Economia

País quase lotado na Páscoa

De norte a sul do país, o turismo conta com motivos para sorrir no fim de semana de Páscoa. Muitas unidades hoteleiras estão esgotadas ou quase cheias e as taxas de ocupação aproximam-se de 2019.


Páscoa é sinónimo de fim de semana prolongado, em que muitos portugueses aproveitam não só para rumar às suas origens como também para aproveitar o fim de semana em família em alojamentos turísticos fora da sua zona de residência. E se durante a semana Santa o tempo não será muito agradável, ao que tudo indica, a partir de sexta-feira o tempo será quente, com temperaturas até acima do normal para a época.

Assim, este ano o turismo não se pode queixar, depois de dois anos em que a Páscoa não deu motivos para sorrir.

Ao Nascer do SOL, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) mostra-se expectante para esta data. «Em geral, e segundo os dados que a CTP tem tido acesso, o período da Páscoa prevê-se ser positivo para a atividade turística e será sem dúvida o melhor período de férias de Páscoa desde 2019, ainda que longe dos números do último ano antes da pandemia e que foi o melhor ano de sempre do Turismo em Portugal», diz o presidente Francisco Calheiros. E acrescenta: «Mesmo assim, esta Páscoa marca já o primeiro passo da retoma, com ocupações hoteleiras em média acima dos 60%,  sendo que há várias unidades da hotelaria com ocupações acima dos 80%».

 

Algarve com bons números

A sul do país, num fim de semana em que o sol vai brilhar, os números são animadores. Assim mostram as perspetivas da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turisticos do Algarve (AHETA). O nível de reservas para a Páscoa é de 63%, «sensivelmente o mesmo valor que o verificado em 2019», diz a associação, acrescentando que a estadia média prevista é de 3,9 noites.

E sublinha: «Regista-se um aumento no número de cancelamentos face a 2019 (provavelmente devido à mudança do mix na origem das reservas: mais clientes diretos, menos operadores tradicionais, mais plataformas de reservas sem penalização de cancelamento)».

A AHETA avança ainda que, neste momento, cerca de 50% das reservas são de portugueses, seguidas pelas reservas do Reino Unido e da Espanha, detalhando ainda não haver registo do impacto da inflação no aumento dos preços no alojamento nem em quebra de reservas.

E finaliza que, em média, há uma expetativa de um aumento nas ocupações de 3% face ao verão de 2019.

Com base nestes dados, o presidente do Turismo do Algarve, João Fernandes, adianta ao Nascer do SOL que a região «prevê uma afluência muito semelhante aquela que tão bem conhecíamos no período pré-pandemia». E detalha: «O nível de reservas para o período da Páscoa é sensivelmente o mesmo que o verificado em 2019. Estamos a falar de taxas de médias de ocupação na ordem dos 65%, com várias unidades a registarem mesmo valores superiores a 90% no fim-de-semana de 15 a 17 de abril, e estada média a rondar os quatro dias, com os mercados nacional, espanhol e britânico a dominarem grande parte da procura», assinalando também as reservas diretas «como sinal de fidelização dos clientes às unidades de alojamento da região, e a elevada procura de golfistas para o período de março a maio».

João Fernandes não tem dúvidas que a Páscoa «sempre foi um período de elevada ocupação no Algarve, na medida em que as condições climatéricas excecionais da região e a beleza da diversidade paisagística são perfeitas para aproveitar o fim de semana prolongado que aí se avizinha».

E lembra as mais de duas centenas de acontecimentos que se realizam na região no mês de abril, desde o Grande Prémio de Portugal de MotoGP, ao Festival de Caminhadas do Ameixial ou a Festa das Tochas Floridas.

 

Páscoa ‘seguramente melhor’ em Lisboa e no Centro

Em Lisboa, uma coisa é certa: os níveis de 2019 ainda não vão ser atingidos. Mas as notícias são boas e «tudo indica que a Páscoa deste ano será seguramente melhor do que os dois últimos anos, períodos pautados pelo confinamento ou por grandes restrições de viagens devido à pandemia», começa por dizer ao Nascer do SOL Vitor Costa, diretor-geral da Associação Turismo de Lisboa e presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa.  «São os turistas espanhóis que mais visitam Lisboa nesta altura festiva, e dado o menor nível de restrições às viagens existente, provavelmente esse será continuará a ser o mercado mais forte na Páscoa», finaliza.

Um pouco mais acima, no Centro do país, o fim de semana de Páscoa também é motivo para sorrir. «As perspetivas são muito positivas e animadoras para o setor do turismo», começa por dizer ao nosso jornal Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, que acrescenta que «a uma semana da Páscoa, os empresários da atividade turística com quem mantemos um contacto direto assinalam uma procura como há muito não se via», acrescenta. E detalha que, em média, os empreendimentos turísticos da região estão com reservas de quase 60% para o dia 15 e de cerca de 50% para o dia 16.

«Cerca de um quarto dos empreendimentos que contactámos referem que têm pelo menos um dia esgotado ou com reservas garantidas acima dos 90%», diz ainda Pedro Machado. Os destaques vão para Aveiro, Tomar e em especial Fátima, onde «há diversas unidades hoteleiras com lotação esgotada para o fim de semana».

Numa análise por sub-regiões, destacam-se a Região de Aveiro, o Médio Tejo e a Beira Baixa, com reservas na ordem dos 70 por cento. «Estes dados são um excelente indicador de que a região Centro de Portugal é um destino em linha com as novas tendências de procura, que privilegiam a natureza, o ecoturismo, o turismo ativo, a cultura ou a gastronomia. O período pós-pandemia é uma oportunidade para estes territórios», defende ainda o responsável, que não tem dúvidas de que esta Páscoa será «claramente melhor do que a Páscoa anterior», uma vez que já quase não existem receios provocados pela pandemia. «O restauro da confiança dos consumidores é já uma evidência e deixa antever não só uma Páscoa positiva como um verão de recuperação da atividade turística», perspetiva.

