Internacional

Repórteres afegãs obrigadas a tapar a cara: "Esta sou eu, a mulher que estar a ser apagada"

Várias jornalistas, que se têm manifestado contra o retorno da utilização obrigatória da burca naquele país, voltaram a protestar contra esta nova atualização.


O governo talibã, no Afeganistão, ordenou esta quinta-feira que todas as apresentadoras e repórteres de televisão tapem a sua cara enquanto estão a fazer diretos. Uma decisão que, segundo dizem os ministérios dos Valores e da Informação e Cultura daquele país, citados pelo The Guardian, é "final e não-negociácel".

"A ordem do véu é comum a todos, mas as trabalhadoras dos media não a implementaram, pelo que lhes pedimos especificamente que obedeçam à ordem", disse Mohammad Sadiq Akif, porta-voz do Ministério da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, em declarações à agência espanhola EFE. "Era isto que os compatriotas queriam, que a sociedade tivesse uma imagem e um modelo nos meios de comunicação social e também tivesse um impacto importante na sociedade, por isso, sentimos a necessidade de partilhar esta questão com os meios de comunicação social, uma vez que eles desempenham definitivamente um papel vital."

Várias jornalistas, que se têm manifestado contra o retorno da utilização obrigatória da burca naquele país, voltaram a protestar contra esta nova atualização. Yalda Ali, apresentadora do canal estatal Tolo, publicou um vídeo no Instagram onde colocou uma máscara facial. "Esta sou eu, a mulher que estar a ser apagada", escreveu. 

O retorno da utilização da burca naquele país foi condenado por várias organizações internacionais, entre as quais a Organização das Nações Unidas (ONU).

Os talibãs, desde que regressaram ao poder em Cabul, em agosto de 2021, após a retirada das forças lideradas pelos Estados Unidos da América (EUA), prometeram que iriam manter os direitos conquistados pelas mulheres afegãs nos 20 anos desde o início da guerra. Uma afirmação oficial que não combina com a realidade das mulheres afegãs, que têm um acesso muito reduzido à educação e ao mercado de trabalho.

 

 

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