Sociedade

Problema nas urgências? É "complexo" e apenas a "ponta de um iceberg", diz Marta Temido

Questionada sobre a necessidade de fixar e atrair médicos para os serviços de urgência e também para os cuidados de saúde primários – uma situação considerada preocupante pelos especialistas destas áreas –, a ministra da Saúde respondeu que isso “é a ponta do iceberg visível destas disfuncionalidades”.


A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou, esta segunda-feira, que o problema das urgências em Portugal é “complexo” e que não se resolve com contratação de profissionais, uma vez que as falhas detetadas neste serviço são apenas “a ponta de um iceberg”.

"O problema das urgências em Portugal é um problema complexo. A prova são as sucessivas abordagens feitas pelas sucessivas legislaturas (...). É um problema complexo que não se vai resolver com algumas contratações. Essa parte procuraremos fazê-la garantidamente de forma que libertemos mais disponibilidade afetiva e emocional das equipas para se dedicarem à reorganização e se manterem", disse Marta Temido à margem de uma visita à unidade de cuidados intensivos do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

Questionada sobre a necessidade de fixar e atrair médicos para os serviços de urgência e também para os cuidados de saúde primários – uma situação considerada preocupante pelos especialistas destas áreas –, Marta Temido respondeu que isso “é a ponta do iceberg visível destas disfuncionalidades”.

“Muito mais vezes do que gostaríamos dão azo a notícias por todo o país sobre serviços que deixam de ter escala completa para responder às necessidades. Isso está identificado", sublinhou a governante.

Segundo dados recentes, cerca de mil profissionais pensam abandonar o Serviço Nacional de Saúde, bem como quase uma centena já saiu para o estrangeiro. Perante estas circunstâncias, Marta Temido disse que o Governo está empenhado em captar os profissionais através do programa Dedicação Plena, no qual serão feitos incentivos, no entanto a governante não os especificou.

"Oferecendo-lhes melhores condições de trabalho. A questão da dedicação plena é um projeto, um desafio", assinalou.

Quanto às vagas que estão agora por preencher com a saída de 88 médicos que, segundo Marta Temido, "terão saído [para outros países] segundo os números divulgados de projetos para a emigração", foram contratados 362 médicos especialistas para ocupar estes lugares desde o início do ano.

Em relação aos médicos de família, a ministra da Saúde disse que os mil médicos que querem terminar a carreira estão a chegar à idade da reforma, no entanto “nem todos exercem esse direito”.

"Temos cerca de 300 médicos de família que continuaram a trabalhar para além da aposentação. O número de pessoas sem médico de família é o mesmo desde 2015. O problema de não atribuição de médicos de família não é um exclusivo do sistema de saúde português. Não é fácil captar médicos em outros países", sustentou.

Relativamente aos cuidados de saúde primários, Marta Temido referiu que "o plano é diversificar a resposta da equipa", nomeadamente com mais técnicos e também com outras especialidade como psicólogos e nutricionistas. De acordo com a governante, a cobertura em enfermeiro de família passou de 69% em 2015 para 85% em 2021.

"Sim temos carências, mas nem todas as tendências são negativas", considerou Marta Temido.

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