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Cavaco Silva critica Costa e o seu "baixo grau de coragem política" num artigo. PM diz que vai lê-lo "com calma"

Cavaco Silva, num artigo de opinião publicado hoje, definiu o perfil político de António Costa através de uma avaliação sobre os últimos seis anos de governação enquanto chefe de Estado, na qual concluiu que "sobressaiu a aversão a políticas de cariz estrutural".


Depois de o ex-Presidente da República Cavaco Silva criticar o baixo grau de coragem política de António Costa num artigo que escreveu para o jornal Público, o primeiro-ministro disse que vai ler hoje à noite a sua opinião com mais atenção.

"Ainda não li, mas estou curioso e vou ler esta noite com calma", apontou Costa após a sua participação numa sessão de homenagem ao ex-presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos Rui Vilar, na Cultugest, em Lisboa, esta segunda-feira.

Cavaco Silva, num artigo de opinião publicado hoje, definiu o perfil político de António Costa através de uma avaliação sobre os últimos seis anos de governação enquanto chefe de Estado, na qual concluiu que "sobressaiu a aversão a políticas de cariz estrutural".

Interrogado pelos jornalistas sobre a posição do ex-Presidente da República, Costa preferiu não as comentar por enquanto, justificando-se com facto de não ter lido o artigo de opinião.

"Então não havia de ler o texto de um político com a experiência longa do professor Cavaco Silva. Claro que se tem de ler com atenção", afirmou Costa, depois de ser questionado sobre se iria lê-lo.

Cavaco Silva escolheu, no seu artigo, as áreas da administração pública, sistema fiscal, justiça e mercado de trabalho como as principais em que o Governo tem poder para tomar medidas com forte impacto positivo no crescimento da economia, pelo que irá exigir maior esforço dos ministros, cujos perfis ainda são “desconhecidos”, exceto do ministro das Finanças, Fernando Medina, a quem considera ter "um grau médio de coragem política".

Para Cavaco Silva, o programa do Governo apresentado à Assembleia da República "não se detetam sinais de um ímpeto reformista nas áreas em questão, com a exceção da Administração Pública".

Além disso, reforça que "o facto de o Governo dispor de apoio maioritário no parlamento faz com que a atuação do primeiro-ministro no passado e o próprio conteúdo do programa sejam indicadores da avaliação do grau de coragem política de relevância limitada".

"Com efeito, na prática, o Governo, confrontado com o empobrecimento relativo do país, pode ir além das medidas constantes do programa aprovado pelo parlamento e o primeiro-ministro pode adotar um perfil mais favorável ao crescimento económico", considerou.

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