Cultura

"A água que bebemos, num momento qualquer já passou pelo rim de um dinossauro"

O investigador do MIT e especialista em recursos hídricos Giulio Boccaletti explica que 98% da água que consumimos é para a produção de alimentos. Diz que não há guerras por causa da água, mas antevê «uma catástrofe alimentar como nunca vimos» por causa da invasão da Ucrânia.

"A água que bebemos, num momento qualquer já passou pelo rim de um dinossauro"

Diz-se que podemos passar cerca de quinze dias sem ingerir comida, mas não mais de três dias sem água. Este líquido, que está tão indissociavelmente ligado à vida que é das primeiras coisas que as missões de exploração espacial procuram noutros planetas, existe na Terra há 4,4 mil milhões de anos, estimam os geólogos. «Atualmente, 97% dessa água reside nos oceanos», explica Giulio Boccaletti em Água: uma biografia (ed. Desassossego). «A quase totalidade dos restantes 3 por cento encontra-se dividida entre calotas polares e lençóis freáticos. [...] O que resta – uma ínfima fração, menos de um quinto de um por cento – é a água contida nos lagos, rios e solos, a qual cria o ambiente que rodeia todas as criaturas terrestres, incluindo as pessoas».

Neste livro, que escreveu em parte para chamar a atenção para o privilégio que é abrir uma torneira e ter água potável a correr, Boccaletti conta como a água moldou a história do mundo. E como continuará a moldar. O especialista em recursos hídricos e investigador do Massachusetts Institute of Technology conversou com o Nascer do Sol a partir de Bolonha, por videoconferência.

Há quinze anos estive na reserva de Amboseli, no Quénia. Em tempos, este santuário de elefantes era um lago. Hoje é uma zona árida, onde quase não chove. Partindo deste exemplo, podemos concluir que a terra está condenada a ficar cada vez mais seca?

Se considerarmos a média, não. A quantidade de água que existe no planeta é sempre a mesma. É assim há quatro mil milhões de anos e não mudou. Em termos absolutos, portanto, a água não está a desaparecer, o mundo não está a ficar mais seco. Mas a distribuição da água está a mudar. O que determina onde está a água e onde chove é o sistema climático, e com a mudança do sistema climático, porque temos interferido com a química da atmosfera, a distribuição da água vai alterar-se. Os trópicos, por exemplo, são especialmente vulneráveis. Por isso, sim, há partes do mundo que estão a ficar mais secas, e não é apenas o Corno de África. O Sul de Itália está a ficar mais seco, Espanha também…

E Portugal.

E Portugal. Estou convencido de que enfrentamos uma alteração muito significativa na distribuição da água. E essa foi uma das razões que me levaram a escrever este livro. Muitos de nós, em particular aqueles que residem em países ricos, têm vivido na ilusão de que está tudo bem, de que dominamos a água. Abrimos a torneira e ela corre, e pensamos: ‘Qual é o problema?’. Isso é uma ilusão, uma ilusão que foi criada ao longo do século XX, e que está prestes a estilhaçar-se.

Foi por isso que lhe ocorreu a ideia de escrever a biografia de algo ao mesmo tempo tão simples e tão fugidio como a água?

Em parte foi isso, aperceber-me de que estamos num ponto de inflexão, e achar que é importante as pessoas saberem o que se passa. Mas também por outra coisa. Trabalho com questões relacionadas com água há 20 anos, e notei que as discussões sobre a água começam sempre no domínio técnico. Temos discussões sobre barragens, sobre dessalinização, sobre canais – coisas muito concretas. Trabalho muito com nações em desenvolvimento, tentando ajudar os governos a elaborar planos para garantirem a sua segurança hídrica, por exemplo. E muito rapidamente entramos em território político. Torna-se de imediato evidente que o problema não é tecnológico, é de natureza política: quem decide o que fazemos com a paisagem. Essa é a questão central. Queria que isso ficasse perfeitamente claro. Preocupa-me muito que as pessoas pensem que nos vamos adaptar às alterações climáticas pedindo a um engenheiro que invente uma solução qualquer. Isso assim não vai resultar. Vamos ter de tomar decisões. O que vamos plantar nas nossas terras? Como vai ser a paisagem quando olhamos pela janela? Quem decide o que plantamos. O que comemos? Quem decide se uma planície inundável fica alagada ou é drenada? Todas estas são perguntas políticas, e por isso precisam do envolvimento das pessoas.

