Economia

Lucros de bancos ultrapassam 3,8 milhões por dia

Santander Totta, novobanco e BPI lucraram quase 346 milhões de euros nos três primeiros meses. A somar a este bolo há que contar ainda com BCP e CGD que ainda não apresentaram resultados.

Lucros de bancos ultrapassam 3,8 milhões por dia

Três dos maiores bancos – Santander Totta, novobanco e BPI­ – lucraram quase 346 milhões de euros nos três primeiros meses do ano. Feitas as contas dá uma média diária de mais de 3,8 milhões de euros por dia. E, tal como tem vindo a ser habitual, os resultados continuam assentes na redução dos custos de estrutura – com equipas cada vez mais reduzidas e menos balcões – e no aumento das comissões.

A liderar o pódio está o Santander Totta ao lucrar 155,4 milhões de euros, um valor que compara com os 34,2 milhões no período homólogo. Mas justificou este aumento: «No 1.º trimestre de 2021 tinha sido registado um encargo extraordinário, no valor de 164,5 milhões de euros (líquido de impostos), para fazer face ao plano de transformação em curso, com a otimização da rede de agências e investimentos em processos e tecnologia», revelou a instituição financeira, quando apresentou resultados.

O total de crédito a clientes situou-se em 43,5 mil milhões de euros, um crescimento de 1,2% relativamente ao final do primeiro trimestre de 2021, destacando-se o crescimento do crédito à habitação em 6,5%. Já a quota de mercado de novos empréstimos de crédito habitação (valores acumulados a fevereiro) situou-se em 21,8%.

Os recursos de clientes ascenderam a 47,5 mil milhões de euros, um aumento de 8,3% face ao mesmo período do ano anterior, evolução determinada pelo aumento de 8,4% em depósitos e de 7,6% em recursos fora de balanço.

Os custos operacionais caíram 15,6% para 121 milhões de euros, sendo que os custos com pessoal baixaram 11,7% para 44,5 milhões de euros. No primeiro trimestre deste ano (comparando dados de finais de março com finais de dezembro de 2021), o Santander reduziu o quadro de funcionários em 84 pessoas (sendo 4 721 no final de março) e fechou quatro agências (sendo 344 em março). No ano passado, o banco levou a cabo uma reestruturação, reduzindo 1 175 postos de trabalho, o que motivou manifestações e processos judiciais.

 

Mantém resultados positivos mas muda de página

Logo a seguir no ranking surge o novobanco que duplicou os lucros no primeiro trimestre do ano, passando de 70,7 milhões para 142,7 milhões de euros. Os resultados foram apresentados, numa altura, em que a instituição financeira está a mudar de liderança. O_irlandês Mark Bourke foi o nome escolhido para substituir António Ramalho como CEO, De acordo com a instituição financeira, Bourke foi considerado «o candidato ideal» por ter «mais de 20 anos de experiência como administrador executivo (em funções de CEO e de CFO) em instituições financeiras reguladas», pela sua «experiência e conhecimento significativo do mercado e sistema bancário português, adquiridos como CFO nos últimos três anos do novobanco», e devido às suas «competências e experiência necessárias para liderar o novobanco nesta próxima fase de desenvolvimento».

A instituição financeira disse ainda que o Conselho Geral e de Supervisão (CGS) escolheu para administrador financeiro Leigh Bartlett, diretor executivo do Masthaven Bank desde 2020. O novobanco disse ainda saber que o número de membros do conselho de administração executivo vai passar de seis para sete, com a criação de um novo cargo executivo de Chief Credit Officer e revelou que já submeteu toda a informação relevante da nova administração ao Banco de Portugal e ao Banco Central Europeu para aprovação.

A equipa liderada por Mark Bourke iniciará um novo mandato até 2025, não havendo continuidade do que foi iniciado por António Ramalho. «Por existirem dois novos membros do conselho de administração executivo e pelo facto de as funções e responsabilidades de dois atuais membros mudarem substancialmente, deveria existir um novo mandato de quatro anos», justificou o CGS.

Quanto aos resultados, o banco já tinha referido que o desempenho da atividade estava em linha com as expectativas, apresentando pelo quinto trimestre resultados positivos, referindo que «apresenta melhorias de desempenho financeiro apesar do atual contexto macroeconómico caracterizado por pressões inflacionistas e consequente volatilidade das taxas de juro».

O banco ainda liderado por António Ramalho revelou que esta evolução «se justifica pela melhoria do produto bancário (um aumento 36,9 milhões) e pelo menor nível de imparidades e provisões (-64,7%, ou seja, uma redução de 40 milhões)». Em março deste ano, António Ramalho garantiu ao nosso jornal que 2021 tinha sido o ano do virar de página e de rentabilidade positiva: «Um ano de marcos históricos, com o regresso aos mercados financeiros, uma nova marca e do novo modelo de distribuição. Os quatro trimestres de lucros consecutivos revelam um crescimento sustentável do modelo de negócio, para continuar a apoiar as empresas e as famílias portuguesas».

Em relação ao valor solicitado ao Fundo de Resolução, relativo ao exercício de 2020, a instituição garante que «subsistem duas diferenças que resultam de divergências, entre o banco e o Fundo de Resolução, quanto à provisão para operações descontinuadas em Espanha e valorização de unidades de participação, que estão sujeitos a uma decisão arbitral», referindo que  «considera estes valores (165 milhões) como devidos ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente, estando a despoletar os mecanismos legais e contratuais à sua disposição no sentido de assegurar o recebimento dos mesmos».

Já os custos com pessoal totalizaram 55,7 milhões, o que representa uma queda de 5,1% face a igual período do ano passado, «mantendo a tendência de redução que se tem verificado nos últimos anos em resultado das medidas de eficiência implementadas». No final de março, contava com 4182 colaboradores, menos 375 colaboradores face ao primeiro trimestre do ano anterior, quando tinha 4557 colaboradores. Quanto ao número de balcões fixou-se em 311 (-46 balcões face ao primeiro trimestre do ano passado).

 

BPI desliza

Já esta sexta-feira, o BPI apresentou um lucro consolidado de 49 milhões de euros no 1.º trimestre, face aos 60 milhões verificados no período homólogo.  «Na atividade em Portugal, o resultado líquido do BPI ascendeu a 28 milhões de euros. A comparação com o resultado homólogo (54 milhões de euros) é afetada por incluir no 1º trimestre de 2021 ganhos extraordinários de 23 milhões de euros com a venda de créditos não produtivos», disse a instituição financeira.

Ainda assim, garante que a atividade do banco nos três primeiros meses do ano foi muito positiva, com crescimento dos proveitos, «com ganhos de quota de mercado em praticamente todos os segmentos comerciais, ao mesmo tempo que manteve os custos contidos, apesar do forte investimento na transformação digital», referiu João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do banco.

O produto bancário comercial registou um crescimento de 4% face ao período homólogo, situando-se nos 189 milhões de euros.

O BPI disse ainda que tem 24 milhões de euros para fazer face aos efeitos da guerra na Ucrânia

Por outro lado, revelou que aumentou em oito o número de colaboradores desde o início do ano, ficando com 4.486 trabalhadores, e fechado oito pontos da rede de distribuição, dos quais sete balcões e um centro premier.

No entanto, em termos homólogos, face aos 4.597 colaboradores de que dispunha em março de 2021, o número de trabalhadores reduziu-se em 111.

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