Opiniao

Vem aí um novo ano: so what?

A tecnologia nunca foi tão importante para ligar as pessoas e para, mesmo em períodos de isolamento  e distanciamento, nos mantermos próximos


Por Ana Roma Torres, Diretora Criativa Havas Sports & Entertainment

Final do ano é altura de balanços, de avaliações e de perspetivar o que aí vem. 

Na área do marketing, comunicação e publicidade são várias as publicações que fazem esse apanhado e que partilham inclusivamente estudos com tendências e ideias inspiradoras para o novo ano. 

A TrendWatching, por exemplo, foi publicando ao longo das últimas semanas uma espécie de calendário do advento de tendências do consumidor e oportunidades de negócio, com exemplos de ações e iniciativas de várias marcas e empresas. Mais um ano obviamente muito marcado pela situação global da pandemia, o que continua a exigir das marcas uma enorme capacidade de adaptação e de inovação. 

Das tendências nomeadas podemos destacar tudo o que está mais relacionado com sustentabilidade como a economia circular, até a tecnologia que se mantém um big topic com os mundos virtuais, metaversos ou realidade ‘digital’ aumentada. 

Mas a verdade é que hoje em dia quase que podemos dizer que estas antecipações estão tão envoltas em incerteza que quase se aproximam de bruxaria. Estou obviamente a exagerar mas tendo em conta o paradigma dos últimos dois anos e a atualização constante que as marcas, pessoas e serviços tiveram que fazer nas suas vidas, o que podemos na realidade prever?

Há algumas coisas que temos como certa: a tecnologia nunca foi tão importante para ligar as pessoas e para, mesmo em períodos de isolamento e distanciamento, nos mantermos próximos; mas o contacto pessoal e a humanização também ganharam enorme importância numa altura em que tantas saudades temos desse contacto, em que tantos sofrem, em que tantas causas surgem e nos impelem a uma maior auto consciência e entreajuda, Pode parecer um paradoxo mas de facto é entre a tecnologia e o humano que as marcas se devem movimentar e adaptar, nunca esquecendo o papel primordial que também assumiram, na tentativa não só de corresponder às necessidades das pessoas mas de também devolver a normalização que tanto procuramos. 

A mim se me perguntasse qual a grande tendência para 2022 a minha resposta era mesmo essa: normalização. Não no sentido boring e pouco inovador do tema, mas na mais genuína vontade que todos temos de voltar ao que tínhamos, de recuperar hábitos antigos, de fugir do medo, da incerteza e desta nuvem negra que insiste em pairar sobre nós. 

Portanto venha daí esta sensibilidade e normalidade para que toda a criatividade e inovação possa deslumbrar e possa devolver também às marcas e à comunicação o brilho que será seguramente diferente neste tão ansiado contexto. 
 

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