Sociedade

Covid-19. Teletrabalho acaba num janeiro diferente

Com mais contactos, é possível que venha a ser quebrada a tendência de travão, esperando-se para já um planalto de infeções. 


A semana termina com uma maior estabilização no aumento de diagnósticos de covid-19 no país mas a reabertura das escolas e no setor noturno esta semana, bem como o fim do teletrabalho obrigatório, acontece numa altura em que não está consolidado um pico claro nas infeções e mesmo em Lisboa o número de infeções voltou a subir ligeiramente. Assim, até quinta-feira, continuava a verificar-se uma subida de 25% nas infeções face à semana anterior. Com mais contactos, é possível que venha a ser quebrada a tendência de travão, esperando-se para já um planalto de infeções. As projeções da Universidade de Washington, disse ao Nascer do SOL Cristopher Murray, do IHME, são de que 45% da população portuguesa venha a ser infetada até ao final de março. Só com os casos detetados, que são uma fração dos que existirão na realidade entre muitos assintomáticos, a incidência atinge níveis inéditos, bem como o absentismo. Mas a pressão dos hospitais está muito longe da que se vivia há um ano, quando havia quase 5 mil internados com covid-19. E, além disso, o cenário nas enfermarias é diferente. Como o i revelou, 60% a 70% dos doentes internados com covid-19 nos hospitais de Santa Maria e S. João são pessoas que testaram positivo para o vírus mas foram hospitalizadas por outros motivos. Ao que o Nascer do SOL apurou, muitas vezes não têm mesmo sintomas e só percebem que têm covid-19 na sequência do internamento hospitalar por outra causa. Continuam a surgir casos de grave de pneumonia covid-19, mas menos frequentes. 

Apesar do quadro mais favorável, há uma tendência de aumento da mortalidade, que segue um aumento significativo dos idosos infetados. Os dados da Direção Geral da Saúde por faixa etária, que o Nascer do SOL analisou, revelam que na última semana houve 4301 idosos com mais de 80 anos infetados, o que compara com 2709 na semana anterior. E no espaço destas duas semanas, foram cinco vezes mais que na quinzena anterior. É neste grupo etário que se regista o maior número de mortes, mesmo com a proteção conferida pelas vacinas. Das 34 vítimas mortais esta quinta-feira, 23 tinham mais de 80 anos e sete eram septuagenários. As outras quatro vítimas tinham entre 50 e 69 anos. Mas tal como não há dados discriminados sobre os internamentos, que os hospitais relatam ao Nascer do SOL ter um perfil diferente face há um ano mas cuja diferenciação não é feita nos boletins da DGS, continua também a não ser discriminado se as mortes se deveram ou não à doença covid. 

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