Economia

Quer poupar para ter uma reforma mais tranquila? Eis algumas dicas

A partir de 2022 a idade da reforma passa para os 66 anos e sete meses. As boas notícias estão adiadas para 2023, quando se vai registar um recuo de três meses.


Para o próximo ano, a idade legal de acesso à reforma sobe para 66 anos e sete meses. As boas notícias estão adiadas para 2023, em que a idade de acesso à pensão de velhice vai recuar pela primeira vez no país para 66 anos e quatro meses. Trata-se de uma diminuição de três meses face à idade de acesso à pensão de velhice exigida em 2022 e de dois meses face a 2021. Este recuo foi ditado pela diminuição da esperança média de vida aos 65 anos de idade.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelaram que este indicador – que mostra o número médio de anos que se espera que uma pessoa viva depois de atingir os 65 anos de idade – desceu para 19,35 anos no triénio 2019-2021. Uma evolução que, segundo o INE, resulta do aumento do número de óbitos no contexto da pandemia.

No entanto, os trabalhadores que pedirem a reforma antecipadamente em 2022 vão ter uma penalização mais reduzida no valor da sua pensão de velhice por via do fator de sustentabilidade devido à diminuição da esperança média de vida aos 65 anos de idade no triénio 2019-2021.

O corte associado ao fator de sustentabilidade aplica-se às pensões pedidas antecipadamente, salvo em casos excecionais previstos na Lei. Estas pensões de velhice estão ainda sujeitas a uma redução de 0,5% por cada mês de antecipação, face à idade de acesso à pensão de velhice ou idade pessoal de acesso à pensão de velhice.

Ainda esta semana, a OCDE criticou o fator de sustentabilidade português criado em 2007, tendo sido, mais tarde, revisto, e elogia a simplicidade da sua fórmula de cálculo. E os alertas não ficam por aqui. A crise pandémica vai atrasar a entrada no mercado de trabalho de muitos jovens, que receberão menos dinheiro. A OCDE faz o alerta no estudo onde revela um aumento da idade de reforma em Portugal.

“Para os futuros pensionistas, no entanto, a crise pode lançar uma longa sombra sobre a reforma. Os jovens foram gravemente afetados pelos impactos económicos e sociais da crise e podem ver os benefícios futuros diminuídos, especialmente se a pandemia resultar em cicatrizes de longo prazo e dificuldades na construção de suas carreiras”.

No entanto, nem todos os trabalhadores pretendem deixar a vida ativa quando atingem a idade legal da reforma. Aliás, quem prolongar a atividade profissional é recompensado. Se apenas se reformar depois dos 66 anos e 6 meses, terá acesso a pensão bonificada. O valor dessa bonificação varia com o número de anos de contribuições. Por cada mês a mais em relação à idade legal (ou pessoal) de reforma, beneficia de um aumento percentual no montante da pensão.

Essa percentagem é multiplicada pelo número de meses que trabalhou após atingir a idade da reforma.

Alternativas Há muito tempo que os especialistas têm vindo a alertar para o problema. O melhor é criar soluções alternativas para que possa viver de forma mais desafogada. A oferta é variada e só tem de escolher a que melhor se adequa ao seu caso. 

Para atingir melhor essa meta deverá definir objetivos, estipular prazos e valores de poupança, de forma a rentabilizar esse valor. Idealmente, e para ser significativa, a poupança deve ser na ordem dos 5 a 10% do salário mensal, ao longo de toda a vida. Mas há especialistas a aconselharem os consumidores a reservarem entre 10% e 15% do seu salário mensal. Por isso mesmo, a disciplina é uma das regras de ouro que deve seguir para garantir uma reforma mais descansada.

Além disso, deve investir em produtos que garantam uma rentabilização do capital acima da inflação – subida generalizada dos preços que afeta o poder de compra do dinheiro –, uma situação que nem sempre é acautelada atualmente. Por exemplo, mil euros hoje podem valer menos no futuro, e a razão está na desvalorização do dinheiro provocada pela inflação. 

O ideal é apostar em produtos que garantam rendibilidades elevadas e, na maior parte dos casos, essa aposta acaba por recair em produtos sem garantia de capital. A verdade é que os retornos variam, mas esse risco também permite gerar um rendimento mais elevado. 

Fixar um montante fixo do salário para poupar e programar transferências pode ajudar a manter o rigor da poupança. E, neste caso, para facilitar a tarefa, o ideal é que a poupança seja realizada no momento em que recebe o seu salário. 

Quanto mais cedo começar essa tarefa, melhor. Isto porque quanto mais tempo tiver até à reforma, mais possibilidades terá de ver o seu dinheiro crescer, por via da capitalização dos seus investimentos. Mas vamos a contas: se tiver 50 anos e poupar 75 euros mensais para um pé-de-meia com vista à reforma e se aplicar este montante num produto que lhe renda em média 4% ao ano, chegará à idade da reforma com uma poupança de um pouco mais de 18 mil euros. No entanto, se começar a poupar 15 anos mais cedo, o seu pé-de-meia atingirá os 51 mil euros.

