Política a sério

Não desacreditem (mais) a ciência!

Havia um jornalista já falecido que, quando era preciso dar qualquer explicação aos leitores do jornal sobre um problema que tinha ocorrido, aconselhava o diretor a escrever: «Tratou-se de um problema técnico». E adiantava: «Ninguém vai discutir problemas técnicos». Substituindo ‘técnica’ por ‘ciência’, o mesmo se passa agora com a covid.


A propósito da covid-19, invoca-se hoje constantemente a ‘ciência’. Os políticos invocam a ‘ciência’ para justificar as suas decisões; os médicos falam da ‘ciência’ para fundamentar as suas opiniões; quem faz perguntas ou coloca dúvidas a certas ‘verdades’ estabelecidas é logo acusado de não acreditar na ‘ciência’ e rotulado de ‘negacionista’. 

Havia um jornalista já falecido que, quando era preciso dar qualquer explicação aos leitores do jornal sobre um problema que tinha ocorrido, aconselhava o diretor a escrever: «Tratou-se de um problema técnico». E adiantava: «Ninguém vai discutir problemas técnicos».

Substituindo ‘técnica’ por ‘ciência’, o mesmo se passa agora com a covid.

Quando se toma uma decisão qualquer mais complicada, desde um confinamento ao fecho dos bares, lá vem a justificação: «Foi o que determinou a ‘ciência’».

E ninguém se atreve a discutir. 

Há uns dias, João Luís Pinto, engenheiro, publicava no Observador um excelente artigo onde afirmava que nunca, em época alguma, a ciência foi tão desacreditada como neste período da pandemia. E dava alguns exemplos, que eu também tenho apresentado aos leitores, nos quais, sempre invocando a ‘ciência’, se tem dito uma coisa e o seu contrário.

Já não falo nas máscaras - que começaram por ser desaconselhadas e depois se tornaram obrigatórias. 

Já não falo nas vacinas - que primeiro se dizia que evitavam a infeção e permitiriam ao país voltar à vida normal, o que foi desmentido pelos factos, obrigando a novas restrições. 

Já não falo nas doses - que começaram por ser uma ou duas, consoante os casos, e já vão em três com tendência para quatro.

Já não falo na vacinação das crianças - que começou por não ser aconselhada e agora é quase obrigatória.

Tudo isso era baseado na ‘ciência’ e mostrou-se errado. 

O que era verdade ontem passava a ser mentira amanhã.

Mas a questão que hoje venho aqui colocar é outra, ainda mais inquietante: por que foram abandonadas as vacinas da AstraZeneca e da Johnson, e agora só se administram as da Pfizer e da Moderna?

Ninguém explicou. 

E só vejo três razões para isso ter acontecido. 

1. Razões económicas: estas impuseram-se às outras no mercado e asfixiaram-nas;

2. Eficácia: as vacinas da AstraZeneca e da Johnson revelaram pouca eficácia;

3. Efeitos secundários: aquelas vacinas provocaram efeitos secundários indesejáveis.

Mas por que razão isto nunca foi clarificado?

Por que é que a ministra da Saúde não veio à televisão dizer: «Agora só usamos estas vacinas por este e aquele motivo»?

Este secretismo, esta falta de informação, tem certamente uma razão de ser.

Significa possivelmente que a explicação não era ‘conveniente’.

Em relação à pandemia, muitos políticos fazem o seguinte raciocínio: «Estamos numa guerra e, como acontece em qualquer guerra, é necessário omitir tudo aquilo que prejudique a nossa posição ou beneficie o inimigo». 

E a exposição de dúvidas relativamente às vacinas poderia prejudicar o objetivo governamental de vacinar toda a gente.

Uma coisa é certa: se certas vacinas deixaram de ser usadas - e se a razão não foi apenas económica, o que seria estranho -, é porque tinham problemas.

E se tinham problemas que não haviam sido detetados, é porque estavam insuficientemente estudadas, ou seja, não existiam sobre elas certezas ‘científicas’. 

Mas isto levanta uma questão terrível: como foi possível colocarem-se vacinas no mercado, e levarem-se as pessoas a vacinar-se em massa, com produtos sobre os quais não havia nenhuma certeza ‘científica’?

É assustador. 

E se isto aconteceu, as pessoas podem legitimamente interrogar-se: «Se aquelas duas vacinas foram ministradas sem haver sobre elas quaisquer certezas, quem nos garante que com estas não se passa o mesmo?».

Ninguém pode garantir. 

Até porque as vacina da Pfizer e da Moderna se baseiam num método novo, que mexe com o ADN e sobre o qual ainda não existe um histórico que permita certezas absolutas.

Hoje invoca-se a ‘ciência’ como, noutros tempos, muitos invocavam Deus: em vão.

É certo que a vacina reduz a perigosidade da doença: isso é incontestável e confirmado pelos números. 

Mas sobre os efeitos secundários está muita coisa por saber - e, por isso, ninguém honestamente pode invocar a esse respeito a ‘ciência’. 

Recebi vários testemunhos de leitores a reportar situações suspeitas.

Claro que estas nunca serão noticiadas nos grandes meios de informação, por uma razão simples: é muito difícil estabelecer uma relação de causa-efeito entre a vacina e um problema de saúde mais ou menos grave.

Mas era indispensável que houvesse uma investigação aprofundada e um esclarecimento cabal sobre casos de mortes súbitas de pessoas vacinadas ou de agravamento de doenças ‘adormecidas’.

Em conclusão - e percebendo eu o melindre deste tema -, é legítimo que o Governo apele às pessoas para se vacinarem, no sentido de evitar casos graves, não sobrecarregar os hospitais e diminuir a mortalidade. 

Mas, simultaneamente, deveria haver uma informação livre e não orientada - como tem acontecido desde que a pandemia começou.

Quando vimos na televisão um debate sério e aberto sobre possíveis problemas provocados pelas vacinas? 

A decisão de se vacinar ou não, e de vacinar ou não os filhos, compete a cada um - mas só poderá ser feito em consciência se houver uma informação completa sobre o tema. 

E, por favor, não invoquem a ‘ciência’ a torto e a direito, mesmo em casos onde se percebe que todos andam às apalpadelas.

Dizer uma coisa hoje e o seu contrário amanhã, em nome da ‘ciência’ só contribui para a desacreditar.
 

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