Quando falamos do domínio sobre a água, pensamos de imediato na Holanda, cujo território foi em grande parte conquistado ao mar. Mas em Itália também têm muitos bons exemplos. A começar pelos romanos, que desenvolveram um sistema de aquedutos e distribuição de água. Os italianos foram pioneiros na ‘domesticação’ dos recursos hídricos?

Foram, mas não pelas razões que as pessoas pensam. O mundo romano foi bem-sucedido na forma como lidou com a água, e não por causa dos aquedutos. Os romanos foram notáveis engenheiros hidráulicos e os aquedutos resultavam de patrocínio privado. Alguém avançava com o dinheiro para construir o aqueduto. A questão da segurança hídrica tem que ver com segurança alimentar, com a água necessária para produzir comida, que representa 98% do consumo. E os romanos resolveram-na através de uma instituição, não de uma infraestrutura. A solução para atingir a segurança alimentar foi o mercado mediterrânico dos cereais. Havia alguma infraestrutura – principalmente portos – que permitia à cidade de Roma, que no século I tinha um milhão de habitantes, receber cereais de todo o Mediterrâneo, podendo depender de agricultura de sequeiro, mas ao mesmo tempo assegurando um abastecimento constante. Porque quando não chovia em Espanha, recebiam os cereais da Turquia, e vice-versa. Em certo sentido esse é um bom arquétipo. Você falou dos holandeses – é uma experiência fascinante.

O que podemos aprender com ela?

A relação dos Países Baixos com a água é dialética. Começa no século IX-X, com a alteração da paisagem para se protegerem contra a invasão do mar. E acabam por recorrer cada vez mais à engenharia para fazer face à água que entra. Mas a grande inovação foram as instituições resultantes da adoção da técnica dos pólderes [terrenos baixos que são protegidos da invasão das águas por diques e sistemas de drenagem]. O cerne da questão é como os seus recursos foram gastos para o bem comum. Já foram escritos muitos livros sobre a água, e as pessoas tendem a centrar-se nos aquedutos, nos moinhos, nas bombas de sucção, nos grandes avanços tecnológicos. Acho que são razoavelmente interessantes, mas para mim a questão mais interessante é a adaptação humana que resulta das instituições que concebemos para nos organizarmos e exercermos uma influência coletiva na paisagem.

Curiosamente, no passado os pântanos e as terras alagadas eram considerados insalubres, uma ameaça por causa de doenças como a malária. Hoje queixamo-nos sobretudo da seca. Os problemas mudaram?

Os aterros destinavam-se originalmente a expandir o território. Mesmo em Inglaterra foi acrescentado um grande bocado de terra no noroeste, chamado The Fens, 600 mil hectares de terras, conquistados no século XVII por um engenheiro holandês. E o Rei Carlos I – a quem cortaram a cabeça – imaginou todo um novo país, onde teria uma capital com o seu nome. Era uma forma de colonização. A malária foi uma preocupação que veio mais tarde. E foi resolvida em grande parte graças à descoberta do quinino – um avanço médico, não uma mudança ao nível da paisagem. Os aterros destinavam-se sobretudo à agricultura, embora seja interessante que em países como a Itália o Governo podia gastar muito mais dinheiro em aterros quando os apresentava como uma questão de saúde pública. Era mais fácil mobilizar recursos. Mas a malária foi um avanço médico. Posto isto, ainda há imensas partes do mundo onde as inundações, as zonas pantanosas, etc., continuam a ser um problema. Nós, países desenvolvidos, resolvemo-los em grande parte, mas há muitas zonas do mundo que ainda não. Por exemplo, o Sudd, no Sudão. São vastíssimas extensões pantanosas – que têm um enorme valor ecológico, diga-se. A questão é se as economias conseguem encontrar uma forma diferente de desenvolver sem sacrificarem enormemente a biodiversidade, como nós fizemos. E depois temos a seca, que é o outro lado da moeda. O problema tanto das inundações como da seca é se não tivermos as instituições e infraestruturas adequadas para lidar com elas. Nos Países Baixos, têm inundações recorrentes. Antigamente tentavam contê-las com diques, e muitas vezes não resultava. Acabaram por alargar o leito do rio, agora há muito mais espaço para a ecologia funcionar e conseguiram resolver a questão. É uma solução institucional. Não foi preciso cobrar mais impostos, foi outra forma de gerir a paisagem.

