Opiniao

Em busca da estabilidade

Como pano de fundo destes debates televisivos emergiu a realidade, exibida a quem os viu, da clara impreparação evidenciada por alguns candidatos

Em busca da estabilidade

Por Alexandre Faria, Escritor, advogado e presidente do Estoril Praia

Ao partir para umas eleições legislativas que não queria, Portugal ambiciona e necessita, acima de tudo, de estabilidade. E esse será o principal critério que o eleitor, desde que esteja desprendido de filiações partidárias, irá procurar no próximo dia 30 de janeiro.

Prestes a atingir cinquenta anos de democracia, a conquista da liberdade de voto obriga a sérias reflexões e a uma assinalável participação neste ato eleitoral. Não apenas pela relevância destas legislativas em concreto, mas pelo momento que o país atravessa, na iminência de receber apoios europeus significativos que devem ser geridos com o maior critério e experiência, por quem sabe fazê-lo e por quem demonstra uma maior segurança na sua execução.

Para que tal escolha recaia em quem merece, o eleitor, preocupado com a sua vida pessoal e em comunidade, esteve e ainda está envolvido numa campanha eleitoral diferente, face à pandemia e às restrições de contactos. Nada de novo nestes últimos tempos, juntando-se outra tendência que se nota desde a última década, ainda incompreendida por muitos aparelhos partidários. Se os modelos de campanhas já clamavam por inovações, ainda demasiado agarrados às tradicionais idas às feiras, jantares-comício ou arruadas sem propósito para gáudio exclusivo dos próprios, talvez nenhuma eleição dependa tanto, como esta, dos debates televisivos.

Poderia pensar-se que esse determinismo do uso exclusivo da comunicação social, em particular das televisões, por ser tão expectável, proporcionaria uma melhor preparação por parte de vários intervenientes. Afinal, estes momentos seriam cruciais para uma eficaz transmissão de mensagens e, sobretudo, de propostas concretas e de visões estratégicas para o futuro. Ao invés, muitos foram os momentos onde imperou a irracionalidade, o recurso aos truques baixos de interromper a explanação de ideias ou as encenações mais primárias, facilmente percecionadas e desmontadas pelo público em geral.

Como pano de fundo destes debates televisivos emergiu a realidade, exibida a quem os viu, da clara impreparação evidenciada por alguns candidatos. A pandemia que enfrentamos não permite esconder debilidades gritantes, escondidas durante algum tempo atrás de artifícios de frases feitas e ali, no confronto direto e em poucos minutos, apenas os mais dotados conseguem sobreviver. E os fenómenos de moda ou de protesto fácil ressentem-se, caindo a pique nas sondagens pela sua ausência de solidez, seja ideológica ou intelectual.

Em busca da estabilidade, Portugal precisa de uma maioria firme e de uma postura governativa de Estado por quem o irá liderar, de alguém que não mude de opinião ao sabor dos ventos, que não abdique dos valores e dos princípios do humanismo e que garanta a prossecução de uma linha de desenvolvimento coerente, capaz de assegurar o futuro de todos. O voto soberano do povo português, esclarecedor e presente sempre que é necessário, irá optar pela sustentabilidade que deseja. Assim o queiram e aproveitem, também, os responsáveis políticos eleitos nos contextos parlamentares vindouros.

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