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Earendel. O brilho de uma estrela que é uma viagem no tempo

Captada pelo telescópio espacial Hubble,  o brilho da estrela mais remota alguma vez detetada, que terá existido no início do universo, abre portas para o passado.

Earendel. O brilho de uma estrela que é uma viagem no tempo

Nos primórdios do universo, terá sido uma estrela 50 a 100 vezes mais massiva que o nosso sol, um milhão de vezes mais brilhante. Agora, o seu brilho foi detetado pelo telescópio espacial Hubble, depois de viajar 12,9 mil milhões de anos luz, numa descoberta anunciada ontem e que a ser confirmada entrará para o rol dos marcos históricos do telescópio espacial lançado há 32 anos, que será substituído na sua função de descobridor do universo primordial pelo moderno James Webb lançado no passado 25 de dezembro. Os investigadores chamaram-lhe Earendel, estrela da manhã no inglês antigo e, confessou o autor principal do artigo publicado na Nature com as observações, uma inspiração também na personagem Earendil de J.R.R. Tolkien na obra O Silmarillion.

Primeiras medições feitas, é a estrela mais distante da Terra no espaço e no tempo alguma vez observada, anunciou a NASA. O anterior recorde  pertencia à estrela azul batizada de Icarus, a 9 mil milhões de anos-luz da Terra. Esta não é a estrela mais antiga conhecida, descoberta também feita pelo Hubble em 2013. Mas dá um salto na viagem no tempo que os astrónomos procuram fazer através do brilho dos corpos celestes para estudar os primórdios do universo. Até aqui, a estrela mais distante detetada pelo Hubble em 2018 era uma imagem de quando o universo tinha cerca de 4 mil milhões de anos, 30% da sua longevidade atual. Agora, falam de uma estrela cujo brilho reflete o que seria a sua magnitude há 12,9 mil milhões de anos, quando o universo tinha 7% da idade atual. Trocando para minutos, imaginando que levamos uma hora de expansão, é uma visão de uma grande estrela nos primeiros quatro minutos depois do Big Bang. “Normalmente a estas distâncias, galáxias inteiras parecem pequenas manchas, com a luz de milhões de estrelas a misturarem-se”, explicou Brian Welsh. E foi precisamente por estudar o campo de uma galáxia primitiva, batizada de Arco do Nascer do Sol, que começou a investigação, mas os investigadores acabaram por conseguir isolar o brilho de uma estrela que foi de ampliado pela expansão do universo. “Pode ser uma janela para uma era do universo com a qual não estamos tão familiarizados, mas que levou a tudo o que conhecemos”, disse o investigador. Pode porque esperam que o James Webb olhe na mesma direção e confirme a natureza da Earendel.

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