Economia

Economia com défice externo de 1317 milhões no 1.º trimestre

As exportações e as importações de viagens e turismo cresceram 343,2% e 89,3%, diz o BdP. 

Economia com défice externo de 1317 milhões no 1.º trimestre

Portugal registou um défice externo de 1317 milhões de euros no primeiro trimestre, face ao excedente homólogo de 483 milhões, tendo o défice da balança de bens registado o nível mais alto desde 2008, informou o Banco de Portugal (BdP). De acordo com os mesmos dados, em março, o défice da balança corrente e de capital foi de 303 milhões de euros, o que correspondeu a um aumento de 491 milhões de euros relativamente ao mesmo período de 2021.

“Esta evolução deveu-se, sobretudo, ao saldo da balança comercial (saldo da balança de bens e serviços), o qual diminuiu 353 milhões de euros em relação ao mês homólogo, dado que o aumento do excedente da balança de serviços não foi suficiente para compensar o acréscimo do défice da balança de bens”, explica o banco central.

O défice da balança de bens aumentou 1079 milhões de euros em relação a março de 2021, para 1.992 milhões de euros, “refletindo um crescimento das importações superior ao das exportações (26,8% e 12,1%, respetivamente)”. E acrescentou: “Tanto o valor das exportações como o das importações foram superiores aos registados antes da pandemia (2019)”.

Já em relação às exportações e as importações de serviços, aumentaram, respetivamente, 73,4% e 40,5% relativamente a março de 2021, “superando os valores observados antes da pandemia (março de 2019)”, referindo que “para esta subida contribuíram os saldos das rubricas de viagens e turismo, de transporte aéreo, de serviços informáticos e de outros serviços fornecidos por empresas”. 

As exportações e as importações de viagens e turismo cresceram, em termos homólogos, respetivamente 343,2% e 89,3%, permitindo que o excedente desta rubrica aumentasse 786 milhões de euros. As exportações superaram em 5% o valor de março de 2019, enquanto as importações se situaram 15% abaixo do valor observado nesse mês.
Em março deste ano face ao mesmo mês de 2021, o défice da balança de rendimento primário aumentou 76 milhões de euros, enquanto os excedentes das balanças de rendimento secundário e de capital diminuíram, respetivamente, 32 e 30 milhões de euros, refletindo a diminuição de fundos europeus atribuídos aos beneficiários finais.

No acumulado até março, em termos homólogos, o défice da balança de bens aumentou, já que as importações cresceram mais do que as exportações (32,8% e 17,8%, respetivamente), tendo atingido “o nível mais alto desde 2008”.

O excedente da balança de serviços aumentou, “influenciado pela evolução das viagens e turismo”, mas “o saldo da rubrica de transportes diminuiu, refletindo o aumento das importações de serviços de transporte de mercadorias”.

No primeiro trimestre, segundo o BdP, “a menor atribuição de fundos europeus foi determinante para a redução dos excedentes do rendimento secundário e da balança de capital”, sendo que “a aquisição de licenças de carbono também contribuiu para a redução do excedente da balança de capital”.

Em relação à balança financeira, em 2022, até março, os ativos financeiros que Portugal tem sobre o exterior, deduzidos das responsabilidades de Portugal perante o exterior (saldo da balança financeira), diminuíram 1443 milhões de euros.

Segundo o BdP, para esta redução contribuíram os aumentos de passivos, que se deveram ao investimento líquido de não residentes em dívida pública portuguesa e dívida de sociedades não financeiras e ao investimento de entidades não residentes em empresas portuguesas do grupo por via de aumentos de capital.

Em sentido inverso, a diminuição do saldo da balança financeira foi atenuada pela redução dos passivos do Banco de Portugal junto do Eurossistema e pelo aumento de ativos financeiros, devido ao investimento do Banco de Portugal e das sociedades de seguros e fundos de pensões em títulos de dívida emitidos por não residentes.

Em março de 2022, o saldo da balança financeira foi de -343 milhões de euros, destacando-se o investimento líquido de não residentes em dívida de sociedades não financeiras e o desinvestimento de bancos portugueses em títulos de dívida de longo prazo emitidos por entidades da União Monetária.

 

 

 

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