Brasil Presente

O efeito eleitoral

O presidente Bolsonaro está muito feliz com a chegada de fertilizantes procedentes da Rússia e pelo apoio daquele país a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, com a Índia, entre os membros permanentes. Mais feliz ainda com as recentes sondagens que mostram a vantagem de Lula da Silva diminuir significativamente. 

O efeito eleitoral

por Aristóteles Drummond

A demora em se chegar a um nome alternativo a Lula e a Bolsonaro mexe um pouco com a economia. Os investimentos previstos, na infraestrutura, portos, estradas e energia elétrica, chegam a mais de 2% do PIB, dois terços pelo setor privado. Mas Bolsonaro gasta e distribui ‘bondades’ para obter votos, e Lula acaricia suas bases de esquerda dizendo que vai anular a reforma laboral, anular privatizações e acabar com teto de gastos públicos, uma das poucas conquistas do Brasil nos últimos anos. Até no campo, onde circula um quarto da riqueza do país e mais da metade das exportações, teme-se a volta de invasões de propriedades pelos chamados movimentos sociais. Estes estão esvaziados, pois Bolsonaro entregou mais de 300 mil títulos de propriedade a agricultores – e as invasões geralmente eram feitas por ativistas urbanos que não sabiam plantar um pé de couve. O dólar voltou a subir, mas ainda é o menor valor em muitos meses. O presidente Bolsonaro está muito feliz com a chegada de fertilizantes procedentes da Rússia e pelo apoio daquele país a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, com a Índia, entre os membros permanentes. Mais feliz ainda com as recentes sondagens que mostram a vantagem de Lula da Silva diminuir significativamente. Curioso é que os dois candidatos promoveram reuniões no dia 1 de maio e a presença de ambos os partidários foi pífia em todo o país. O povo anda cansado da política e preocupado com o emprego, a inflação e não com a campanha eleitoral para eleição dia 2 de outubro. Lula foi capa da revista Time e declarou que vai pensar em planos económicos depois das eleições.

 

VARIEDADES

• Uma curiosidade é que o Rio de Janeiro, saindo de grande crise, tem valorização dos imóveis de alto luxo e os restaurantes estrelados estão de casa cheia todos os dias. É a força do astral da cidade e de seu povo, que não é composto só dos nascidos, mas os que escolheram a cidade para morar.

• A mídia impressa está fazendo sua grande temporada com os balanços das grandes empresas, especialmente as cotadas em Bolsa. Bolsonaro tentou permitir que os balanços pudessem ser divulgados por via eletrónica, mas não conseguiu. Tem empresas com balanços de oito a dez páginas.

• A Orquestra Sinfónica de São Paulo, uma referência no Brasil, vai se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, em outubro. Orfeu Negro, peça de Vinicius de Morais, que foi filme premiado franco-italo-brasileiro, dirigido por Marcel Camus, vai virar espetáculo na Broadway ainda este ano.

• Segundo as sondagens, a diferença entre Lula e Bolsonaro continua a cair. A escolha de Alckmin para seu vice desgastou Lula na esquerda e revoltou o centro. As gravações duras de Alckmin contra Lula, em campanhas anteriores, circulam na internet. Incontrolável, injustificável e inquestionável.

• A volta da atividade económica, o alto preço das passagens e a valorização do real favorecem o balanço trimestral da Gol, linhas aéreas. Uma passagem Rio-São Paulo comprada no dia pode custar quase uma Rio-Lisboa, na económica. As ações da AZUL caíram a metade em um ano. Mas como são privadas não abalam as contas publicas é claro.

• Estão circulando na internet fotografias do recente encontro de José Sócrates com Lula, em São Paulo, com a frase: «Os semelhantes se amam».

• Alagoas vai contar com mais um resort do grupo português Vila Galé, a ser inaugurado em julho.

• O Porto de Santana, no Amapá, passa a ter terminal de contéineres, com capacidade de mais de mil por mês. Assim deve diminuir a entrada de mais de dez mil caminhões por mês no estado, que fica no extremo norte do Brasil, na fronteira com a Guiana Francesa.

• As sondagens eleitorais na Bahia favorecem o candidato ACM Neto, neto do antigo político baiano António Carlos Magalhães. ACM Neto foi prefeito de Salvador em dois mandatos e com sucesso.

 

Rio de Janeiro, maio de 2022

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