Sociedade

Capelão da Marinha exonerado por Gouveia e Melo após defender fuzileiros envolvidos nas agressões fatais para agente da PSP

Padre Licínio Luís pronunciou-se sobre declarações do Chefe do Estado-Maior da Armada no Facebook, com uma violenta crítica a Gouveia e Melo, a quem pediu juízo. Segundo o i apurou, exoneração já foi assinada por Gouveia e Melo, que traçou linhas vermelhas para a conduta dos fuzileiros após confrontos à porta da discoteca terem causado uma morte.

Capelão da Marinha exonerado por Gouveia e Melo após defender fuzileiros envolvidos nas agressões fatais para agente da PSP

O capelão da Marinha foi exonerado de funções esta segunda-feira na sequência das críticas públicas que dirigiu ao Chefe do Estado-Maior da Armada nas redes sociais, considerando natural o comportamento mais agressivo de fuzileiros alcoolizados numa saída à noite e pedindo por duas vezes "juízo" a Gouveia e Melo antes de julgamentos. Palavras que respondiam ao duro discurso de Gouveia e Melo na semana passada, quando condenou o envolvimento de fuzileiros nas agressões à porta de uma discoteca de Lisboa que resultaram na morte do agente da PSP Fábio Guerra. Segundo o i apurou, Gouveia e Melo convocou o padre Licínio Luís, que pediu desculpa pela publicação, entretanto apagada do Facebook, mas não se retratou publicamente depois de ter contrariado as linhas vermelhas traçadas pelo superior hierárquico aos fuzileiros. O i sabe que a exoneração foi assinada ainda ontem por Gouveia e Melo, com efeito imediato.

Capelão da Marinha Portuguesa há 25 anos e sete meses, Licínio Luís, missionário Passionista e marinheiro, usou as redes sociais para censurar a intervenção de Gouveia e Melo quando se dirigiu ao corpo de fuzileiros afirmando que os acontecimentos daquele sábado "mancharam as nossas fardas, independentemente do que vier a ser apurado". 

"Não quero arruaceiros na Marinha; não quero bravatas fúteis, mas verdadeira coragem, física e moral; não quero militares sem valores, sem verdadeira dedicação à Pátria; não quero militares que não percebam que na Selva temos que ser Lobos, mas em casa cordeiros, pois isso é a verdadeira marca de autodomínio, autocontrole e de confiança dos outros em nós", disse na altura o almirante, num discurso que, ao que o i apurou, gerou sentimentos díspares no seio na Marinha e acabou por ter a reação mais forte na publicação do capelão militar.

“Não te deixes levar pelas primeiras impressões. Aguarda pelos que fazem o caminho certo. A justiça que siga o seu caminho... O senhor Almirante, que aguarde pela justiça. Julgar sem saber não corre nada bem”, começou por escrever o padre Licínio Luís, numa publicação que apesar de ter sido apagada pelo autor foi já replicada várias vezes, com mensagens de apoio e solidariedade na página pessoal do capelão nas redes sociais. 

"Os jovens estavam a divertir-se e foram provocados. Um deles é campeão nacional de boxe, no seu escalão, foi atingido à falsa fé e reagiu. Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor Almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos”, continuava o capelão, pedindo respeito pelos fuzileiros. “Os nossos jovens têm direito a serem respeitados. Os jovens da PSP estavam no mesmo âmbito e alcoolicamente tão bem dispostos como os nossos. Juízo com os nossos julgamentos”.

A Marinha Portuguesa confirmou ao início da noite que o capelão Licínio Luís teve uma audiência com o CEMA, encontrando-se à data de hoje exonerado. O i contactou o capelão militar exonerado para um comentário, não tendo ainda obtido resposta. 

Os dois fuzileiros envolvidos nas agressões a Fábio Guerra estão em prisão preventiva. Interrogados, confirmaram ter batido no polícia que interveio nos desacatos à porta da discoteca Mome, tendo negado ter pontapeado na cabeça o jovem que não estava de serviço e interveio nos confrontos. Como i noticiou, o agente e os colegas podem ter sido apanhados no meio de uma querela nascida no ginásio frequentado pelos fuzileiros.

Notícia atualizada esta terça-feira à noite com a confirmação da exoneração por parte da Marinha Portuguesa.

 

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