Politica

BE diz que expansão da NATO não dá mais segurança

A coordenadora bloquista acusou a NATO de ter sido “muitas vezes agressora na Europa”.


Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, considerou que a expansão da NATO “não é a solução” para o conflito armado que assola a Ucrânia desde o início da invasão russa em fevereiro deste ano. “A expansão da NATO, embora pareça uma solução imediata a quem se sente muitas vezes pressionado pelo conflito – e desse ponto de vista ninguém fez tanto pela NATO como Putin e como esta guerra –, na verdade, não dá mais segurança à Europa a longo prazo nem permite à Europa autonomia para os seus projetos fundamentais”, disse Catarina Martins, à margem de um encontro com moradores do Casal do Gil, em Lisboa.

A bloquista comentava a eventual entrada da Finlândia e da Suécia na NATO, como consequência da invasão russa da Ucrânia. Além de argumentar que a expansão da aliança do Atlântico Norte “não é a solução”, a líder do partido disse também que a Europa precisa de coragem para que possa “ter uma autonomia” necessária para garantir paz, segurança e “objetivos estratégicos tão fundamentais na energia, que é também boa parte do que está em disputa nesta guerra”.

Sobre o assunto, no entanto, a coordenadora do BE reiterou ser contra “o imperialismo de Putin e a invasão”, num comentário em que exigiu “um cessar-fogo e a retirada imediata das tropas da Rússia da Ucrânia”. Ainda assim, a líder do BE defendeu também que “a NATO foi também muitas vezes agressora na própria Europa”, e partiu para a enumeração de exemplos práticos da sua tese: “E quem não se lembrar, a Jugoslávia é um exemplo de bombardeamento da própria NATO no centro da Europa e lembro também que há aqui uma pressão, nomeadamente dos Estados Unidos, geoestratégica, de interesses, sobre a energia que contraria todos os esforços que a Europa tem feito ou tem dito querer fazer nomeadamente sobre a energia e sobre a emergência climática”, disparou.

Suécia e Finlândia mais perto da NATO As palavras de Catarina Martins foram proferidas numa altura em que a Finlândia e a Suécia se perfilam cada vez mais como possíveis futuros membros da NATO, o que será uma movimentação geopolítica histórica, já que os dois países escandinavos têm mantido ao longo das últimas décadas uma posição neutra e de não alinhamento. A Suécia anunciou ontem, aliás, a sua candidatura à NATO. “Estamos a sair de uma era e a entrar numa nova”, disse a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson.

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