À esquerda e à direita

O triunfo dos animais

Catarina Martins citou duas vezes o Papa Francisco sobre a questão dos migrantes - que como sabemos querem é ir para a Alemanha e se estão, na sua maioria, a borrifar para Portugal - mas ninguém, que tenha visto, aproveitou as palavras do chefe da Igreja Católica sobre o problema do decréscimo da população, que prefere ter cães e gatos a filhos, pondo em causa o futuro.


Há um histerismo à volta desta pré-campanha que é enervante, onde os verdadeiros temas pouco ou nada são debatidos. Pelo menos no que diz respeito aos portugueses. Vejamos um caso muito concreto: Catarina Martins citou duas vezes o Papa Francisco sobre a questão dos migrantes - que como sabemos querem é ir para a Alemanha e se estão, na sua maioria, a borrifar para Portugal - mas ninguém, que tenha visto, aproveitou as palavras do chefe da Igreja Católica sobre o problema do decréscimo da população, que prefere ter cães e gatos a filhos, pondo em causa o futuro.

«Os cães e os gatos ocupam o lugar dos filhos. Esta negação da paternidade tira a humanidade, a civilização envelhece», disse o Papa Francisco. Quantos políticos apresentaram soluções para este problema? Penso que nenhum, pois vivemos num tempo em que uma ditadura silenciosa quer mudar a nossa vida de forma assustadora, onde os animais são mais importantes do que as pessoas. 

O PAN, na sua luta feroz contra as pessoas, apesar da sua líder ter os telhados de vidro que se conhecem, é bem o exemplo disso. E os outros partidos têm problemas em assumirem que as pessoas devem estar sempre à frente dos animais, por mais respeito e carinho que possamos ter por eles. Apetece dizer que enquanto houver uma pessoa sem direito a um médico, não vamos defender hospitais - e por absurdo psiquiatras - para cães e gatos. Defendam creches gratuitas, descontos na habitação - esqueçam o estigma do salazarismo ter dado casas maiores a quem tinha mais filhos -, diminuição nos transportes para as famílias numerosas, medicamentos gratuitos, e por aí fora, mas deem condições para que os jovens possam ter filhos. 

É óbvio que muitos têm receios de ir por aí e só se fala nos direitos LGTB e afins, como se o mundo se resumisse a isso e tivéssemos todos que andar vestidos de arco-íris. 

Faz-me também confusão discutir-se o problema da pobreza com os mesmos princípios do Verão de 76. A pobreza só é combatida com a criação de riqueza e os incentivos ao trabalho. Os empresários que fazem riqueza merecem ter toda a simpatia dos governos, embora a distribuição dessa riqueza possa ser questionada. Alguém que muito ganha deve distribuir melhor os seus lucros, mas que exista riqueza temos de a fomentar.

Vejo o PS defender um grande aumento do salário mínimo e a redução dos dias de trabalho para quatro numa semana. Quem não gostaria que isso fosse realidade? Mas, num país onde a produtividade é tão baixa, é com essas medidas que vamos criar mais riqueza? Quanto ao salário mínimo ,até concordo, apesar dos estudos contrários, pois acredito que quanto melhor viverem as pessoas, menos o Estado terá que as ajudar. 

Resumindo: vejo muito poucas ideias para um país melhor, vejo também partidos defenderem tudo e o seu contrário e, é notório, um alvo a abater. Ventura, como sabemos, diz as suas patacoadas, que não têm qualquer consequência, pois todos sabem o que pensa. O que me preocupa mais é não se discutir o que alguns pensam do passado - que querem reescrever -, sobre a família - que querem acabar -, sobre a alimentação - que querem obrigar-nos a sermos vegetarianos - ou sobre a criação de riqueza e de como poderemos aproximar-nos mais dos países mais ricos, em vez de ficarmos cada vez mais para traz. Não tenho grandes dúvidas que todos queiram o melhor, só que esse melhor pode ser uma verdadeira desgraça para o futuro. Em que país em que o Estado tem um grande papel se vive ou viveu bem? Na antiga URSS? Na Venezuela de Chavez? Na Hungria de Ordogan? Os extremismos nunca nos levaram a lado nenhum, e cada vez mais caminhamos na direção que o Papa condenou. «Vemos que algumas pessoas não querem ter filhos. Às vezes, têm um e chega, mas têm cães e gatos que tomam o lugar das crianças». Basicamente, estamos a transformar o mundo numa verdadeira bicharada, onde as pessoas vão na carneirada dos tempos modernos, tomando decisões que vão comprometer o futuro. Só que anda meio mundo distraído com as parvoíces dos sound bites das redes sociais.

vitor.rainho@sol.pt

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