Sociedade

Bebé da mulher internada com Covid-19 ligada à ECMO está "muito bem" mas mãe continua internada nos Cuidados Intensivos

Médico explicou que alta do bebé "não está dependente" da da mãe, continuando a progenitora "com covid-19 grave" e internada "nos cuidados intensivos", esclarecendo ainda que "qualquer mãe que se encontre aqui internada não tem condições de ter o bebé em coabitação".


Já nasceu o bebé da mulher que está ligada ao dispositivo ECMO - um dispositivo de circulação extracorporal essencial ao tratamento de doentes críticos - no Serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João, no Porto, anunciou o hospital esta quinta-feira. 

O parto ocorreu ontem e, numa conferência de imprensa hoje realizada, o diretor de Neonatologia, Henrique Soares, referiu que "foi uma cesariana programada, houve todas as condições para receber o bebé com as medidas de segurança. Felizmente, o Santiago nasceu bem, a chorar, com bom peso para a idade gestacional [2.420 kg]. Foi transferido para a Neonatologia e encontra-se muito bem, a respirar sozinho".

O médico referiu ainda que o bebé "já está com leite" e "clinicamente muito bem": Os "primeiros exames que fazem parte de uma primeira avaliação global também estão normais".

Questionado sobre se Santiago, devido às condições do seu nascimento, terá algum acompanhamento "especial", o profissional esclareceu que "todos os bebés que nascem com esta idade gestacional têm um programa muito próprio de seguimento e, naturalmente, que ele vai ser incorporado nesse programa", estando neste momento na incubadora.

Relativamente à covid-19, Santiago está negativo, sendo sendo "altamente improvável" que a situação se altere. Contudo, será realizado "um segundo teste", uma vez que "faz parte, nesta situação". 

A alta do bebé "não está dependente" da da mãe, continuando a progenitora "com covid-19 grave" e internada "nos cuidados intensivos". O médico esclareceu ainda que "qualquer mãe que se encontre aqui internada não tem condições de ter o bebé em coabitação".

A grávida de 33 semanas está infetada com covid-19 e é não vacinada. Está desde sexta-feira no Hospital São João ligada à ECMO, anunciou uma fonte daquela unidade hospital no sábado à agência Lusa. 

A mulher, de 35 anos, chegou oriunda do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa e encontrava-se “estável”, tal como o bebé. 

Segundo Roberto Roncon, diretor de medicina Intensivista do Hospital de São João, a mulher continua ainda "com suporte respiratório extracorporal com ECMO", ao qual está ligada desde sexta-feira.

"Apesar de estar acordada, colaborante, bem-disposta, ainda tem uma insuficiência respiratória que faz com que precise do ambiente de Cuidados Intensivos", acrescentou o médico. A situação é, "de momento, estável", mas enquanto está nesta unidade, "merece uma preocupação e uma atenção especiais".

Segundo o Hospital de São João, desde o início da pandemia, já foram contabilizadas “três grávidas com covid-19 em ECMO”, assinalando que as duas primeiras “foram salvas e que apenas um dos bebés não sobreviveu”, acrescentando que também, neste período, houve “cinco grávidas não covid-19 ligadas à ECMO”.

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