Sociedade

Alexandra Borges: "Este é um projeto de informação cujo único compromisso é com a verdade"

Alexandra Borges está afastada dos ecrãs há quase um ano depois de deixar a TVI. Regressa dia 19 de abril, com um novo projeto digital vídeo de jornalismo de investigação no grupo Global Media. O GRi – Grande Reportagem e Investigação – promete marcar a atualidade nacional.


O que andou a fazer nestes 11 meses, depois de ter decidido deixar a TVI?

Era altura de fazer um balanço de vida em todas as suas vertentes. Pessoalmente, estava na fase mais feliz da minha vida. Profissionalmente, estava comodamente instalada numa zona de conforto que podia tornar-se perigosa para quem gosta de novos desafios, de evoluir e de estar em constante aprendizagem. Na verdade, quem estava de fora dizia que não me faltava nada, mas eu queria continuar a desenvolver as minhas capacidades, por exemplo, no jornalismo digital que é o futuro. Tenho 32 anos de jornalismo, passei por dois canais nacionais (RTP e TVI) e três estrangeiros (TVE, CNN e TVGlobo). Já tinha feito as reportagens que queria fazer. Tinha ganhado todos os prémios, nacionais e internacionais, a que me propus. Tinha um programa de assinatura, e o meu trabalho era reconhecido pelo público. Não preciso de provar mais nada a ninguém, mas ansiava por um novo desafio que chegou pela mão da administração do grupo Global Media.

A entrada nesse novo grupo de media não foi pacífica. Como foi a sua adaptação?

Muito tranquila, a trabalhar sempre focada naquilo que é verdadeiramente importante. Não tenho por hábito perder tempo com questões estéreis. Não podemos agradar a todos e eu costumo dizer que tenho mau feitio, mas bom caracter. Aliás, é o caracter que nos distingue enquanto seres humanos. Sempre detestei os “pequenos poderes” e a defesa egoísta de coutadas que apenas fragilizam qualquer grupo de media, principalmente um tão versátil e transversal como este. A minha palavra-chave é sinergia, mas sei que há gente a quem este termo causa alguma urticária. Em abono da verdade, fui muito bem recebida por todos aqueles com quem lidei e foram várias as pessoas que me ajudaram nesta adaptação. Hoje, sinto-me em casa.

O que é o GRI – Grande Reportagem e Investigação?

O GRiDigital – Grande Reportagem e Investigação é um novo órgão de comunicação social e uma nova marca no universo Global Media. Este é um projeto de informação cujo único compromisso é com a verdade. Defendemos um jornalismo de investigação forte, seguro, imparcial, isento, inovador, irreverente e, sobretudo, livre de qualquer tipo de pressões e de jogos de poder. Investigaremos tudo e todos. Acreditamos num jornalismo ao serviço das pessoas enquanto pilar da Democracia e do Estado de Direito. Sabemos, antes de começar, que teremos de lutar para defender o jornalismo de investigação que, como alguém já disse, é publicar aquilo que alguém não quer que se publique – o resto é publicidade ou propaganda promovida pelas agências de comunicação.

Trata-se de uma nova aposta no digital em formato sobretudo de vídeo?

O GRi já está em countdown no endereço  www.gridigital.pt e vai arrancar com a primeira reportagem de investigação a 19 de abril, logo às 8 da manhã, para acordar Portugal para uma grande injustiça no mundo da (in)justiça que tem consequências graves nas nossas vidas e no país. Eu acredito que algo vai ter que mudar quando apontarmos o dedo aos responsáveis. O GRi é uma plataforma digital de jornalismo de investigação em formato vídeo que quer fazer a diferença. Trata-se de uma plataforma completamente inovadora, adaptada a desktop e telemóveis, para que as pessoas possam ver estas reportagens exclusivas quando e sempre que quiserem. Agora, todos temos uma televisão no bolso que podemos ver nos transportes públicos ou numa repartição de finanças, enquanto esperamos pela nossa vez. Esta plataforma vai permitir ligar todas as marcas do grupo e vai estar sempre atualizada com as principais notícias do dia, através do bom jornalismo que se faz nas outras marcas da Global Media. Mas há mais – nesta plataforma digital, o público poderá aceder aos bastidores das reportagens, interagir connosco, denunciar situações e até encontrar dicas simples, mas importantes, a que chamámos “Alertas”, para gerir melhor os seus processos com a justiça, com as finanças, na saúde, na educação e até nos tempos de lazer.

Vai apostar exclusivamente no vídeo ou aproveitar também a imprensa e rádio do grupo?

