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As eleições, o acessório e o essencial

A economia portuguesa está moribunda e incapaz de reagir, Portugal não cria riqueza e os portugueses vão ficando mais pobres

As eleições, o acessório e o essencial

Portugal terá eleições no final do mês de janeiro. Eleições que foram antecipadas depois de se constatar a impossibilidade de entendimento na solução política que sustentou o Governo e que foi escolhida e alimentada pelo Partido Socialista. Uma solução que se esgotou na incapacidade de assegurar a viabilidade de um Governo que revelou desgaste acumulado sem capacidade de renovação. Os portugueses são chamados a escolher entre o mesmo ou diferente. Uma escolha que será entre António Costa ou Rui Rio.

O período inicial da campanha eleitoral tem sido marcado pelos debates em modelo curto e de frente-a-frente. De pouco têm servido para discutir problemas ou apresentar soluções, consumidos por incidentes provocados ou consentidos sobre questões que pouco influenciam a resolução dos problemas do país. Discussões que têm servido, sobretudo, para atitudes populistas de alguns e oportunistas e demagógicas de outros.

Mas o mais significativo é o facto de Rui Rio, estando presente ou não nestes debates, ser o alvo direto ou dissimulado de muitas intervenções.

Entretanto, em todos os canais, um sem-número de comentadores faz interpretações mais ou menos rigorosas, muitos em jeito de ‘treinadores de bancada’ e muitas vezes sem isenção e sem objetividade.

Num ambiente condicionado pela pandemia (e como tem sido condicionado…), o risco de ficarem por discutir e esclarecer temas centrais para o futuro do país é cada vez mais evidente.

Nos últimos 25 anos o Partido Socialista governou durante 19, foi responsável por uma bancarrota e trouxe a troika para condicionar a governação durante mais quatro anos.

Apesar dos apoios da União Europeia, Portugal tem sido incapaz de crescer economicamente e de se desenvolver criando riqueza e promovendo a justiça social, afastando-se dos parceiros europeus e sendo ultrapassado, ano após ano, por países que eram menos desenvolvidos e que beneficiaram de apoios idênticos. Mesmo agora, na reação à pandemia, Portugal é o país com a segunda mais lenta recuperação económica da União Europeia.

A economia portuguesa está moribunda e incapaz de reagir como seria necessário, Portugal não cria riqueza e os portugueses vão ficando mais pobres. Este é o principal problema do país e é consequência de opções ditadas por condicionamentos ideológicos, mas também, diga-se, é devido a muita incompetência (que chegou a ser criminosa).

A pandemia e a forma como foi gerida, especialmente depois da fase inicial de emergência, com falta de planeamento, colocou a descoberto a fragilidade do Sistema Nacional de Saúde, incapaz de dar resposta (como ainda se verifica no presente) a cuidados de saúde não-covid. Esta situação foi profundamente agravada pelas opções ideológicas dogmáticas que condicionaram as respostas necessárias, prejudicando gravemente a saúde dos portugueses.

Os portugueses têm boas razões para estarem cansados da pandemia e deste Governo que também está esgotado e revelou não ser capaz de gerir o país nem sustentar a solução política em que se baseou. Não melhorou a economia, a justiça, nem a saúde. O Governo falhou ao país.

Os portugueses foram convocados para escolher uma nova solução de governo para o país. Há duas opções em alternativa: retomar a mesma solução ou virar de página. A estagnação ou o desenvolvimento. A arrogância ou a moderação. A resignação ou a esperança. Os mesmos ou novos horizontes para Portugal. António Costa ou Rui Rio.

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