Alternativas 

Plano Poupança-Reforma (PPR)

A principal vantagem dos PPR era o benefício fiscal que proporcionavam, pois permitiam deduzir 20% das entregas anuais efetuadas até 300, 350 ou 400 euros, consoante a idade do subscritor. Mas desde 2015, as regras mudaram: os limites são em função da idade (400 euros até aos 35 anos, 350 euros entre os 35 e os 50 anos ou 300 euros para quem tenha mais de 50 anos), conjugados com os limites das deduções totais à coleta.

A maioria dos PPR tem capital garantido, por isso o perfil de risco é moderado. Para a Deco, quem está a menos de dez anos da reforma não deve aplicar mais dinheiro em PPR para poder resgatar aos 60 anos sem problemas. Já quem tem entre os 40 e os 55 anos pode continuar a investir, porque alguns apresentam juros mais atrativos do que os depósitos.

Certificados de reforma

Também são conhecidos como os PPR do Estado. O produto foi lançado em março de 2008 e, na altura, apresentou-se como uma alternativa para o complemento de reforma. É possível descontar todos os meses 2%, 4% ou 6% do salário, consoante a idade. Isso significa que só atingirá o limite máximo do benefício se tiver um rendimento mensal superior a 3645 euros (se descontar 4%) ou superior a 7292 euros (desconto de 2%).

Estes descontos vão para uma espécie de fundo que é gerido pelo Estado. O complemento de reforma será tanto mais elevado quanto mais cedo aderir ao regime e mais alta for a taxa de entregas. O investidor não tem liberdade para escolher o produto mais adequado ao seu perfil e tem a possibilidade de suspender, mas só o pode fazer em fevereiro de cada ano.

Certificados do Tesouro

Os Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTP) vieram substituir os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, mas mantém-se como uma alternativa aos depósitos a longo prazo. Em termos médios, os novos certificados pagam 1% ao longo dos sete anos de maturidade. Mas tem de manter os títulos até final para alcançar esta rendibilidade.

Tal como o produto anterior, a taxa é crescente:  0,7% nos dois primeiros anos, a taxa sobe para 0,8%, 0,9% e 1% nos anos seguintes, sendo que no sexto e sétimo ano os títulos oferecem uma remuneração de 1,3% e 1,6%. O capital é garantido, mas apesar de permitir o resgate antecipado está está mais vocacionado para investimentos a médio e longo prazo.

Fundos de investimento

Constituídos por diversos investimentos individuais que, em conjunto, são aplicados em vários mercados e valores financeiros, como ações, imobiliário, etc. Ou seja, pequenos investidores entregam as suas poupanças a um gestor profissional. Sempre que o investidor pretenda, pode resgatar o respetivo investimento do fundo. Estes têm sempre a vantagem de contar com carteiras com alguma diversificação e onde é possível investir pequenos montantes.

Quem tem maior aversão ao risco pode apostar nos fundos imobiliários. Os que procuram uma aplicação a médio e longo prazo podem investir nos fundos de obrigações, e os que querem fugir do risco podem apostar nos fundos de ações. A verdade é que quanto maior for o risco assumido, maior será o retorno. 

Fundos de pensões

Os fundos de pensões abertos são geridos por sociedades gestoras e têm como objetivo financiar planos de pensões a vários associados. No entanto, estes não necessitam de ter qualquer vínculo comum. As novas adesões estão sempre dependentes da aceitação por parte da entidade gestora. É preciso ter em consideração que estes fundos têm diferentes níveis de exposição a ações.

Já os fundos de pensões fechados dizem respeito apenas a um associado ou, existindo mais do que um, quando se verifique um elo de natureza empresarial, associativa, profissional ou social entre eles, sendo necessário o consentimento destes para a adesão de novos associados ao fundo. Cabe ao supervisor emitir as normas regulamentares e proceder à fiscalização das mesmas.

Investidor. Veja o seu perfil

A ter em conta

O risco está diretamente relacionado com o valor que está disposto a perder, eventualmente, para atingir uma determinada rentabilidade. Quanto maior o risco, maior a rentabilidade. Uma boa forma de gerir o risco é diversificar a sua carteira de investimentos. Não se esqueça que um dos principais inimigos do investidor poderá ser a natureza do próprio investidor. No universo das emoções, o medo e a ambição excessiva, tal como a falta de disciplina dos investidores, são os obstáculos a todo este negócio. Associado à componente emocional, a grande maioria dos investidores não está preparada nem mentalizada para assumir perdas, pelo que normalmente criam defesas mentais para manterem os seus investimentos.

Perfil conservador

O investidor tem como grande objetivo preservar o valor investido. Por isso mesmo, prefere investimentos de baixo risco e, como tal, tem também uma expectativa de rentabilidade mais limitada. Neste caso, deve investir, por exemplo, em depósitos a prazo, certificados de aforro e seguros de capitalização.

Perfil moderado

O investidor já está disposto a assumir um risco considerável nos investimentos, de forma a potenciar um crescimento sustentado do capital aplicado a médio e longo prazo. Invista, por exemplo, em fundos imobiliários, já que apresentam um risco moderado, pois o capital não está garantido, mas regra geral rendem mais do que os depósitos a prazo.

Perfil dinâmico

O investidor tem como principal objetivo potenciar um crescimento importante, a médio e longo prazo, da sua carteira de investimento. Neste caso, assume um risco elevado nas soluções que subscreve e adquire. Se está nesta situação, então apostar na bolsa é uma das soluções.

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