Economia

CGD. Lucro dispara 80,5% para 146 milhões no 1.º trimestre

Paulo Macedo admitiu que poderá haver famílias com mais dificuldades em pagar créditos com a prevista subida das taxas de juro.

CGD. Lucro dispara 80,5% para 146 milhões no 1.º trimestre

Os lucros da Caixa Geral de Depósitos dispararam 80,5% nos três primeiros meses do ano para 146 milhões de euros. O banco público, em igual período do ano passado, tinha sido penalizado pelo reforço das imparidades para dar resposta à pandemia. 

O volume de negócios registou um crescimento de 1,6 mil milhões de euros face a 2021, “registando crescimentos no crédito e nos recursos, com a atividade internacional a acompanhar o crescimento em Portugal, com um aumento acima de 650 milhões de euros”, enquanto a margem financeira aumentou 14,1% para 272,9 milhões de euros e as comissões líquidas subiram 16,7% para 147 milhões de euros.

As unidades em Moçambique e Angola ajudaram, mas também a atividade doméstica, segundo a Caixa, que demonstrou “evidentes ganhos de produtividade comercial evidenciados pelo crescimento do crédito nos segmentos de empresas e particulares e, neste último, nas vertentes habitação e consumo”. Feitas as contas, o lucro em Portugal mais do que duplicou para 118 milhões, enquanto a atividade internacional aumentou os resultados em 28,7% para quase 38 milhões.
Os financiamentos às empresas e famílias aumentaram 1,8% para 51,1 mil milhões de euros (habitação avança 20% e consumo dispara 67%), e os recursos de clientes também subiram 1,7% para 81,1 mil milhões.

Também a contribuir para estes ganhos estiveram os ganhos nos outros resultados de exploração, que aumentaram 25,6 milhões, graças à venda de um terreno em Lisboa, na zona de Marvila. “Este ganho não recorrente ajudou a compensar o aumento dos custos de supervisão e resolução registados no primeiro trimestre de 2022, face a março de 2021″, refere o banco liderado por Paulo Macedo. Já os custos regulatórios para o ano de 2022, num total de 73,5 milhões de euros, foram contabilizados na íntegra no primeiro trimestre, adianta o banco.

Dificuldades em pagar créditos

O presidente da CGD admitiu que poderá haver famílias com mais dificuldades em pagar créditos com a prevista subida das taxas de juro, mas disse não esperar um nível de incumprimento da dimensão da anterior crise financeira e económica. O gestor disse que há ainda que ter em conta os factos positivos de que as taxas de juro Euribor (que servem de indexante aos créditos) ainda estarem negativas (enquanto na última crise financeira estavam em 400 pontos base) e que, nos últimos anos, as prestações que os clientes pagaram para os créditos à habitação foram sobretudo para abater a capital, já que os juros estavam tão baixos, pelo que, - afirmou - agora as famílias vão pagar mais juros, mas sobre menor valor de capital em dívida.

Ainda assim, Paulo Macedo indicou ainda que, atualmente, as famílias têm mais poupança, pelo que considerou que conseguirão uma melhor gestão do esforço. “Há dificuldades acrescidas para as famílias, não escamoteamos, mas há poupança que não havia há anos”, disse.

No entanto, garantiu que o banco está “prudente, cautelosa, mas confiante”.

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