Tenho o maior respeito pelas marcas deste grupo. Tem uma rádio de referência no mundo do jornalismo (TSF), títulos históricos e muito valiosos como o Diário de Notícias, outros com grande implantação no Norte (Jornal de Notícias) e até tem imprensa especializada (Dinheiro Vivo, O Jogo, etc.). A meu ver, o segredo do sucesso, como já mencionei, reside numa sinergia eficaz no Global Media Group. O GRi – Grande Reportagem e Investigação procurará sempre acompanhar e potenciar as notícias de atualidade destes órgãos de comunicação social e acredito que, sempre e quando os respetivos diretores entenderem, estes irão divulgar e promover os conteúdos exclusivos do GRi. Como é do conhecimento de todos e infelizmente, as redações de hoje em dia estão cada vez mais pequenas e, portanto, para conseguirem responder às notícias da atualidade, que é uma tarefa trabalhosa em si, a grande reportagem e a investigação acabam por ficar de lado muitas vezes – não por falta de capacidade, vontade ou preguiça, mas pela escassez tanto de tempo como de recursos. Há reconhecidos jornalistas de investigação que fazem um grande trabalho nas marcas do grupo e com quem contamos, o que o GRi vai trazer é mais investigação e noticias exclusivas para a Global Media.

A equipa do GRi é constituída por quantas pessoas?

A equipa é pequena, mas unida, competente e multifacetada. Na redação, somos apenas cinco elementos: eu, a Sónia Pinto, uma produtora executiva que veio comigo da TVI e com que trabalho há anos, e três jornalistas estagiárias – a Rita Sousa e Silva, a Sofia de Almeida e a Diana Gomes – escolhidas a dedo entre centenas de jovens licenciados que eu própria entrevistei. São miúdas versáteis, curiosas, inteligentes e têm o perfil que considero necessário para trabalhar comigo na investigação.

Onde e quando é que as pessoas vão poder visualizar as reportagens exclusivas?

Inicialmente, o nosso projeto jornalístico vai ter uma periodicidade mensal, mas podemos ter sempre pequenas noticias exclusivas, pontuais e sempre que se justificar, articuladas até com as outras marcas do grupo. A primeira reportagem de investigação será lançada, por episódios, já a partir da próxima terça-feira, no dia 19 de abril. Todos os trabalhos jornalísticos estarão disponíveis na plataforma digital GRiDigital, em www.gridigital.pt, para que as pessoas possam assistir quando e onde quiserem. Para além das reportagens, ainda poderão visualizar uma variedade de conteúdos exclusivos, como vídeos de bastidores, promoções, teasers das reportagens, fóruns de esclarecimento sobre cada tema, artigos de opinião, as notícias mais atuais e aquilo a que nós chamamos “Alertas”, que são essencialmente conselhos práticos que têm como objetivo ajudar os cidadãos a resolver os seus problemas.

Quais são os principais temas que estão na agenda do GriDigital?

Como já referi, investigaremos tudo e todos, por isso, não excluímos nenhuma temática. No entanto, uma grande motivação é claramente a denúncia de esquemas, de jogos de poder e da corrupção que infelizmente marcam a realidade de Portugal. Acima de tudo, defendemos um jornalismo ao serviço do país e das pessoas e, desta forma, o nosso principal objetivo passará sempre por dar voz a quem não a tem ou que está refém de silêncios ensurdecedores. Acredito firmemente que o jornalismo não pode ser um mero emprego ou uma simples profissão. A meu ver, devemos encará-lo como uma missão – é demasiado importante para que assim não seja. A missão do jornalismo de investigação é, sem dúvida, ser um pilar da Democracia e do Estado de Direito.

O digital é um formato novo para si?

Sim, esse é o grande desafio. Aprender algo é sempre uma maisvalia, principalmente com 32 anos de jornalismo e muitos de idade (ri). Também, por isso, escolhi uma equipa de jovens licenciados com fibra. O digital permite-nos chegar a outras faixas etárias e consciencializar a camada jovem para exigir mais e melhor deste país. Por outro lado, este formato não tem fronteiras e temos estado a ser muito bem recebidos, por exemplo, no Brasil.

O jornalismo de investigação serve para reforçar a democracia?

Sem dúvida. Uma Democracia sólida, madura e eficaz que nos beneficia a todos enquanto sociedade tem que ser suportada por um jornalismo de investigação forte e livre. Quem se opõe a que isto aconteça só o faz porque se sente ameaçado pela verdade. Como diz o povo, “quem não, deve não teme”. Aceitei esta oportunidade porque, para além de ser um desafio entusiasmante, acredito que a investigação jornalística é essencial para o funcionamento de uma Democracia saudável. Acredito eu e a administração deste grupo de media que me deu este voto de confiança e toda a liberdade para gerir as minhas investigações. Se um dia assim não for, da mesma forma que entrei, saio porque o único compromisso que tenho é com a verdade e com o público que confia no meu trabalho.

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