Sociedade

Alexandra Borges de volta com jornalismo de investigação

O GriDigital arranca já no dia 19 de abril, onde vão ser divulgados conteúdos exclusivos com a marca da jornalista.

Alexandra Borges de volta com jornalismo de investigação

Alexandra Borges regressa com um novo projeto de jornalismo de investigação que promete dar que falar. Trata-se do GriDigital – Grande Reportagem e Investigação – do grupo Global Media, uma plataforma digital de vídeo, adaptada a desktop e mobile, que arranca no próximo dia 19 de abril, onde vão ser divulgados conteúdos exclusivos com a marca da jornalista.

Conhecida por encarar o jornalismo como missão e que diz que “as pessoas não são descartáveis”, a jornalista procura ajudar os seus entrevistados através das suas reportagens. Defensora dos direitos humanos, usou a sua notoriedade em campanhas contra a violência doméstica, para alterar a lei da Procriação Medicamente Assistida, e na luta contra a escravatura infantil no Gana. Acredita que o bom jornalismo de investigação é um importante pilar do Estado de Direito e que pode ajudar a mudar o mundo.

As suas investigações já levaram à abertura de vários inquéritos crime, à prisão e condenação de pessoas e até à mudança de leis em Portugal. Um desses casos é a reportagem “A saúde tem um preço?”, emitida na TVI, em 2015, onde denunciou a morte de doentes de hepatite C por não terem acesso a um medicamento que custava milhares de euros e que os podia curar. Dias depois da emissão da reportagem, o Ministro da Saúde, na altura, liderado por Paulo Macedo, assinou um protocolo com o laboratório farmacêutico Gilead, que permitiu salvar milhares de vidas e que colocou Portugal no mapa como exemplo mundial na erradicação desta doença.

No mesmo ano, a reportagem de investigação, assinada pela jornalista, “O negócio do plasma” denunciou um perigoso esquema de corrupção, envolvendo médicos, farmacêuticos e o CEO de um laboratório suíço (Octhapharma), que conduziu ao gasto de milhões de euros do erário público na compra de plasma importado, enquanto se desperdiçava o plasma de dadores portugueses. Após a reportagem, o Ministério Público abriu um inquérito-crime que culminou com a acusação por corrupção, abuso de poder e branqueamento de capitais de médicos, uma farmacêutica, um advogado, técnicos dos concursos públicos e o mais alto responsável do laboratório Octapharma em Portugal. Atualmente, o Ministério da Saúde obriga os hospitais públicos a fracionarem o plasma dos dadores portugueses, o que se traduziu na poupança de milhões de euros para o país.

Dois anos depois, a TVI emite a primeira série informativa sobre um esquema ilegal de adoções por parte de bispos e da família do líder máximo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A série “Segredo dos Deuses” levou à abertura de um inquérito-crime que acabou arquivado por prescrição, uma vez que os crimes terão acontecido há mais de 20 anos.

Na altura, a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República discutiu uma petição popular com mais de oito mil assinaturas e várias instituições, como a Segurança Social, a Santa Casa da Misericórdia e o próprio Conselho Superior da Magistratura, decidiram avançar com investigações internas cujos relatórios nunca foram tornados públicos.

A Procuradora-Geral da República à época, Joana Marques Vidal, foi envolvida no caso. À data, a procuradora coordenadora do Ministério Público no Tribunal de Família e Menores de Lisboa, terá recebido uma denúncia de maus tratos das crianças que foram abusivamente separadas e distribuídas a bispos da IURD, mas não terá avançado com nenhuma investigação. Até hoje, estas adoções irregulares e baseadas em documentação difamatória das mães continuam secretas.

A série informativa da TVI continua a ser notícia na imprensa internacional e foi distinguida como a melhor Reportagem/Documentário nos Troféus Impala de Televisão (edição 2018) em Portugal. No ano seguinte, Alexandra Borges venceu o prémio de Melhor Jornalista/Repórter na mesma cerimónia.

Nos últimos três anos na TVI (2018-2021), assumiu um programa de grande reportagem e jornalismo de investigação em horário nobre – Alexandra Borges – que bateu todos os recordes de audiência deste canal televisivo, ultrapassando sempre a difícil marca de um milhão de espetadores. O programa debateu temas importantes da sociedade portuguesa e as reportagens emitidas chegaram a provocar alterações legislativas em Portugal.

Em 2020 com a emissão da reportagem Amor sem Fim que denunciou a luta de Ângela Ferreira para ser inseminada com o esperma do seu marido já falecido. Após a emissão da reportagem, milhares de espetadores assinaram uma petição exigindo uma alteração legal que permitisse a inseminação post-mortem. Resultado: a Assembleia da República discutiu o assunto pela primeira vez, culminando com a alteração da Lei da Procriação Medicamente Assistida, através do Decreto n.º 188/XIV, que só foi promulgado pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa em 2021.

O Presidente da República foi uma das personalidades que apoiou uma campanha em defesa do jornalismo de investigação que precede o regresso da conhecida jornalista. A campanha já está na rua e conta ainda com outros nomes incontornáveis da sociedade portuguesa de vários quadrantes, como o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o almirante Gouveia e Melo, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, a investigadora e agora Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, o advogado Garcia Pereira, o humorista Nilton, o piloto de MotoGP Miguel Oliveira, a atriz Simone de Oliveira e o cantor Tony Carreira.

Estas personalidades são unânimes em concordar que Portugal precisa de solidificar e defender o jornalismo de investigação como o importante pilar que é da Democracia e do Estado de Direito. Foi nesse sentido que aceitaram o desafio de se juntar nesta campanha de media – nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais – que salienta a importância do jornalismo investigativo no combate à corrupção, ao abuso do poder e à denúncia da violação dos direitos dos cidadãos.

Afastada dos ecrãs há quase um ano, a premiada jornalista regressa agora como diretora do GriDigital, um inovador órgão de comunicação social especializado em jornalismo de investigação e grande reportagem que promete dar que falar.

 

Perfil

Alexandra Borges tem 53 anos e mais de 32 de carreira. Formada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, começou como produtora da TVE, cresceu como jornalista no telejornal da RTP e passou pela CNN, em Atlanta (EUA), e pela TV Globo (Brasil) como jornalista convidada. Nos últimos vinte anos, esteve na TVI, onde fez a cobertura jornalística dos principais conflitos mundiais, como a guerra da Bósnia (RTP) e do Afeganistão, e foi das primeiras jornalistas portuguesas a chegar a Nova Iorque após o atentado do 11 de setembro.

No início do ano 2000, integrou a equipa do projeto de informação Repórter TVI, onde assinou várias grandes reportagens distinguidas com prémios nacionais e internacionais, como o “Prémio Amade” do Festival de Televisão de Monte Carlo, no Mónaco.

Em 2009, chegou a estar nomeada para o grande Prémio de Jornalismo da Fundação do Nobel da Literatura Gabriel García Márquez, que distingue as melhores reportagens de investigação a nível mundial.

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