Sociedade

"Vamos atingir um recorde de número de casos nos próximos dias", diz Marta Temido

A ministra da Saúde referiu igualmente que, esta quarta-feira, serão registados quase 9 mil novos casos do novo coronavírus.


No dia em que o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) adiantou que, até segunda-feira, foram realizados 24.056.249 milhões de testes à covid-19, desde o início da pandemia, avançando que o recorde de testes diários foi alcançado no dia 17 de dezembro - com mais de 227 mil efetuados, Marta Temido garantiu que "vale a pena sublinhar "que todos estamos articulados para conseguir fornecer aos portugueses o maior número de testes possível neste período de intensa procura", destacando que, tendo em conta a elevada procura dos mesmos, "há quem os tenha em casa". Em entrevista à TVI, a ministra da Saúde realçou que "da parte do Governo houve disponibilidade para o reforço dos testes gratuitos", sendo que "os números que temos tido de crescimento contínuo da testagem mostram bem que estas iniciativas conjuntas estão a funcionar". Já naquilo que diz respeito à eventual demora da receção dos resultados de testes PCR nesta época em que existem mais contactos fora da denominada bolha, "temos de perceber que estamos numa situação excecional".

Logo de seguida, fazendo uma antecipação dos números do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) que será divulgado, declarou que hoje vão ser registados "perto de 9 mil casos". "O número de óbitos continua relativamente controlado estando embora o país com excesso de mortalidade face ao valor de referência. Estes mecanismos de PCR e autotestes são para quando as pessoas têm mesmo de fazer contactos como quando, no Natal, querem estar com a família", porém, a dirigente frisou que "a recomendação é que evitem o mais possível os contactos". "Vamos atingir um recorde de número de casos nos próximos dias. É muito relevante o número de testes e a vacinação e temos de ter noção de que este ainda não é um Natal em perfeita normalidade", sublinhou.

Questionada acerca da informação veiculada pelo jornal Público - que esta quarta-feira analisou os dados disponibilizados pela plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, e concluiu que Portugal se encontra agora no 14º lugar da tabela dos países da União Europeia com maior percentagem de população inoculada com a terceira dose da vacina -, Marta Temido disse que "não estamos a ficar para trás". "Essa é uma leitura errada que não faz justiça àquilo que tem sido o esforço de vacinação. Temos a previsão de vacinar 1,4 milhões de pessoas até ao Natal. Temos 83% das pessoas com mais de 65 anos vacinadas. Amanhã vamos ter Casa Aberta, mas mesmo admitindo que haja constrangimentos e esperas apelo a que as pessoas se vacinem", continuou, explicando que as pessoas com mais de 50 anos deverão ser inoculadas entre o final do ano e o início do ano novo. "São cálculos que estamos ainda a fazer internamente", indicou, sendo que importa referir que, na lista anteriormente referida, em primeiro lugar está a Áustria, com 37,47% da população com três doses; em segundo a Dinamarca, com 35,06%, e a seguir Malta, com 33,4%. Por outro lado, somente 3,28% da população da Bulgária já tomou a dose de reforço.

"Temos tido, desde o início desta pandemia, momentos em que a perceção de risco leva a que a reação da população seja diferida no tempo. Estamos novamente perante uma situação de incerteza. Imaginávamos ter prevalência de 70% da variante Ómicron, mas estávamos ontem com 46%. Antecipámos que íamos ter mais casos, já os registámos. O apelo é que todos façam a sua parte", observou, reconhecendo que se estimava que as medidas que entrarão em vigor na primeira hora do dia 26 de dezembro fossem implementadas no próximo mês de janeiro. Relativamente à efetivação de mais restrições, admitiu que "não há cenários que se possam afastar num contexto de incerteza como este que vivemos". "Desejamos que seja possível manter estas medidas, durante estas duas semanas de janeiro, como o teletrabalho, em vigor com a ajuda de todos", afirmou, tocando rapidamente em pontos como a eventual sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou o aumento da quantidade de inquéritos epidemiológicos concretizados. "Estamos a trabalhar para dar a melhor resposta e não depende só deste anel de pessoas que contribui para que a pandemia esteja controlada. Vamos continuar a trabalhar nestas respostas", concluiu.

Nos últimos dias, o número diário de contágios tem variado entre as quatro e cinco mil infeções, esperando-se uma subida de três a aproximadamente quatro mil novos casos. É de lembrar que, esta manhã, o i noticiou que "os efeitos da nova variante Omicron, mais transmissível, já se estão a fazer sentir em força no ritmo de novos contágios na região de Lisboa", na medida em que "a semana arranca com mais do dobro dos diagnósticos diários do que na semana passada nesta região, numa altura em que a Omicron já representa mais de metade dos novos casos que estão a ser diagnosticados em Portugal, com uma prevalência já superior em Lisboa e Vale do Tejo, além de Madeira e Açores". Se analisarmos os dados ontem reportados pela DGS, relativos aos diagnósticos do dia anterior, constatamos que, em relação à segunda da semana passada, aumentaram 135% na região de Lisboa e Vale do Tejo, para mais de 2 mil casos diários, enquanto que a subida no centro e Norte está na casa dos 20%, no Alentejo de 40% e no Algarve de 12%.

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