Politica

Mulheres com poder no Governo: Mariana é nº 2 e Ana Catarina fica com coordenação política

António Costa vai nomear Mariana Vieira da Silva n.º 2 do novo Governo, em que fez pequenos acertos por causa da guerra na Ucrânia: Ana Catarina Mendes já não vai para a Defesa (João Cravinho deverá continuar) e vai ser ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, com a responsabilidade pela coordenação entre Executivo, grupo parlamentar e partido.


Com a repetição das eleições nas assembleias de voto do círculo da Europa neste fim de semana começam finalmente a ficar reunidas as condições para a tomada de posse do novo Parlamento e encurta-se o prazo para a apresentação por António Costa, primeiro-ministro indigitado, apresentar o seu novo Governo ao Presidente da República.

Tal como o Nascer do SOL tem vindo a noticiar nas últimas edições, o líder socialista já há várias semanas que desenhou o futuro Executivo, sustentado numa estrutura de modelo vertical (ao contrário do que aconteceu nos seus dois primeiros Governos), em que Mariana Vieira da Silva será a número dois (eventualmente com a designação formal de vice-primeira-ministra) e no qual a até aqui líder parlamentar, Ana Catarina Mendes, terá a missão crucial de coordenação política dos gabinetes ministeriais com o grupo parlamentar e o partido.

Com efeito, a necessidade de repetição das eleições no círculo da Europa – na sequência da trapalhada da contagem e invalidação de milhares de votos de emigrantes – permitiu a António Costa fazer alguns acertos na arquitectura inicial do seu próximo gabinete, designadamente atendendo ao facto substancial de, entretanto, ter deflagrado a guerra na Europa, com a invasão da Ucrânia pelas tropas da Rússia de Vladimir Putin.

Isto porque, sendo certo que Augusto Santos Silva já vinha de há muito manifestando vontade de deixar funções governativas e é o nome que António Costa quer ver como sucessor de Ferro Rodrigues na presidência da Assembleia da República, não era agora, em plena guerra, aconselhável afastar também o outro interlocutor de Portugal nos fora internacionais, designadamente na Europa e na NATO. Assim, e porque é certo que Belém não veria com bons olhos uma promoção de João Gomes Cravinho para as Necessidades – tendo bem presentes as críticas do Presidente Marcelo à atuação do ministro no polémico dossiê de nomeação do almirante Gouveia e Melo para a chefia do Estado Maior da Armada –, a solução passa pela sua continuidade no Ministério da Defesa, que o primeiro-ministro chegou a ponderar entregar a Ana Catarina Mendes.

Consequentemente, mantendo-se Cravinho na Defesa e o Ministério dos Negócios Estrangeirospodendo ser entregue a Pedro Siza Vieira, que deixa a pasta da Economia para se dedicar à gestão de uma sempre fundamental diplomacia económica, Ana Catarina Mendes será ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares – cabendo-lhe a coordenação política entre a Gomes Teixeira, S. Bento e o Largo do Rato.

No mais, António Costa fez poucas mais mexidas no futuro Governo em relação às novidades já apontadas pelo Nascer do SOL nas últimas semanas.

Ou seja, além de Mariana Vieira da Silva como número dois, Siza Vieira no MNE e Ana Catarina Mendes na coordenação política através dos Assuntos Parlamentares (lugar que curiosamente foi ocupado por Pedro Nuno Santos na sua ascensão governativa), a estrutura vertical seguirá com Fernando Medina nas Finanças e num dos lugares de topo da pirâmide e contará com os restantes três ‘ases’ do PS, ou valores referenciais para o futuro do partido: a começar pelo próprio Pedro Nuno, que poderá continuar nas Infraestruturas caso Costa Silva seja confirmado na Economia; e seguindo com José Luís Carneiro (Administração Interna) e Duarte Cordeiro (no Ambiente).

Além deste ‘núcleo duro’ e político do Governo, a Saúde está entregue a Marta Temido, a Justiça a Alexandra Leitão e a Segurança Social a Ana Mendes Godinho – não devendo haver mais nenhum ministro reconduzido. E entre as novas caras, além de Costa Silva, também Sampaio da Nóvoa está apontado a um Ministério alargado da Educação e Ensino Superior.

 

A gestão de Costa

Não obstante, António Costa continua a dizer aos jornalistas que a questão dos nomes que formarão o novo Governo ainda não se coloca neste momento – o que é um facto, uma vez que nem os votos dos emigrantes da Europa estão escrutinados e a Assembleia da República só poderá tomar posse depois da publicação dos resultados.

Aliás, sobre o tema de uma eventual alteração de planos em face da guerra na Europa, Costa foi também questionado pelos jornalistas, após ter participado numa reunião do Conselho Permanente da Concertação Social sobre a situação na Ucrânia. «Essa pergunta é muito interessante, mas é para daqui a umas semanas», explicou o PM, relembrando que «o calendário de posse do novo Governo foi alterado por via da repetição das eleições no círculo eleitoral da Europa, que terão lugar no próximo fim de semana». «Todas as outras questões perderam atualidade», argumentou Costa, explicando que só após saber os resultados da votação dos eleitores no círculo da Europa, bem como a constituição da Assembleia da República, poderá «apresentar ao senhor Presidente da República os nomes que integrarão o próximo Governo».

 

Liderança parlamentar

Enquanto a casa está já arrumada ao nível do Executivo, faltando a formalização dos convites e o cumprimento dos demais trâmites para a posse do Governo dentro de duas semanas, os corredores socialistas continuam agitados não só com os cenários que vão surgindo nos media como com as lutas internas por alguns ‘poleiros’ de poder que permanecem por atribuir. Por um lado, na direção do grupo parlamentar (e particularmente no que se refere ao líder da bancada, atendendo à promoção de Ana Catarina Mendes) e, por outro, no Largo do Rato, já que Costa os governantes a acumularem com responsabilidades no Secretariado do partido.

Para a liderança da bancada, sendo conhecida a ambição de Marcos Perestrello, há ainda que contar com a hipótese de poder continuar a ser uma mulher – e a mais falada é a algarvia Jamila Madeira – ou de Porfírio Silva poder ser premiado pela sua lealdade e trabalho empenhado tanto nas campanhas como na coordenação da elaboração do programa de Governo a pedido de António Costa.

De resto, Porfírio Silva é um nome consensual tanto na bancada como no partido, onde José Luís Carneiro deixa de ter as responsabilidades de secretário-geral adjunto com a subida a um cargo ministerial.

Muito mais do que Marcos Perestrelo e do que Jamila Madeira.  que não fazem o pleno nem em S. Bento nem no Rato.

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