no continente africano. 

Para o ex-coordenador, há duas razões determinantes para vacinar a população mundial: uma é ética e moral, outra é prática.

"O vírus vinga-se de nós. Faz efeito bumerangue. Vai aproveitar regiões não vacinadas para se replicar em formas diferentes para nos voltar a atacar", assinalou, referindo que agora está a infetar crianças e pessoas não vacinadas.

"Por isso, isto é uma guerra", indicou, reforçando: "Não há soluções simples, mas nós temos de combater este vírus para ganharmos a nossa liberdade e a capacidade de vivermos em sociedade."

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