 

Números iguais aos de 2019 no Alentejo

No Alentejo a situação não é muito diferente do restante país e a ocupação para o próximo fim de semana «está muito boa», garante ao Nascer do SOL Vítor Silva, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo. «A taxa de ocupação é variável mas está uma Páscoa igual ao que tínhamos em 2019», começa por dizer. «É evidente que, agora, com mais portugueses e menos estrangeiros do que teríamos em 2019», uma vez que o «turismo externo ainda está a arrancar lentamente e a situação da Ucrânia não está a ajudar».

Mas, para a Páscoa, a tendência é que quem visita o Alentejo faça o check in na quinta-feira e o check out no domingo, com preferência para o turismo rural e a zona litoral, que são as zonas com mais procura.

 

Porto e Norte entre os 80% e os 85%

Para o presidente do Turismo Porto e Norte, «as perspetivas são bastante otimistas». Luís Pedro Martins acrescenta ao Nascer do SOL que as reservas estão já em toda a região entre 80% a 85% «e esperamos que ainda possam subir com as marcações de última hora». O responsável anota ainda que as maiores cidades Norte «estão a recuperar significativamente as dormidas e taxas de ocupação, próximos de valores de 2019, sendo que os territórios de baixa densidade na Região, continuam com uma excelente dinâmica na procura».

Este ano, garante, «será bastante melhor» que o anterior. «Em 2021 ainda estávamos com muitas restrições nas viagens devido à pandemia. Este ano, com o fim de muitas restrições, teremos uma época Pascal próxima de 2019».

 

O impacto da guerra

O Nascer do SOL tentou ainda perceber junto dos responsáveis nacionais do turismo qual o impacto da invasão russa na Ucrânia no setor do turismo português. «Até ao momento, e embora a guerra tenha provocado o aumento generalizado do preço dos combustíveis, não temos indicação de que, por esse motivo, existam quebras nas reservas a curto prazo», defende Vítor Costa, acrescentando que, «mantendo-se uma situação semelhante à atual, cremos que o Verão será bastante positivo, em comparação os últimos dois anos, a aproximar-se bastante dos níveis pré-pandemia».

A sul, no Algarve, João Fernandes diz que a guerra tem efeitos no setor cujos efeitos não são possíveis de estimar para já. «Como é difícil antecipar o alcance da subida dos preços dos combustíveis na operação aérea e o impacto da inflação nos preços da oferta turística». Ainda assim, «estamos confiantes e nada aponta para que possa haver uma quebra de reservas na região na Páscoa, antes pelo contrário, podemos observar o crescimento das reservas pré-pagas, traduzindo-se este como um sinal de confiança no destino», referiu.

No Alentejo, Vítor Silva diz que os efeitos da guerra já começam a notar-se e isso traduz-se essencialmente nas viagens, devido ao aumento do preço nos combustíveis. «Inevitavelmente, vão aumentar os preços das viagens de avião, porque os preços dos combustíveis também se refletem nos preços para quem viaja», diz. E deixa exemplos: «Os espanhóis vêm muito de carro e vão pagar mais combustível» (alertando que o rent a car pode também aumentar).

Ainda assim, os impactos mais fortes vão «sentir-se mais tarde».

O presidente do Turismo do Alentejo lembra o aumento da inflação e dos preços dos alimentos que também trarão consequências. «O aumento dos preços tem reflexos no custo das refeições e nos preços que os empresários do setor têm que praticar. As pessoas fazem contas e talvez se desloquem menos», lamenta.

Outro fator que destaca é o mercado externo, lembrando que os brasileiros e os alemães são muito importantes para a região. E aqui entra o fator psicológico, que, defende, é «muito importante». «O turismo vive da segurança. Na Europa as pessoas vão viajar menos por isso. O alemão é sensível e pode viajar menos. E os mercados brasileiros e americano ouvem dizer ‘há guerra na Europa’, não veem como nós que dizemos ‘há guerra na Ucrânia’», fator que pode evitar as deslocações.

«Afeta sempre», começa por dizer Pedro Machado, lembrando também a importância da segurança para quem viaja. «Mas a verdade é que a guerra, embora seja na Europa, está suficientemente distante para que Portugal possa ser visto como uma alternativa segura de férias e viagens». Por outro lado, o presidente do Turismo do Centro diz que «provoca um impacto económico que ainda não conseguimos avaliar», mas que não será significativo nesta altura de Páscoa. «A guerra é uma tragédia e ninguém sabe quanto tempo vai durar nem os efeitos económicos e sociais que irá causar. Esperamos todos que o bom-senso ainda possa prevalecer», defende.

Por fim, no norte de Portugal, também Luís Pedro Martins defende que o conflito afeta o turismo, «visto que os mercados de Leste neste momento estão bastante retraídos».

Lembrando a incerteza económica e o aumento generalizado dos preços, o responsável diz que estes fatores constituem «uma grande ameaça ao setor».

Ainda assim, «a nossa localização geográfica e visto que a perceção de segurança de Portugal é bastante elevada, poderemos retirar vantagens em relação a outros destinos concorrentes». No entanto, o Turismo Porto e Norte mostra-se preocupado com os mercados polaco e eventualmente o alemão, dada a proximidade do conflito.

E finaliza: «O mercado russo era insignificante no Porto e Norte. As perdas poderão estar a ser compensadas com o enorme crescimento que estamos a verificar no mercado do Reino Unido».

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