Economia

PIB: crescimento irá ultrapassar a Europa

Comissão Europeia aponta para um crescimento de 5,8% da economia portuguesa, enquanto Fundo Monetário Internacional aponta para 4,5%. Turismo impulsiona aumento.


Os números divergem, mas as perspetivas são otimistas para o crescimento da economia portuguesa. A Comissão Europeia vê o Produto Interno Bruto (PIB) português a crescer 5,8% este ano, o que significa uma revisão em alta face às anteriores projeções de 5,5% e bem acima das metas avançadas pelo Governo e pelo Banco de Portugal, que apontam para um crescimento de 4,9%. Já a equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI), que esteve em Portugal para a sua avaliação anual, melhorou a perspetiva de crescimento do PIB português para 4,5% este ano.

Para Bruxelas, esta revisão deve-se ao «forte arranque do ano», lembrando que o setor dos serviços, particularmente o do turismo internacional, irá recuperar «intensamente» face à base baixa dos anos anteriores afetados pela pandemia. Esta revisão em alta acontece depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter revelado que o PIB cresceu 2,6% em cadeia no primeiro trimestre, superando todas as expectativas.

Por seu lado, o FMI revelou que o crescimento deverá ser impulsionado pelo consumo privado, apoiado por uma normalização mais rápida da taxa de poupança das famílias, pelo investimento público, refletindo o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelas exportações, com o turismo a atingir o nível pré-pandemia em 2023.

A manterem-se estes números, Portugal será o país da União Europeia que mais irá crescer este ano. Segue-se a Irlanda (5,4%), Malta (4,2%) e Espanha (4%). Os 27 Estados-membros da UE, assim como os 19 Estados-membros da Zona Euro, crescerão em média 2,7% em 2022, em consequência da guerra na Ucrânia.

Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa, lembra que «a guerra na Ucrânia influenciou negativamente as projeções económicas para a União Europeia, facto que forçou Bruxelas a rever em baixa o crescimento do PIB para 2022 e em alta a inflação, agudizando os receios de uma estagflação na Europa», referindo que podemos beneficiar da atual situação geopolítica no leste europeu «porque Portugal é percecionado como mais longínquo do conflito, podendo, assim, capitalizar com um acréscimo de turismo e alguma deslocalização de investimento que estava destinado ao leste europeu».

Também Henrique Tomé, analista da XTB, chama a atenção para o facto de as projeções da Comissão Europeia apontarem para um crescimento económico este ano em Portugal, acima da média europeia, esperando que cresça cerca de 5,8%, «em contraste com as grandes economias europeias como Alemanha e França que deverão crescer cerca de 1,6% e 3,1% respetivamente».

Já António Costa atribuiu a responsabilidade à robustez da economia e à inflação controlada no médio prazo. «As projeções económicas publicadas pela Comissão Europeia são muito favoráveis a Portugal, superando mesmo as atuais previsões de crescimento do Governo. De acordo com a Comissão, teremos o maior crescimento da UE em 2022 e retomamos a convergência», reagiu o primeiro-ministro no Twitter.

E a inflação?

De acordo com as contas de Bruxelas, a inflação foi revista em alta para os 4,4% este ano, muito acima das previsões de fevereiro que apontavam para um aumento da taxa de inflação de ‘apenas’ 3,5%. Mais pessimista está o FMI, ao piorar a taxa de inflação para 6%, no entanto, admite que irá começar a recuar em 2023 devido à queda dos preços da energia e dos alimentos. E antevê ainda uma descida maior do rácio da dívida pública em percentagem do PIB: 119,9%, já abaixo dos 120%, o que compara com os 120,7% do PIB previstos pelo Executivo. Em 2023, poderá chegar a 115,3% do PIB, atingindo o nível pré-pandemia (116,6% do PIB em 2019). Já o défice será de 1,9% do PIB este ano, abaixo dos 3,4% estimados no outono, estando assim em linha com a estimativa do Ministério das Finanças registada na proposta do Orçamento do Estado.

Bruxelas destacou que Portugal registou um défice de 2,8% do PIB em 2021, abaixo dos 5,8% observados em 2020, devido a uma maior entrada de receitas de impostos e contribuições sociais e à maior entrada de fundos da União Europeia face a 2020, mas também das receitas extraordinárias devido ao reembolso da margem pré-paga ao Mecanismo Europeu de Estabilidade.

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