Internacional

Xi Jinping defende política 'zero casos'

O Presidente chinês pretende que o seu país continue a adotar a política de ‘Zero Casos’. As maiores cidades da China já estão em confinamento.


Numa altura em que China está a enfrentar os piores surtos desde a primeira vaga de 2020 e que dezenas de milhões de pessoas foram colocadas sob confinamento em todo o país, o Presidente Xi Jinping defendeu, esta quinta-feira, que o país deve continuar a insistir na política de «zero casos» de covid-19, visando conter os surtos ativos o «mais rápido possível».

«Devemos sempre colocar as pessoas e as suas vidas em primeiro lugar, manter [...] a política de zero covid-19 e impedir a propagação da epidemia o mais rápido possível», disse Xi Jinping, em comentários divulgados pela emissora pública CCTV.

Esta terça-feira, a China voltou a registar um novo máximo diário de infeções de covid-19, com 5280 casos, mais do dobro do registado na segunda-feira.

A rápida disseminação está a acontecer devido à linhagem BA.2 da variante Omicron, que está a colocar em causa a eficácia da política chinesa de «Zero Casos», onde, apesar de ter ajudado a prevenir surtos em larga escala, as autoridades aplicam duros confinamentos a largos segmentos da população, que devem permanecer encerrados em casa, um rígido controlo das fronteiras e aumento das exigências de testagem.

Apesar do número de casos ser «pequeno para os padrões globais», escreve o Guardian, especialistas em saúde afirmam que a taxa de aumento de casos diários nas próximas semanas será um fator crucial para determinar se a abordagem da política de ‘Zero Casos’ ainda é eficaz contra a variante Omicron, que se espalha mais rapidamente.
Até ao momento, pelo menos onze cidades e províncias foram confinadas por causa deste mais recente aumento de casos de covid-19, sendo o caso mais preocupante o da província de Jilin, no nordeste do país, na fronteira com a Coreia do Norte, onde foram detetadas mais de 3 000 novas infeções, incluindo 2 601 casos locais.

Surtos menores surgiram em todo o país, inclusive nas principais cidades: Pequim, no centro financeiro de Xangai, onde as autoridades isolaram prédios de apartamentos individuais e testaram todos os moradores, e no centro tecnológico de Shenzhen, que abriga 17 milhões de pessoas e é sede de vários grupos de tecnologia, incluindo a Huawei e Tencent.
Além do isolamento das cidades, o regulador de aviação da China informou que 106 voos internacionais programados para chegar a Xangai vão ser desviados para outras cidades entre os dias 21 de março a 1 de maio.

Se a situação parece grave na China, especialistas acreditam que pode ficar ainda pior, com o jornal inglês a citar um sistema de previsão da covid-19, utilizado pela Universidade de Lanzhou, no noroeste da China, que previu que o presente surto de infeções apenas será controlado no início de abril, depois de atingir um total acumulado de cerca de 35 000 casos positivos.

Contudo, apesar deste ser o surto mais grave na China, desde Wuhan em 2020, as autoridades podem conseguir controlá-lo desde que as rigorosas restrições permaneçam em vigor, afirmou a universidade.

Recorde diário de mortes na Coreia do Sul 
A Coreia do Sul também está a enfrentar dificuldades a controlar esta nova onda da pandemia: entre segunda e terça-feira, registou 293 mortes atribuídas à covid-19, o valor mais elevado desde o início da pandemia, com o país a enfrentar um aumento recorde de casos.

Apesar de o número de pacientes em situação grave ou crítica ter também atingido um novo máximo, 1 196, as autoridades de saúde disseram que a resposta médica permanece estável.

Mas o Governo sul-coreano indicou esperar que a pressão sobre o sistema hospitalar aumente nas próximas semanas, considerando os intervalos de tempo entre infeções, hospitalizações e mortes.

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