Opiniao

Os mensageiros do apocalipse

A maioria destes denominados especialistas não tem contacto especial com a situação que se vive nos hospitais, sendo que a sua formação académica de parte considerável deles em nada se identifica com as áreas consagradas à saúde.

Os mensageiros do apocalipse

Por Pedro Ochôa    

Nos últimos dois anos temos assistido ao nascimento de uma nova classe de mensageiros do apocalipse, escudados sob a capa de especialistas em saúde pública.

As suas aparições nos vários órgãos de comunicação social, em particular nos serviços noticiosos e nos programas de entretenimento das televisões generalistas, têm-se multiplicado como ratos num pardieiro, sendo por demais evidente os seus esforços em disseminar o pavor junto da sociedade.

São a estes pressagiadores da desgraça que o governo tem dado ouvidos, assumindo as deliberações relativas ao combate da Covid-19 com base nos seus alarmistas conselhos.

A maioria destes denominados especialistas não tem contacto especial com a situação que se vive nos hospitais, sendo que a sua formação académica de parte considerável deles em nada se identifica com as áreas consagradas à saúde.

Entre outros, a título de exemplo, temos um licenciado em biologia e doutorado em migração das sardinhas, um licenciado em engenharia geográfica e doutorado em geodesia física, um veterinário e um assalariado da Pfizer.

Alguns médicos, que agora puderam concretizar o sonho de se tornarem estrelas televisivas, especializaram-se, igualmente, em profetas do infortúnio, saltitando de uma televisão para outra, deixando no ar a legítima dúvida se lhes sobra tempo para cuidar dos doentes que deveriam ter a seu cargo.

E os canais de informação das três principais estações de televisão não fazem outra coisa para além da divulgação das projecções catastróficas destes mensageiros do apocalipse, perdendo-se, ao longo das 24 horas do dia, a debitar notícias pandémicas, como se a nossa vida a isso se resumisse nos tempos actuais.

Tivemos um ligeiro interregno, durante escassos dias, graças a um tal fugitivo no sul da África, mas após este ter deixado de aparecer em público, por força da prisão preventiva a que foi votado, as televisões voltaram à carga com a intoxicação permanente de noticiário baseado na Covid.

Esta postura em nada tem contribuído para a defesa da saúde pública, mas, como contrapartida, tem sido exemplar para a afirmação da saúde mental, concedendo-lhe, em cada dia que passa, um cada vez maior assustador número de utentes que a ela se vêem forçados a recorrer.

O pânico que estes falsos agentes da medicina espalham junto das populações, contando, para o efeito, com o inestimável auxílio dos jornaleiros que os suportam, tem-se constituído na principal causa das doenças de foro mental que se têm multiplicado desde que o vírus chinês passou a ser, praticamente, o único assunto da ordem do dia.

Há um ano, os nossos governantes venderam-nos a ideia de que as medidas de restrição então adoptadas, que tiveram um impacto absolutamente desastroso na economia do país e levaram milhares de famílias à miséria, se deviam exclusivamente à necessidade de não sobrecarregar os hospitais, em particular as unidades de cuidados intensivos, e de salvar vidas.

Prometeram-nos, na altura, um regresso à nossa anterior vida logo que esses dois indicadores fossem ultrapassados, razão que esteve na base de quase todos nos termos conformado com essa decisão e acatá-la sem rodeios.

Hoje, os hospitais têm a sua capacidade de acolhimento de doentes em níveis aceitáveis e controlados e o número de fatalidades é bastante reduzido. Diariamente morrem mais pessoas de diabetes do que com o vírus que tanto medo tem gerado, sendo que a esmagadora maioria dos que com ele perecem sofrem de outras doenças bem mais gravosas.

Não se compreende, assim, a lógica do endurecimento das medidas de restrição das liberdades que ontem foram anunciadas pelo governo, restando apenas uma única explicação: a cobardia!

Costa acobardou-se, tal como todos os ministros cúmplices deste atentado aos mais elementares direitos dos portugueses, optando pelo caminho mais fácil e de menores custos eleitorais.

Sim, porque mais de metade dos eleitores são reformados e funcionários públicos, pelo que estas restrições quase que lhes passam ao lado, não delas sofrendo directamente.

E uma outra grande percentagem da população vive num medo irracional, aceitando, sem uma única súplica, todos os condicionalismos que lhes são impostos, acreditando que com eles as suas vidas estão salvaguardadas.

Costa não teve coragem para enfrentar os mensageiros do apocalipse que, nas últimas semanas, dia após dia, têm pintado os cenários mais dantescos por via desta nova variante que por aí circula, sentindo-se mais seguro em os calar, oferecendo-lhes um rebuçado que em nada vai aliviar o hipotético perigo que paira no ar, mas que trará consequências desumanas para a vida de muitos de nós.

Ao contrário do que tem sido propagandeado, a nova variante não provocou nenhum aumento considerável de infecções, as quais, com algumas oscilações, têm-se mantido estáveis ao longo das derradeiras semanas, nem tão pouco trouxe mais mortos ou internamentos hospitalares, que se encontram estabilizados.

Os discursos dos ditos especialistas, tornados comentadores televisivos, que, sobretudo na última semana, incidiram em previsões que apontavam para um multiplicar diário das infecções, por esta variante ser mais contagiosa, revelaram-se exagerados, pelo menos até à presente data, razão pela qual todo o alarido que à sua volta se tornou ensurdecedor não faz qualquer sentido.

Das autoridades públicas do País esperava-se mais contenção, com apelos à serenidade e garantias de que a situação sanitária está controlado. Mas, incompreensivelmente, a postura foi no sentido contrário, pois ao alinharem no pessimismo de quem não tem mais nada para fazer do que assustar-nos, apenas incentivaram o alastrar do pavor junto dos portugueses, desferindo mais uma machadada na nossa cada vez mais débil economia.

Esta variante pode espalhar-se com mais intensidade, mas sabe-se que o grau de perigosidade é bem menor do que as anteriores que nos afligiram. Como já essas tinham sido mais benévolas do que as que as antecederam.

Este vírus endémico não vai desaparecer, pelo que vamos todos ter que aprender a com ele conviver. Com cuidado, obviamente, adoptando procedimento idêntico ao dos outros vírus respiratórios, mas sem medo e sem entrarmos em pânico assim que uma nova variante der sinal de vida.

Já é tempo de recuperarmos a nossa vida normal, em liberdade e segurança.

 

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