Em Portugal temos problemas sérios com a seca. E estamos sempre a rezar para que chova. Mas li há dias que 80% da água da chuva não é aproveitada. O que poderíamos fazer para reduzir o desperdício?

Não me parece que falar em desperdício seja a melhor forma de abordar a questão. Se queremos que haja alguma vida nos nossos rios, precisamos que a água corra. Como a maior parte dos ecossistemas depende dos rios, temos de ter água até ao mar. Todos sabemos que há uma crise de biodiversidade. Nos ecossistemas de água doce, esta crise é tremenda. Enquanto nos oceanos e nas zonas terrestres perdemos cerca de 40% dos animais, nos rios e lagos perdemos 75%. É a mesma taxa de destruição do rinoceronte branco, uma catástrofe. E deve-se sobretudo a não permitirmos que a água corra para o mar. Portanto, a questão não é tanto retê-la para quando precisarmos dela, é termos sistemas que retenham água suficiente para que possamos ultrapassar as variações sem termos problemas – haver água suficiente a que possamos recorrer quando não chove. A suficiência hídrica tem duas componentes. Uma é dispor de reservas grandes o suficiente, de uma infraestrutura com capacidade. Outra é usá-la bem. Ter agricultura muito eficiente. Na minha experiência de quase duas décadas, em todos os países em que trabalhei, o segredo é sempre espremer o máximo de colheitas por gota de água. Consegue-se obter muito mais de uma gota de água do que as pessoas julgam. O que tende a acontecer é que as pessoas têm uma economia rural e uma economia que depende das hidroelétricas. E acham que podem ir ter com um engenheiro hidráulico e pedir-lhe: ‘Por favor arranje isto de maneira a termos água suficiente’. Mas a maneira mais barata de resolver o problema é mudar de estratégia.

Em Portugal a agricultura intensiva é muito mal vista. Mas dizia-me um produtor de azeite que o olival intensivo é muito mais eficiente porque aproveita cada gota de água.

Varia de caso para caso. Nunca teremos um cientista a dar-nos a resposta porque não se trata de uma questão científica. A questão é como usamos a paisagem. O olival é um bom exemplo de uma cultura de alto valor, que pode ter um aproveitamento da água muito eficiente. As oliveiras crescem no Mediterrâneo há seis mil anos, não há nada de errado. A chave é que as sociedades podem evoluir e decidir que querem uma paisagem diferente. Podem dizer: ‘Queremos comprar mais azeite a Espanha ou à Turquia e ter uma paisagem mais florestada’. Vamos assumir que o vosso país decide que precisa de investir em mais florestas em vez de oliveiras, porque absorvem mais carbono. Quem suporta o custo da transição? A questão não é de engenharia ou ciência; são os desejos e as escolhas que cidadãos fazem. Se fosse na China, o Governo chegava e obrigava-o a fazer outra coisa. Mas eu cá preferia viver em Portugal.

Vi há pouco tempo um vídeo no YouTube que mostrava como Israel está a usar a dessalinização para obter água para beber e rega. Este pode ser o futuro ou é uma solução boa para Israel mas pode não ser para outro país?

