Opiniao

País cada vez mais complexo

Neste clima, com a pandemia no fim, o país marcha para eleições gerais em que os dois principais nomes dificilmente terão condições de governar em paz com o Brasil tão dividido. Uma pena!

País cada vez mais complexo

Aristóteles Drummond 

A política no Brasil nunca atingiu um nível tão baixo. Apesar dos avanços na economia e da visível diminuição da grande corrupção, continuam a ocorrer fatos que oscilam entre o trágico e o cómico. O comando da Polícia Federal foi trocado pela quarta vez, em três anos. O que permite se admitir que o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro tinha razão ao denunciar que o presidente queria interferir na Polícia e nas suas investigações. Um vereador do Rio, Gabriel Monteiro, o terceiro mais votado, vai perder o mandato, pois teve vídeos obscenos com menores e mais dezenas de denúncias de assédio sexual. Em São Paulo, um deputado estadual, Arthur do Val, de 500 mil votos, perde também o mandato, pois teve gravação divulgada com referências grosseiras às mulheres ucranianas, quando visitava a fronteira do país em guerra. Os dois pastores evangélicos que cobravam propina para liberar recursos para cidades do interior teriam visitado o presidente no Palácio. O jornal O Globo, com base na Lei da Transparência, pediu os dados e o Governo considerou a informação «de segurança nacional» e, portanto, em sigilo por cem anos. Especula-se que o Supremo libere os dados. O Judiciário, que anulou as condenações de Lula e vem soltando condenados, não percebe a dimensão da revolta na opinião pública. Semana passada, a prisão de traficantes (com a apreensão de 700 kg de cocaína) foi anulada por uma juíza, pois o flagrante foi feito de madrugada, antes das seis horas, como determina a lei. A droga era colocada dentro de mangas, no lugar do caroço, pois, assim, fugia ao faro dos cães farejadores.

Neste clima, com a pandemia no fim, o país marcha para eleições gerais em que os dois principais nomes dificilmente terão condições de governar em paz com o Brasil tão dividido. Uma pena!

VARIEDADES

• O Rio de Janeiro, que já foi a capital política do Brasil, com fortes influências das principais correntes da política nacional, vive certa calmaria. O governador Cláudio Castro, um jovem que foi alçado ao cargo por ser vice do governante preso e deposto por corrupção, é homem sereno, conciliador, trabalhador e, em silêncio, vai consolidando o apreço popular e deve ser reeleito. Tem também a vantagem de seu principal opositor ser um jovem político da esquerda mais radical no Estado. Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que foi excelente administrador, neste mandato não disse a que veio e está desgastado com a população.

• Apesar dos efeitos das alterações climáticas nos últimos meses, o agronegócio brasileiro deve crescer entre 4 e 5% este ano, enquanto a indústria deve perder pontos e os serviços permanecerem estáveis. O crescimento do país deve ficar em 1% ou menos.

• O poder desgasta em tempos de crise e a experiência faz a diferença. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, é outro que amarga impopularidade.

• O Theatro Municipal, do Rio, retomou a sua programação e vai receber o grupo The Ten Tenors, que depois estará em outras cidades brasileiras.

• A biografia de Lula da Silva, de Fernando Morais, parece que teve uma tiragem pirata e vem sendo vendida em todo o país a preço abaixo do custo. O autor confirma que não autorizou e os aliados do ex-Presidente negam que o partido tenha promovido a impressão clandestina como instrumento de campanha eleitoral.

• O Brasil é o maior exportador de celulose do mundo, seguido do Canadá e dos EUA. São gigantes com alta tecnologia. Este ano deve exportar 15 milhões de toneladas - além de pato, pois o consumo interno é muito pequeno. A China é a maior compradora do pato brasileiro, de Santa Catarina.

• O Festival de Inverno da Bahia, que ocorre na cidade de Vitória da Conquista em agosto, vai apresentar o primeiro dueto com Elba Ramalho e Fagner. 

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