Falar Baixinho

O cortejo de Natal

 A inocência natural, o acreditar no impossível, a ingenuidade mais pura, desarmam qualquer um e fazem-nos entrar neste conto fantástico em que tudo é possível.


Na manhã do último domingo, estávamos tranquilamente em casa de pijama quando o meu filho mais velho se apercebeu que se aproximava o cortejo de Natal. Vestimo-nos à pressa, corremos para a rua e juntámo-nos a várias pessoas que já ali estavam. O entusiasmo era muito e depois de alguns minutos de espera surgiram os ajudantes do Pai Natal a conduzir carros alegóricos, os elfos, o presépio e o tão ansiado Pai Natal no seu trenó. Enquanto buzinavam, acenavam e cumprimentavam as pessoas numa alegria enorme, dei por mim emocionada e radiante, como imaginava que só as crianças ficariam.

Não tenho dúvidas de que o Pai Natal existe e que cada um de nós o vive à sua maneira. É uma personagem que nos desperta emoções e sentimentos muitas vezes esquecidos ao longo do ano. 

Não só o Pai Natal, mas toda esta quadra e sobretudo o nascimento de Jesus, para quem é crente – mas também para quem não é – fazem-nos estar em contacto com o que temos de melhor, com valores como a união, a solidariedade, a partilha, a paz, o afeto, o amor, a família. E o renascimento está presente todos os Natais quando mesmo de forma menos consciente nos lembramos do nosso Natal em crianças, do que dessa altura permanece em nós, em quem já partiu, em quem nasceu e em quem está connosco agora. É um cruzamento de anos e vivências em que vamos renascendo de acordo com o que a vida nos traz. Acho que é por causa deste retorno à infância e do encontro com a criança que conservamos, com tudo o que vivemos e com o que somos hoje que nos emociona, que nos emocionamos quando passa o cortejo do Pai Natal.

E se, juntando a tudo isto, estivermos rodeados de crianças, esta quadra torna-se ainda mais mágica e encantadora. A inocência natural, o acreditar no impossível, a ingenuidade mais pura, desarmam qualquer um e fazem-nos entrar neste conto fantástico em que tudo é possível. Alimentamos o imaginário com cartas ao Pai Natal, bolachinhas e leite morno ao pé da árvore, decorações espalhadas pela casa e a espera do velho de barbas branquinhas que irá entrar pela chaminé quando ninguém estiver a ver.

Cada ano é mágico e especial e vai regressar à nossa memória mais tarde, provavelmente num Natal longínquo, com mais ou menos pormenores, certamente os mais especiais. Que possamos brindar os mais novos com vivências de boa memória, entrando na brincadeira, acreditando no impossível. Que o amor e o afeto possam passar a barreira das máscaras e das restrições para o Natal e abraçar toda a família, esteja ela longe ou perto. Que não deixemos que esta doença nos afaste e nos leve o que temos de mais precioso: o amor, a amizade, a ternura, a sorte de nos termos uns aos outros e que possamos passar todos estes valores aos mais pequenos.

Será tudo isto que eles mais tarde recordarão e serão, quando, com os filhos pela mão, assistirem ao cortejo do Pai Natal.

Um Feliz Natal para todos!

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