Usam-na para água municipal. Para rega usam águas residuais tratadas. Se tivermos culturas de alto valor, e usarmos pequenas quantidades de água, por exemplo aeroponia [que a wikipedia define como uma «técnica de cultivo que consiste essencialmente em manterem as plantas suspensas no ar, geralmente apoiadas pelo colo das raízes, e aspergindo-as com uma névoa ou com uma massa de gotículas de solução nutritiva»] – é possível. E Israel é perita nisso, criou toda uma indústria à volta da eficiência hídrica. Mas nunca se vai alimentar o mundo com dessalinização. Não é uma solução de grande escala. Pode ser uma solução para países muito áridos que têm energia. Mas antes de chegarem aí provavelmente quererão fazer o que Israel também faz – e a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos – que é a reciclagem. Um circuito fechado, em que pegamos nas lamas, nas águas residuais, tratamo-las e usamo-las de novo. Se for ao Dubai, eles tomam duche com água reciclada. O mesmo em Singapura.

E pode-se beber?

Sim, depende de como é tratada. Em Singapura até a vendem engarrafada. Chama-se ‘NEWwater’. A água que você e eu bebemos, que vem do rio, houve uma época qualquer em que passou pelo rim de um dinossauro. É sempre a mesma água! [risos] É só uma questão de tempo. O problema é que a água canalizada da rede municipal é muito cara. Pagamos entre um e três euros por metro cúbico – às vezes podemos pagar menos, mas alguém acaba por pagar a diferença, seja o contribuinte, seja o consumidor –, enquanto o custo para tirar a água de um rio e usá-la para rega é de um a dois cêntimos por metro cúbico. A água canalizada é cem vezes mais cara. A dessalinização, porque implica um tratamento complexo, e porque consome muita energia, e tem uma infraestrutura associada – é preciso bombeá-la, etc., etc. – nunca pode custar menos de um, dois, três euros por metro cúbico. É uma solução perfeitamente competitiva para água canalizada em sítios onde há escassez, mas nunca vai ser competitiva para a agricultura.

Sempre que saímos da Europa para África, ou para países como a Índia, temos de ter muito cuidado com o que bebemos e até lavamos os dentes com água engarrafada. Isso significa que abrir a torneira e ter água limpa, potável a correr é um luxo?

Sim. E é trágico. Um milhão de crianças morrem todos os anos por apanharem doenças na água que seriam completamente evitáveis com água limpa e tratada. Quase mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável. Quando se fala de ‘saneamento melhorado’ é porque existe uma fonte na comunidade onde podem ir buscar água para beber. E, se falarmos de água segura, são 2,5 mil, três mil milhões de pessoas que não têm o tipo de experiência que você e eu temos. Mesmo em países como a Índia ou Marrocos, que não são países pobres, são países de rendimento médio, as infraestruturas ainda não são suficientemente dotadas para oferecer o nível de segurança a que você e eu estamos habituados. A maneira mais rápida de resolver o problema é esses países tornarem-se ricos. Foi assim que nós o resolvemos. Muita dessa infraestrutura de que beneficiamos foi garantida pelo Estado. Usámos recursos públicos, numa altura em que os nossos países estavam a crescer muito, muito rapidamente, para construir infraestrutura, e nos anos 50 e 60 atingimos uma grande cobertura da rede de abastecimento da água. Muitos países ainda não chegaram aí. Por isso, é de facto um luxo.

E isso pode mudar a médio prazo?

A tendência é positiva. Se virmos os números do Banco Mundial, da década de 1970 para hoje a situação melhorou muito. Claro que a população cresceu, portanto em termos absolutos continuamos a ter uma quantidade gigantesca de pessoas sem acesso a água, mas a percentagem caiu drasticamente. O país mais bem-sucedido a fazer isso foi a China. Tirou 500 milhões de pessoas da pobreza e ofereceu-lhes serviços condignos. É uma questão de pobreza, não de falta de água. Já quanto à distribuição da água – as secas de um lado, as cheias do outro –, essa é a quinta-essência da questão da água: criar uma economia que não seja vulnerável a esses efeitos. O saneamento e abastecimento de água potável é de facto um problema de pobreza. Resolve-se tirando as pessoas da pobreza. A guerra não ajuda, e temos uma catástrofe alimentar em perspetiva, porque deixámos de ter cereais da Ucrânia e da Rússia. O problema é a uma escala que nunca vimos nas nossas vidas. Vai ser catastrófico. E claro que com isso vem a instabilidade social. As economias vão sofrer, vamos ter muita gente em situação de insegurança alimentar. E, cada vez que se dá um passo atrás no desenvolvimento económico, inevitavelmente uma quantidade de pessoas ficam expostas a doenças provocadas pela má qualidade da água.

