Economia

Pandemia piorou situação financeira para 28% das famílias

INE revela que o impacto da pandemia na situação financeira e no rendimento das famílias “foi maior nas famílias que dependiam do rendimento do trabalho no período anterior à pandemia”.

Pandemia piorou situação financeira para 28% das famílias

É certo e sabido que a pandemia de covid-19 teve impacto na carteira dos portugueses e os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para dúvidas: 28% das famílias considera mesmo que a sua situação financeira está pior agora, face a antes da pandemia.

Segundo o gabinete de estatística e de acordo com o Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2020, “69% das famílias em Portugal consideraram que a sua situação financeira era semelhante à anterior à pandemia, 28% consideraram que piorou e 3% consideraram que melhorou”, lê-se.

O INE revela ainda que o impacto da pandemia na situação financeira e no rendimento das famílias “foi maior nas famílias que dependiam do rendimento do trabalho no período anterior à pandemia”.

Mas há mais: entre as famílias em que o indivíduo de referência – que na maior parte das famílias é aquele com maior rendimento – estava a trabalhar antes da pandemia, “a redução no rendimento foi mais frequente nas de rendimento mais baixo, assim como para aquelas em que este indivíduo tinha um nível de escolaridade inferior ao ensino superior, era trabalhador por conta própria ou do setor do alojamento e restauração”.

Já as situações de redução parcial do rendimento do trabalho “foram mais frequentes do que a perda de emprego ou a perda total de rendimento”. O INE acrescenta ainda que “a percentagem de famílias em que o indivíduo de referência enfrentou diversas situações foi, contudo, bastante diversa consoante o tipo de família” e acabou por atingir com maior impacto aqueles com níveis de rendimento e de escolaridade mais baixos.

O INE avança ainda que as situações de layoff ou de apoio a trabalhadores independentes foram mais frequentes nas famílias de rendimento intermédio.

O estudo, realizado entre outubro de 2020 e fevereiro deste ano, permitiu ainda saber que a maior parte das famílias que registaram redução no rendimento devido à pandemia, diminuíram a despesa em bens não duradouros e serviços. “As outras medidas mais frequentes para fazer face à redução do rendimento foram a utilização de poupanças acumuladas ou a venda de bens de valor, o recurso a moratórias para os empréstimos com garantia de residência principal, o adiamento da compra de uma casa, de um carro ou de outro bem duradouro e a ajuda de familiares e amigos”.

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