Brasil presente

O desmonte eleitoral

Ao mesmo tempo que distribui ‘bondades’ com objetivos flagrantemente eleitorais, o Presidente Bolsonaro corta no orçamento de entidades fundamentais como agências reguladoras.

O desmonte eleitoral

Por Aristóteles Drummond

Ao mesmo tempo que distribui ‘bondades’ com objetivos flagrantemente eleitorais, o Presidente Bolsonaro corta no orçamento de entidades fundamentais como agências reguladoras. O caso da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é grave, pois ocorre justamente quando o mercado financeiro vive momento de intensa inovação, os bancos digitais crescem, o país instituiu o Pix - já há mais de 30 milhões de usuários, que fazem transferências de valores entre contas diretamente, sem despesas. Tudo que requer fiscalização e regulamentação. 

Outro órgão atacado é a Anvisa, da saúde, que regula e autoriza o uso de remédios no país. O presidente fez um decreto em que libera o SUS, saúde oficial, de usar medicamentos para fins que não os que estão em suas bulas, conforme a lei e a tradição. Tudo para que o setor público possa oferecer a cloroquina aos acometidos pela covid. O presidente cismou com a cloroquina, como se sabe, apesar de reiteradas manifestações de natureza científica, no Brasil e no âmbito da OMS, não recomendarem, por ser inócua, a sua utilização. 

Mas as dificuldades políticas vão surgir, pois o Presidente insiste em ter como vice, o General Braga Neto, já reformado, ministro da Defesa e seu fiel escudeiro. Não tem tradição política e, assim, não daria lugar a um dos partidos que o apoiam. Na reta final, caso não esteja bem nas sondagens, pode ter uma surpresa com a debandada de apoiadores. 

VARIEDADES

• A maior distribuidora de combustíveis do Brasil era estatal. Pertencia a Petrobras. Com a venda deste ativo, a empresa, que tinha a menor rentabilidade no setor, deu um salto qualitativo. Com 8.200 gasolineiras espalhadas pelo país, em pouco mais de um ano, passou de 4.200 para 3.400 empregados, os custos operacionais caíram pela metade e com aumento da geração de caixa. Inacreditável que as privatizações ainda encontrem crítico... Governo é para ter postos de saúde e não de gasolina, dizia o sábio Roberto Campos.

• Aproveitando o ano eleitoral e o apetite do presidente em atender a todo mundo, os empresários sugerem que o governo faça algumas alterações na área tributária, que independem de aprovação do Congresso. Uma se refere a abolir alguns dos mais de 60 diferentes impostos que custam muita burocracia e disputas judiciais. Outra seria estimular a geração de empregos, que a carga fiscal de 65% sobre a folha inibe a contratação.

• São Paulo já está aplicando a quarta dose para os maiores de 70 anos. A vacinação vai se incorporar ao calendário, como ocorre com a da Influenza. A pandemia parece , finalmente, ceder com consistência.

• O escândalo da semana envolve a participação de pastores de igrejas evangélicas na liberação de recursos do Ministério da Educação, mediante pagamentos. O ministro Milton Ribeiro não deu explicações, mas gravações e muitas denúncias confirmam o tráfico de influência. O Presidente se precipitou em afirmar que «colocava a cara no fogo pelo ministro». Mas acabou tendo de o afastar .

• O real continua a se valorizar frente ao dólar e ao euro. Quinze por cento, desde o início do ano. Apesar das incertezas que o processo eleitoral provoca.

• Sondagem da revista Exame aponta ligeira alta de Bolsonaro. Mas 40% dos ouvidos querem uma alternativa aos dois, Lula e Bolsonaro. Apostando nisso, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, renunciou para ficar habilitado a concorrer.

• Os brasileiros passarão a ter um Cartão do Cidadão, nos moldes do português. Foi aprovado projeto do deputado Júlio Lopes, do Rio, que se inspirou na experiência portuguesa. 

• Roseana Sarney, filha do ex-Pesidente, vai voltar à política disputando uma vaga na Câmara dos Deputados. 

Rio de Janeiro, março de 2022

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