Antevê no futuro próximo guerras relacionadas com a falta de água?

A água, por si, nunca é a causa da guerra. Ditadores idiotas, sim, provocam guerras. Disso tenho a certeza. Quanto à água, pode criar condições económicas e sociais perigosas. Entre estados, nunca aconteceu dois países entrarem em guerra por causa da água. O mais próximo disso foi o conflito israelo-árabe, que começou em 1948, e depois continuou na Guerra dos Seis Dias e na Guerra do Yom Kippur, nas décadas de 1960 e 1970. Em certa medida, foi uma guerra pelo controlo do Rio Jordão. Israel, nos anos 50, começou a construir um sistema de transvase chamado Mekorod, que levava água do Mar da Galileia para irrigar grande parte do seu território. Nessa altura, Nasser, o Presidente do Egipto, chamou os jordanos e outros povos, cercaram Israel e tentaram desviar a água para a Síria. Foi aí que se deu a Guerra dos Seis Dias. Se olharmos desse ponto de vista, podemos dizer: foi uma guerra por causa da água. Na verdade foi uma guerra que Israel travou pela sua sobrevivência. A água não provoca as guerras. Mas acho que vai ser um fator de instabilidade em muitos países. De pobreza, de tensão, de instabilidade social. Isso sem dúvida. E a covid certamente não ajudou.

E temos também aumento da população.

Se pensarmos nisto como pressão sobre a hidrologia, o que exigimos aos sistemas hídricos do planeta é causado por um pequeno grupo de pessoas dos países ricos, que consomem enormes quantidades de carne, de cereais, que desperdiçam comida. Não é a demografia, é a riqueza que causa a pressão. Dito isto, nem é preciso renunciar à riqueza. Basta garantir que os países que detêm os recursos hídricos tenham instituições que assegurem valor económico, ao mesmo tempo que respeitam os direitos dos cidadãos.

Pode dar um bom e um mau exemplo de gestão dos recursos hídricos?

Os exemplos só podem ser julgados nos respetivos contextos. Um dos erros que cometemos é tentar aplicar valores modernos a soluções antigas. Tenho a certeza de que daqui a cem anos as pessoas vão criticar asperamente muitas das escolhas que hoje consideramos certas e éticas. Por isso, devemos antes avaliar os casos em função de terem proporcionado segurança hídrica e dado poder de decisão às pessoas, a nível político e económico. Nesse sentido, os esforços da União Soviética para transformar a hidrologia da paisagem da Ásia Central foram um desastre absoluto. Mais ou menos pela mesma altura, a transformação da paisagem holandesa após a década de 1950, com sua sofisticada combinação de infraestrutura construída e ecológica, foi um sucesso assinalável.

Sublinhou várias vezes a importância das políticas estatais. Mas também disse que é um pequeno grupo de pessoas dos países ricos que gasta a maior parte da água. O que podemos nós, como cidadãos, fazer para promover um consumo mais racional? É sustentável, por exemplo, continuarmos a tomar duche todas as manhãs?

Cortar nos duches ou usar menos água quando se escova os dentes são boas ideias, porque é antiético esbanjar. Mas nada disso vai resolver os problemas que enfrentamos. A grande maioria da água é consumida pela agricultura, e é aí que vamos assistir a grandes mudanças. Isto tem que ver com políticas agrícolas e de uso das terras. As pessoas não podem ver-se a si mesmas meramente como consumidores, mas sim como cidadãos e devem exigir aos representantes políticos ideias sobre como tornar a agricultura sustentável.

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