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Crítica puxa crítica. As trocas de acusações de Rio e Costa sobre prisão perpétua

Primeira semana de debates fica marcada pelo confronto de segunda-feira à noite entre o presidente do PSD e o líder do Chega, onde Ventura desafiou Rio a apontar as áreas com as quais o Chega se encaixa como um partido radical e uma das escolhidas foi o restabelecimento da prisão perpétua. A resposta do Rio não agradou nem ao secretário-geral do PS nem ao adjunto de António Costa. Mesmo com as críticas, o PSD não se deixou ficar e reagiu às contestações dos socialistas. 


Crítica puxa crítica. É assim que o PS e o PSD estão a aproveitar o debate que ocorreu, esta segunda-feira à noite, entre o presidente dos sociais-democratas, Rui Rio, e o líder do Chega, André Ventura, com a moderação de Clara de Sousa, na SIC. 

António Costa e o possível bloco central formado pelo PS e PSD foi um dos assuntos discutidos entre os dois partidos do mesmo lado da bancada, acabando por merecer a atenção do socialistas. No entanto, foi o tema sobre o restabelecimento da prisão perpétua que levou Costa a dirigir certas palavras a Rio, em reação ao debate. 

Durante o debate, Rui Rio foi desafiado por André Ventura a dizer em que áreas considerava o Chega um partido radical e um dos temas apontados foi o da prisão perpétua, um dos quais é defendido por este partido para certo tipo de crimes.

O presidente do PSD respondeu com um exemplo de vários regimes de prisão perpétua que existem no ordenamento jurídico europeu, ao citar a Alemanha - um país onde este tipo de pena existe, mas é revisto ao fim de 15 anos sob forma de liberdade condicional -, afastando doutros países nos quais se pode ficar preso por toda a vida. 

"Se nós estamos a falar na prisão perpétua ponto final parágrafo, vai para a cadeia e nunca mais sai de lá até ao fim da vida, isso nós somos completamente contra, é um atraso civilizacional", afirmou Rui Rio no confronto. 

Com esta resposta, o secretário-geral do PS acusou o presidente do PSD de se sujeitar à conversa para restabelecer a prisão perpétua por conveniência eleitoral, ao apontar que existem "linhas vermelhas inultrapassáveis" e que os "valores do humanismo não são transacionáveis". 

Numa mensagem em vídeo divulgada pelo PS, o primeiro-ministro disse que o país assistiu "com surpresa, em direto e ao vivo, ao doutor Rui Rio, por conveniência ou necessidade eleitoral, a dispor-se a considerar com André Ventura diferentes modalidades para restabelecer a prisão perpétua".

"Quero ser muito claro, em circunstância alguma podemos ceder nos princípios ou nos valores. O combate ao populismo exige linhas vermelhas inultrapassáveis. Os valores do humanismo que inspiram a nossa sociedade não são transacionáveis. Um político responsável tem sempre os seus princípios e os nossos valores no centro", frisou António Costa.

Ainda assim, as críticas não se ficaram apenas por Costa e nem começaram pelo líder socialista. O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, também contestou, poucos momentos depois do final do debate, a atitude de Rui Rio, ao acusá-lo de ceder ao populismo ao "negociar em direto e ao vivo" com André Ventura, admitindo até "ceder na proibição da prisão perpétua".

Sem se deixar ficar, Rui Rio recorreu a uma das suas armas habituais, ao publicar na rede social Twitter a seguinte declaração: "PS diz que eu estou nos braços do Chega e o Chega diz que eu estou nos braços do PS. É a vantagem de estar ao centro. Somos muito abraçados", ironizou o líder do PSD, no dia seguinte ao debate com o Chega. 

Ainda assim, a resposta do presidente dos sociais-democratas não foi suficiente, pois o partido em nome do secretário-geral do PSD, José Silvano, decidiu emitir um comunicado, no qual repudiou a reação do PS ao debate, acusando António Costa e José Luís Carneiro de deturparem as afirmações do líder social-democrata.

"O secretário-geral do Partido Socialista veio reagir de forma inédita, em período de campanha eleitoral, ao debate realizado esta segunda-feira entre Rui Rio e André Ventura, deturpando as afirmações do Presidente do PSD, numa clara tentativa de enganar os portugueses, colocando na sua boca o que nunca disse. Esta declaração é tanto mais surpreendente porquanto surge na sequência de uma outra, também ela enganadora e no mesmo sentido, proferida pelo seu secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro", lê-se na nota publicada no site do partido. 

Para o PSD, "esta técnica de deturpação não contribui em nada para dignificar o debate político, não esclarece os portugueses e pode levar a uma campanha de desinformação, que certamente irá penalizar os partidos políticos e o país nas eleições de 30 de janeiro", pelo que os sociais-democratas deixaram "um sério aviso à continuação deste tipo de prática política": "Em política não pode valer tudo".

Por último, José Silvano apelou "aos vários partidos e, em particular, ao Partido Socialista (e à empresa de marketing que o inspira), para que se mantenha a serenidade e se faça uma campanha séria, esclarecedora e em torno das ideias que cada um defende para o país, sobretudo numa altura delicada de crise económica, social e sanitária". 

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