Economia

Virgílio Lima. Estabilidade é a palavra de ordem: "É preciso manter e desenvolver"

Veio cedo para Lisboa e foi continuando sempre a apostar na sua formação. Entrou no grupo Montepio há 44 anos, onde desempenhou e aprendeu um pouco de tudo, até chegar à liderança da Associação Mutualista Montepio Geral, em 2016. Agora foi reeleito para um novo mandato. Fã de José Saramago e de Miguel Torga, gosta de jogar golfe e tem como missão ‘ter as respostas mais adequadas a cada situação’. Os desafios que tem pela frente não são fáceis.  


Virgílio Lima foi reeleito para estar mais um mandato à frente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). Com mais de 40 anos de casa e depois de ter estado 22 meses nos comandos da associação, uma vez que herdou a presidência com a saída de Tomás Correia, agora foi eleito pelos associados com quase 48% dos votos.

Na entrevista ao Nascer do SOL, enquanto candidato acenou que era necessário apostar na «continuidade com renovação, mas sem ruturas», já que entende que «alterações ou ruturas que se pudessem eventualmente observar são perturbadoras e geradores de instabilidade». 

Com 68 anos, o ribatejano, que nasceu no concelho de Tomar, veio cedo para Lisboa e fez quase tudo dentro do grupo. Numa entrevistada dada à revista do Montepio confessou que veio para a capital com o curso comercial porque era nesta cidade onde havia empregos. Mas desde aí continuou a apostar na sua formação e acabou por se licenciar em gestão no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Mais tarde regressa ao ISEG para fazer um MBA e um mestrado. 

Mas nessa altura já tinha desenvolvido várias funções, desde a área de controlo a agente de organização e métodos, até subir a gerente de um balcão de Sintra, depois de ter concluído a licenciatura. Daí até ter sido convidado para diretor de marketing foi ‘um pulo’, onde depois foi rodando para outras funções. «Estive em quase todas as áreas», lembrou à revista do grupo. 

E por ter um conhecimento amplo e diversificado facilmente assumiu funções ligadas à gestão de fundos, de patrimónios, à Caixa Económico de Cabo Verde, ao Conselho Geral e de Supervisão do banco, foi administrador da Lusitania e presidente da N Seguros, entre muitos outros.

Em 2016 entrou no concelho de administração da Mutualista. Mas para Virgílio Lima esta bagagem acabou por dar frutos. «Este tipo de processos vai preparando as pessoas, mas estamos todos os dias a aprender e temos de fazê-lo, porque a realidade a isso nos obriga», admitiu.

Em entrevista ao Nascer do SOL, garantiu que estes últimos meses têm sido uma missão difícil, não só pela pandemia, mas também devido ao quadro de instabilidade que se vivia internamente e que acabava por se refletir externamente. A par disso, teve a seu cargo a necessidade de dar cumprimento ao código das associações mutualistas com a preparação de uma Assembleia de Representantes, assim como aprovar os estatutos que não estavam registados e preparar o regulamento eleitoral.

«Tudo isto foi preciso fazer num prazo muito curto decorrente da lei, em que foi necessário dar resposta à informação que a supervisão exigia neste período transitório, o que nos obrigou a dar muita informação não só sobre a associação, mas também sobre o grupo, em particular, em que foi necessário apresentar um plano de convergência e um de atividades a 10 anos», disse, na mesma entrevista.

Ainda assim, garantiu que foi possível alcançar «uma estabilidade que importa manter e desenvolver». 

O reeleito presidente tenta sempre ter as respostas mais adequadas a cada situação e, talvez por isso, mantém sempre um registo calmo, visível a olho nu. «Isso é o ideal. É algo que se persegue. Errar também é uma forma de aprendizagem, mas às vezes é preferível fazer bem à primeira e ter o trabalho de preparação que isso exige. Temos o dever de tentar tratar todas as questões com rigor», referiu à revista do Montepio. 

Fã de José Saramago e de Miguel Torga, Virgílio Lima gosta de jogar golfe e de passar tempo com a família e amigos. Deixou de praticar outros desportos, como o futebol, por razões de saúde.

Pela frente, em termos profissionais, não tem uma vida fácil. O objetivo é captar mais associados e voltar aos lucros. Não só a própria associação apresentou prejuízos de 86 milhões de euros em 2020, mas também a instituição financeira, fruto de alguns custos de ajustamento decorrentes e do encerramento de alguns balcões. Mas está otimista. Vê o resultado das eleições como «uma responsabilidade», mas também como «um forte incentivo» à execução do programa que se propõem implementar e ao cumprimento dos objetivos que se comprometem atingir.

E quanto ao futuro não hesita: «É com todos e para todos que avançaremos no ciclo de consolidação, crescimento e maior afirmação da nossa associação e do nosso grupo, objetivos para os quais temos vindo a trabalhar afincadamente».

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