À Esquerda e à Direita

Marcelo das medalhas

Esse esquecimento de Marcelo não deve, contudo, fazer baixar armas aos mais incautos que tenham que passar à porta do Palácio de Belém, não vá o Presidente ir ao multibanco para encontrar um jornalista amigo e ainda decidir homenagear no 25 de Abril quem encontrou no caminho.

Marcelo das medalhas

Marcelo Rebelo de Sousa deve querer ficar como o Presidente que mais condecorou em Portugal e a sua ânsia é tal que se prepara para homenagear mais de 200 pessoas que terão estado envolvidas no 25 de Abril de 1974. Desta forma, o chefe de Estado acaba por banalizar os verdadeiros obreiros da revolução dos cravos, misturando, usando uma linguagem ciclística, os corredores com os aguadeiros. Confesso que não entendo a razão de o Presidente da República não ter decidido condecorar a família da senhora que vendeu os cravos no Largo Camões, além da criança que ficou imortalizada ao colocar o cravo numa G3. Esse esquecimento de Marcelo não deve, contudo, fazer baixar armas aos mais incautos que tenham que passar à porta do Palácio de Belém, não vá o Presidente ir ao multibanco para encontrar um jornalista amigo e ainda decidir homenagear no 25 de Abril quem encontrou no caminho.

Continuando no dia da revolução dos cravos, não deixa de ser surpreendente que o PCP se ache o dono do 25 de Abril. Paula Santos, a líder parlamentar dos comunistas – que tudo tem feito para ficar como a deputada mais lunática de sempre – não assistiu no plenário à intervenção do Presidente da Ucrânia, mas viu pela televisão, e ficou indignada. «A revolução de Abril foi feita para pôr fim ao fascismo e à guerra. É um insulto esta declaração que faz referência ao 25 de Abril», disse Paula Santos, referindo-se a Zelensky.

Por muito que lhe doa, o 25 de Abril não pertence ao PCP, pertence a todos aqueles que acreditam na liberdade e na democracia, coisa em que a líder parlamentar do PCP não crê, de certeza absoluta. Se o desfile da Avenida da Liberdade não fosse tão controlado pelo PCP, através da CGTP, seguramente que existiriam muito mais portugueses a desfilar nessa data. E também por muito que doa a Paula Santos, Zelensky representa muito mais a liberdade e a luta contra a guerra do que todo o PCP junto.

As imagens que nos chegam todos os dias da Ucrânia são tão revoltantes que chega a ser cruel ver quem não condene os ataques bárbaros dos soldados de Putin. Com as imagens de drones e de satélites que provam as mortes de centenas ou milhares de pessoas como é possível dizer sempre que nada está provado?

E não se está a dizer que as tropas ucranianas têm a ficha limpa, apenas se constata que o invasor tem morto civis indiscriminadamente. E não precisamos de nenhum VAR, para chegar a essa conclusão, embora alguns oficiais militares que comentam nas televisões insistam que os civis podem ter sido mortos pelos próprios ucranianos, supostamente para incriminarem os russos. Isto apesar de milhares de testemunhos. Veremos o que já recolheram os enviados do Tribunal Internacional de Haia e depois falamos melhor. É preciso não esquecer que figuras ligadas ao Tribunal Internacional já falaram na hipótese de os russos estarem a queimar os corpos das vítimas para não deixarem provas.

Para juntar ao pesadelo que se vive, os russos já começaram a dar indicações de que poderão, eventualmente, atacar a seguir a Moldávia. Seguramente para expulsar mais nazis.

A propósito, é ou não verdade que Zelensky, nas eleições presidenciais, teve das maiores votações nas zonas russófonas, as tais em que Putin diz que os ucranianos assassinam os opositores?

E por aqui me fico. Gostaria de ter tido espaço para falar do espetáculo degradante dado pelo advogado de Amber Heard, ex-mulher de Johnny Depp, que apresentou em tribunal supostas provas do consumo de álcool e de droga do ator. Já vale tudo. E será que a mulher não se aproveitou do banquete apresentado? E gostava de ter sido mais conciso para também falar da representação oficial portuguesa de Veneza, mas isso fica para outras núpcias, que não sejam não-binárias, como é óbvio.

vitor.rainho@sol.pt

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