Opiniao

O futuro será sempre dos mais rápidos (e ousados)!

‘Ousar lutar, ousar vencer’ é uma velha máxima da esquerda e Costa bem poderia segui-la, lembrando-se ao mesmo tempo uma afirmação de Nikesh Arora (Palo Alto Networks), igualmente aplicável na política: «A competição no futuro não será disputada entre grandes e pequenos, mas entre rápidos e lentos». Eu acrescentaria: dos mais ousados, também!

O futuro será sempre dos mais rápidos (e ousados)!

1.Cavaco Silva quebrou o silêncio e escreveu, com estrondo, aquilo que muitos têm dito, em surdina (ou sem repercussão), sobre António Costa – não é pessoa para fazer as reformas urgentes e absolutamente necessárias, sejam elas na Justiça, na Administração Pública, na Fiscalidade ou no Trabalho. Salientando que Portugal continua a perder posições na Europa no que se refere aos rankings do PIB per capita, não vislumbra, com o perfil do Primeiro-ministro, a coragem necessária a este Governo para quebrar com o atual círculo vicioso, apesar dos milhares de milhões de euros que têm entrado (e irão continuar a entrar) provindos de uma até agora generosa União Europeia.

Discutiu-se há dias o Programa de Governo para 2022 e, infelizmente, temos de dar razão a Cavaco Silva. De todos os discursos parlamentares sobra a convicção de que o caminho de empobrecimento generalizado trilhado nos últimos anos irá continuar. Não se ouviu um rasgo a trilhar novos horizontes, para além de uns discursos sempre inflamados e sonhadores do ministro António Costa Silva, querendo impressionar tudo e todos com perspetivas fantásticas para Sines e para a Economia nacional, mas logo ‘borrando a pintura’ com o anúncio de novo imposto sobre lucros extraordinários, implicitamente afugentando investidores internacionais que já ficaram a saber a partitura esquerdista deste Ministério.

Um Governo de maioria absoluta é uma oportunidade fantástica para, dentro da matriz social do Governo, virar Portugal para um futuro diferente. Costa poderia ficar na história por ter colocado Portugal a crescer, a recuperar posições perdidas pela gestão sucessiva de governos (em particular de Sócrates) que nos conduziram à bancarrota de 2011. Temos a sorte de um PRR que será um filão de dinheiro que, a par da modernização administrativa do Estado, poderia lançar as bases para um Portugal mais eficiente, incentivando a economia privada como verdadeiro motor do investimento.

Mas, realmente, temo bem que qualquer ousadia que a maioria do Parlamento apoiaria, seja apoucada por ideologias ultrapassadas, por anátemas colados de esquerda ou direita consoante a matriz da ousadia e quaisquer ideias de verdadeira reforma na Justiça, na Administração Pública, na Fiscalidade ou no Trabalho não saiam do papel. Nos entretantos, a oposição atordoada vem falar de reposição da austeridade em vez de criticar primordialmente a inexistência de visões reformistas e de crescimento do Governo, deixando a liderança da oposição a Cavaco Silva…

Resta falar um pouco do ambiente internacional que nos rodeia: os partidos e regimes que na direita política mais combatem (por dentro) a União Europeia são aqueles que Putin mais tem apoiado, sempre dentro da velha máxima que os extremos se tocam. Depois de Orban ser reeleito por larga margem na Hungria vencendo categoricamente a oposição toda unida, temos agora as eleições francesas com Marine Le Pen a disputar ‘taco a taco’ com Macron a Presidência. Ou seja, o trabalho de ‘formiguinha’ de Putin pode começar a surtir efeitos, capitalizando descontentamentos e contribuindo para implodir a União Europeia.

Tempos difíceis se perspetivam para a economia internacional, pressionada por uma guerra incompreensível para o Ocidente, incapaz de ter vislumbrado a tempo o expansionismo russo, apesar da Crimeia (2014), Ossétia do Sul e Abecásia (2008). A realidade é que as dependências económicas da Rússia, habilidosamente urdidas durante anos por Putin, constituem graves entraves à Europa e é com estes cenários de arrefecimento económico internacional com que a débil economia de Portugal se confronta, agravados por uma inflação persistente, geradora de tensões sociais. Tempos difíceis se avizinham e técnicas (ou táticas) de adiar o enfrentar de problemas e de não fazermos os trabalhos de casa preconizados por Cavaco Silva, entre tantos doutrinários, só irá contribuir para os agravar.

‘Ousar lutar, ousar vencer’ é uma velha máxima da esquerda e Costa bem poderia segui-la, lembrando-se ao mesmo tempo uma afirmação de Nikesh Arora (Palo Alto Networks), igualmente aplicável na política: «A competição no futuro não será disputada entre grandes e pequenos, mas entre rápidos e lentos». Eu acrescentaria: dos mais ousados, também!

2.A TAP apresentou um (terrível) prejuízo de Eur 1.599,1 milhões, incluindo custos não recorrentes de Eur 1.024,9 milhões, que englobam o encerramento das operações no Brasil. No entanto, se fizermos uma análise ‘mais fina’ aos resultados constatamos notícias aparentemente positivas como o EBITDA (anual) ter sido positivo em Eur 11,7 milhões, por efeito de um EBITDA de Eur 176,4 milhões, no 2.º semestre de 2021, embora não nos possamos esquecer que, por influência da IFRS 16, os custos das rendas de leasing de aviões vêm todas abaixo desta linha e estarão perto dos Eur 500 milhões (cerca de Eur 200 milhões acima de 2020, seja pelo efeito da desvalorização cambial, novos aviões e/ou outra razão).

O movimento de passageiros (5,8 milhões) cresceu 25% face a 2020, mas a carga dos aviões – 63%, face a 80% em 2019, indicia menor eficiência na utilização da frota. Em suma, do ponto de vista operacional, ainda há muito a fazer. Adicionalmente, é surpreendente constatar que o ano de 2021 termine com um cash de Eur 812,6 milhões! Se pensarmos que no OE 2022, a dupla Medina/Leão introduziu uma verba adicional de Eur 990 milhões, dá que pensar para que será necessária tanta massa, dado que, entre 2020 e 2021, a TAP recebeu mais de Eur 2,2 MM do Estado, dos quais terá já despendido Eur 1,8 MM (considerando o aumento do cash).

Apesar dos sinais de esperança para o futuro, não invalida que a hipótese de integração da TAP num grupo europeu, suscitada por Pedro Nuno Santos, se continue a colocar. Mas, o mais importante de tudo, será a leitura que a União Europeia fará destes números, para se continuar a acreditar que teremos uma TAP portuguesa.

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