Mercado Imobiliário mantém dinamismo

Imobiliárias esperam bons números este ano e, apesar de Lisboa e Porto continuarem a crescer, há outras zonas em destaque. As alterações do BdP e a subida dos juros não assustam para já.

Durante a crise pandémica – que ainda não acabou totalmente – o setor do imobiliário resistiu e, apesar de alguns abanões, manteve-se dinâmico. Passada a pior parte, o Nascer do SOL tentou perceber como está o dinamismo neste mercado no país e quais são as perspetivas para este ano. 

«O mercado residencial está bastante dinâmico em todo o território nacional, sobretudo nos distritos de Lisboa, Setúbal e Porto», começa por detalhar ao nosso jornal, Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, acrescentando que «é importante destacar, também, os distritos de Aveiro, Leiria e Braga, que estão claramente a mudar de escala e conseguem manter um bom equilíbrio entre o valor dos imóveis e a taxa de esforço das famílias locais para comprar casa».

Por sua vez, a ERA garante que continua a registar «um forte interesse por parte do cliente comprador nas periferias, sendo que os distritos de Lisboa e Porto continuam a ser os locais onde registamos um maior número de imóveis vendidos», conta ao Nascer do SOL Rui Torgal, CEO da mediadora. No entanto, o responsável diz que, ao contrário do que aconteceu no ano passado, este ano, até maio, «o distrito do Porto foi onde foram vendidas vendeu um maior número de casas. No ano passado, registámos um maior número de vendas no distrito de Lisboa».

Também Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal, fala em «muito dinamismo» no mercado nacional nestes primeiros cinco meses do ano, o que representou um aumento de 21% no volume de negócios, «não obstante a conjuntura relativamente recente de subida de inflação e de instabilidade nas relações internacionais causada pelo conflito na Ucrânia, iniciado em finais de fevereiro». Mas acrescenta que nos últimos três meses – março, abril e maio – a rede registou um aumento de 6% na venda de habitações – um novo recorde para este período. 

«No entanto, este dinamismo não foi igual em todos os concelhos e distritos do país, como nunca o foi», começa por explicar. Assim, «face aos mesmos cinco meses de 2021, registámos crescimentos de menor importância no concelho de Lisboa (13,4% em volume de negócios), mas muito fortes nos concelhos de Cascais (37,4%) e Sintra (35,6%), todos pertencentes ao distrito de Lisboa». Já nas regiões autónomas, o dinamismo tem sido «igualmente muito significativo (35,8%), em contraste com a região onde o crescimento tem sido mais dificultado, concretamente a região da margem sul de Lisboa, o distrito de Setúbal, com pouco mais de 2%». Na zona do grande Porto foi registado «um bom crescimento» mas inferior à média nacional ao passo que no Algarve o incremento foi de 31%, no Alentejo, ainda maior, 34%. «Os distritos centrais do país registaram aumentos em redor dos 30%, acima dos distritos do Norte de Portugal em que registámos 25%», acrescenta Beatriz Rubio.

E as perspetivas?

E se 2021 já foi um ano bom, as imobiliárias esperam que este ano seja igual ou melhor, como conta Ricardo Sousa: «Segundo os nossos indicadores, relativamente ao número de transações imobiliárias é expectável que 2022 seja um ano bastante similar ao ano de 2021, ou mesmo um pouco superior». 

O mesmo otimismo é partilhado por Rui Torgal que conta até que 2022 seja, em termos de vendas, «um dos melhores anos de sempre» até porque os primeiros meses deste ano já começaram a demonstrar essa tendência. Só em maio, a ERA registou «um valor bastante idêntico, colocando-nos cada vez mais perto de atingir um novo recorde».

Já Beatriz Rubio segue a mesma linha de pensamento e diz que as perspetivas de vendas «são bastante positivas». E acrescenta que, apesar de existir algumas incerteza no mercado «provocada pela subida da inflação (e consequentemente das taxas de juro), mas esse impacto não será significativo nas vendas e atividade da marca, pois todos os sinais apontam para que essa subida não altere grandemente o ritmo de vendas, quando muito o ritmo de crescimento dos preços dos imóveis».

As novas regras

Desde o passado mês de abril que existem novas regras para quem está a pensar pedir um crédito à habitação: quem tem entre 30 a 35 anos só pode pedir financiamento a um prazo máximo de 37 anos, já para quem tem mais de 35 anos, o limite à maturidade encolhe para 35 anos.

Mas será que estas novas regras afetam quem quer comprar casa? «Não acreditamos que as restrições ao crédito à habitação sejam um entrave relativamente à aquisição de imóveis», começa por defender Rui Torgal que acredita que «as restrições visam proteger os clientes ao invés de os condicionar». E refere: «Os bancos adotaram estas medidas para que o crédito tivesse condições mais seguras para as famílias. A verdade é que temos observado que as famílias portuguesas se têm conseguido ajustar, adaptando o valor de compra do imóvel ao valor da prestação que conseguem pagar». 

A CEO da Remax Portugal não tem dúvidas que mais restrições em relação ao crédito à habitação «têm, naturalmente, impacto na procura, pois algumas famílias poderão repensar a aquisição, adiá-la ou reformular a própria localização e tipologia pretendida». E diz que é preciso não esquecer que existem muitas variáveis que, pelo contrário, reforçam a procura: «A imprescindível disponibilidade dos bancos em concederem crédito, os volumes elevados de poupança das famílias originados pela pandemia ou própria tendência para aumento do volume de investimento tanto nacional como estrangeiro», reconhecendo que este mercado tem vindo «a ser pautado por uma enorme escassez de oferta, tanto em número como em diversidade, limitando cada vez mais a seleção e escolha», daí admitir que algumas famílias podem ficar reticentes com a subida generalizada dos preços e não avançarem já para a compra de uma casa, como também até «pode beneficiar algumas outras que já tomaram essa decisão e por saberem que os preços não descerão e que a oferta não vai aumentar preferem reajustar o orçamento familiar».

Já o CEO da Century 21 lembra a possível subida dos juros anunciada pelo BCE e diz que «não supõe um impacto relevante na prestação mensal para quem vai adquirir uma casa com crédito habitação». Ainda assim, «num cenário em que as taxas de esforço já estão elevadas, sobretudo na AML, será um desafio crescente em termos de acessibilidade à habitação para jovens e famílias com rendimentos disponíveis inferiores à média da sua região, o que irá obrigar estes jovens e famílias a alargarem os seus critérios de pesquisa a diferentes zonas da Área Metropolitana de Lisboa, ou mesmo para fora da AML».