Cultura

Pela primeira vez Netflix perde subscritores e ações afundam-se 37%

A Netflix defende que a queda está associada ao corte do serviço na Rússia, ao aumento de preços nos mercados canadiano e norte-americano e à partilha de contas.

 


Pela primeira vez em mais de 10 anos, a plataforma de streaming, Netflix, encerrou o primeiro trimestre deste ano com menos 200 mil assinantes. Depois da empresa ter revelado o recuo, na passada terça-feira, as ações perderam um quarto do seu valor, caindo para 262 dólares. A empresa projeta que exista uma nova redução, de 2 milhões, no presente trimestre.

Relativamente aos motivos da queda, a Netflix defende que esta associada ao corte do serviço na Rússia, ao aumento de preços nos mercados canadiano e norte-americano e à partilha de contas.

A gigante do streaming estimou que (embora tenha quase 222 milhões de famílias a pagar pelo seu serviço) as contas são compartilhadas com mais de 100 milhões de outras famílias que não pagam taxas de assinatura: "A partilha de contas significa que é mais difícil aumentar a adesão em muitos mercados", reconhece a empresa.

Além disso, aponta também a crescente competição mas também o levantamento de restrições pandémicas, que, segundo a mesma, “desmotivam o entretenimento digital que foi fomentado durante os tempos de maior constrangimento devido à covid-19”.

"Não estamos a aumentar a receita tão rápido quanto gostaríamos", disse a Netflix em comunicado. "A Covid obscureceu o cenário ao aumentar significativamente o nosso crescimento em 2020, levando-nos a acreditar que a maior parte de nosso crescimento lento em 2021 foi devido à melhoria da situação pandémica".

"O nosso plano é reacelerar o nosso crescimento de visualizações e receita, continuando a melhorar todos os aspetos da Netflix - em particular a qualidade de nossa programação", disse a Netflix, acrescentando que está a "duplicar" a criação de conteúdo.

O banco JP Morgan - que classificou o último trimestre como um de “mudança de maré” para a plataforma - cortou a recomendação sobre a empresa de “compra” para “neutral”, fazendo também referência às preocupações em relação “à partilha de palavras-passe e à saturação do mercado”.

Plataformas concorrentes, como a Disney Plus da Walt Disney, acompanharam a queda da Netflix nos mercados,  mas não de forma tão evidente. Neste caso, a descida foi de 5%. 

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