Cultura

Phil Collins despede-se dos palcos devido a problemas de saúde

O vocalista dos Genesis sofreu uma lesão nas vértebras do pescoço que o deixou incapacitado.


“Depois desta noite, vamos todos ter de arranjar empregos a sério”, disse o icónico Phil Collins, em cima de palco, durante o último concerto do lendário grupo de rock progressivo, Genesis, numa altura em que o músico enfrenta problemas de saúde que o impedem de “segurar nas baquetas da bateria”.

No ano passado, no programa de televisão BBC Breakfast, Collins revelou que problemas de saúde o limitavam fisicamente e o impossibilitavam de tocar bateria, instrumento que o trouxe para a ribalta quando assumiu o kit dos Genesis em 1970. Uma lesão em 2007 provocou danos nas vértebras do pescoço do músico que lhe provocaram danos irreversíveis nos nervos. Em 2015, Collins sofreu danos no sistema nervoso devido a uma cirurgia à coluna, que lhe causou novos danos nervosos incapacitantes, e, em 2017, uma nova queda levou o artista a precisar de assistência de uma bengala para andar. 

Nessa entrevista, o músico revelou que o seu filho, Nic Collins, iria assumir a bateria. “Tenho um pouco de dificuldade física, o que é muito frustrante, porque adoraria tocar com meu filho”, disse na altura.

Com membros originais do grupo como Tony Banks e Mike Rutherford, o grupo deu o último concerto da sua tour The Last Domino, que marcou a reunião do grupo depois de um hiato de 13 anos, na O2 Arena, em Londres, no sábado passado, que já tinha sido adiado quatro vezes devido à pandemia provocada pela covid-19, e que simboliza o final do grupo inglês e também das presenças em palco de Collins.

Surgindo em palco de cadeira de rodas para cantar e tocar pandeireta, o músico de 71 anos confessou à audiência que este era um concerto “muito especial”. 

“Esta é a última paragem da nossa tour e é o último show dos Genesis”, disse. “É difícil para nós acreditar que todos vocês ainda nos vêm ver. Sim, depois desta noite todos os membros da banda vão ter de arranjar empregos a sério”, gracejou.

Os Genesis são uma das bandas mais bem-sucedidas de sempre, tendo vendido mais de 150 milhões de álbuns apesar das diversas metamorfoses pelas quais a banda passou ao longo dos anos. 

A banda inglesa teve três fases distintas durante desde que o grupo foi criado em 1967. Na sua génese, o grupo era liderado por Peter Gabriel, vocalista, multi-instrumentista e principal letrista, e foram responsáveis por alguns dos mais importantes e influentes discos de rock progressivo dos anos 1970, como Selling England by the Pound (1973) ou The Lamb Lies Down on Broadway (1974).

No entanto, Gabriel acabaria por abandonar o grupo em 1975, para seguir uma carreira a solo, e os Genesis abraçariam elementos mais acessíveis ao pop-rock na sua música com Phil Collins a abandonar a bateria e a assumir a voz e liderança da banda, conduzindo o grupo no seu período mais bem sucedido em termos financeiros.

Collins, que já era dono de uma respeitável carreira a solo, anunciou que iria sair dos Genesis, em 1996, para se dedicar ao seu trabalho em nome próprio, que resultou, por exemplo, na banda sonora de Tarzan, lançada três anos depois. A banda ainda continuou com Ray Wilson como vocalista, mas a separação chegaria quatro anos depois. Neste espaço de tempo, o grupo lançou 15 álbuns de estúdio.

Os Genesis permaneceriam em silêncio até se reunir com Collins, em 2007, com quem tocariam até ao passado sábado.
O concerto contou com 23 músicas, passando por diversas fases da sua discografia, de Dancing With the Moonlit Knight a I Can’t Dance, ou Firth of Fifth a Invisible Touch, e teve um membro da audiência muito especial: Peter Gabriel. 

“Deve ser ele que está a gritar para tocarmos a Supper’s Ready”, gozou, mencionando a música de 1973 com uma duração de 23 minutos escrita pelo antigo vocalista, que, no final do concerto, tirou uma foto com a banda que partilharam no instagram.

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