Opiniao

O ensino e a indústria da moda portuguesa

A indústria têxtil portuguesa demonstra grande capacidade de se adaptar às novas realidades, quer no que respeita ao tema da sustentabilidade quer às novas tecnologias. Porém, esta ainda não é uma realidade generalizada, pois implica grandes investimentos quer na formação de trabalhadores, quer na aquisição de equipamentos que permitam acompanhar a evolução das tecnologias e dos meios digitais.

O ensino e a indústria da moda portuguesa

Por Alexandra Cruchinho, Diretora da Licenciatura de Design e Produção de Moda 

A indústria têxtil e do vestuário (ITV) portuguesa está em franca expansão e com o reconhecimento no mercado internacional, esse é um facto ao qual não nos podemos abstrair. Se, por um lado, reconhecemos um aumento das exportações de artigos têxtil-lar e de vestuário em malha, por outro lado, notamos ainda, alguma timidez na recuperação do período pandémico, no que respeito ao crescimento da exportação de produtos de vestuário em tecido, de acordo com dados da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP). De alguma forma, também a realidade competitiva do mercado internacional se alterou e exigiu, face a este contexto, a uma maior abordagem por meios digitais para que se consiga estabelecer uma comunicação mais eficaz para o mundo.

A indústria têxtil portuguesa demonstra grande capacidade de se adaptar às novas realidades, quer no que respeita ao tema da sustentabilidade quer às novas tecnologias. Porém, esta ainda não é uma realidade generalizada, pois implica grandes investimentos quer na formação de trabalhadores, quer na aquisição de equipamentos que permitam acompanhar a evolução das tecnologias e dos meios digitais.

As Instituições de Ensino Superior (IES), podem ter uma grande responsabilidade na alteração desta realidade ao revelarem-se facilitadores de conhecimentos e aprendizagens numa ligação muito próxima com a ITV.

Maior é a responsabilidade quando se trata de analisar a formação que se está a proporcionar aos estudantes, futuros diplomados, que irão integrar o mercado de trabalho muito em breve e que deverão revelar-se importantes elementos para a mudança deste cenário assumindo-se como diferenciadores pela formação que detêm.

A realização de protocolos com a indústria não é suficiente, para que se tenha clara noção das necessidades da ITV ao nível das competências que estes futuros profissionais devem deter para protagonizar a mudança nesta era digital. Muitas vezes, estes protocolos são apenas documentos que permitem revelar números nas ligações ao meio empresarial, mas não revelam frutos na relação estabelecida. As IES têm de estar no meio da ITV, proporcionar experiências diversificadas e constantes com os estudantes, experiências que podem passar pela realização de projetos, realmente em conjunto, por aulas, enfim, pela abertura total da academia à indústria e vice-versa. 

O grande desafio para as IES, passa por procurar perceber como é que os planos de estudos, os conteúdos abordados ao longo da formação proporcionada aos estudantes, se revela atual e dá resposta a novas realidades. Os futuros diplomados, além de competências técnicas e processuais na área da Moda, têm de reunir outras competências muito ligadas a processos de comunicação digitais, a comunicação de marca, ao domínio de tecnologias que permitam aumentar a capacidade da ITV munindo-se de meios para comunicar digitalmente os seus produtos no mercado internacional.

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