Editorial

Sopa de letras e escaldões

O fim da obrigatoriedade da máscara na maioria dos espaços foi a maior lufada de ar fresco, não só literalmente. Foi para muitos sentido como uma despedida oficial deste contexto pandémico, a lembrar o último pôr do sol nas despedidas do verão. 

Sopa de letras e escaldões

Os termómetros disparam por estes dias, acompanhando a tendência dos últimos registos diários de covid. Por esta altura, é sempre preferível falar sobre os cuidados a ter com a pele do que voltar a discutir qual a máscara mais segura para fazer o percurso entre o areal e o bar da praia, tema gasto nos últimos dois anos, ao contrário do protetor solar 50+, que se mantém firme na sacola das férias de verão. Muito provavelmente acompanhado pelo livrinho de passatempos com os seus quebra-cabeças, palavras cruzadas e sopa de letras, além de uns grãos de areia que teimam em ficar como recordação. Apesar do bicho ter voltado com toda a força, hoje já não colocamos em causa quaisquer planos - e só nalguns casos estes podem sair ‘furados’. O fim da obrigatoriedade da máscara na maioria dos espaços foi a maior lufada de ar fresco, não só literalmente. Foi para muitos sentido como uma despedida oficial deste contexto pandémico, a lembrar o último pôr do sol nas despedidas do verão. 

É indiscutível: preferimos falar de 35 graus celsius do que dos números de novos infetados. 

Também todos concordam que já ninguém quer convívios onde o álcool tenha que vir sempre de braço dado com o gel. 

Tornaram-se cansativas as contas às variantes - que somam e seguem -, tal é a necessidade também de mudar de ares, para variar. 

Se o calor mata ou não o vírus pouco importa, já que acreditamos que será quase impossível o bicho voltar a tirar-nos a liberdade.

O melhor é, por isso, continuar previdente, de modo a evitar escaldões incómodos ou outro tipo de queimaduras. E tendo consciência de que neste caso as horas de maior perigo não serão muito provavelmente as mesmas.

 É que se a pele, já se sabe, tem memória, quanto ao resto é como as férias de verão. Podem mudar-se os planos, ou não.

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