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Marcelo diz que pandemia e consequências da guerra formam "tempestade quase perfeita"

"A União Europeia teve inicialmente uma grande dificuldade para reagir ao desafio pandémico, mas, depois, readaptou-se e fez um esforço de ajustamento. Ora, esse esforço de ajustamento permanente, com altos e baixos, é o processo europeu", explicitou. "Soma-se isso agora a guerra na Ucrânia, com as consequências de crises económicas, financeiras e sociais em cima de outras crises muito recentes. Não diria que é uma tempestade perfeita, mas é quase perfeita", finalizou.


"A situação internacional é extremamente complexa, porque ninguém sabe qual o epílogo do que estamos a viver, ninguém sabe quais os custos desse epílogo e depois do epílogo, e ninguém sabe qual vai ser a configuração definitiva na correlação entre os poderes maiores" do mundo, explicou o Presidente da República, este domingo, alertando para a complexidade e imprevisibilidade da situação internacional devido ao conflito vivido na Ucrânia e garantindo que são necessários "equilíbrios enormes".

De seguida, Marcelo Rebelo de Sousa - que falava no encerramento de um debate no âmbito da Festa do Livro em Belém, que foi moderado por Pedro Mexia e que contou a participação do ex-deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza e de Diana Soller, especialista em política internacional - abordou as próximas eleições presidenciais norte-americanas e asseverou que esse panorama "não é indiferente". "A posição perante os outros poderes [no tempo de Donald Trump] era substancialmente diferente da posição atual. Há aqui um problema de correlação de poderes. A Europa é o teatro onde se projeta todo o conjunto de circunstâncias atuais, mas a Europa sabe humildemente que há realidades que a ultrapassam, realidades bélicas", desenvolveu.

Naquilo que diz respeito à invasão da Ucrânia pela Rússia, o Presidente da República mostrou-se preocupado. "A emoção esteve sempre na política, só que era disciplinada substancial ou aparentemente pela razão. Agora, extravasou dos limites da razão e o máximo que a razão pode fazer é tentar condicionar e travar os excessos da emoção", afirmou, declarando que "há questões a serem tratadas pela via da racionalidade, mas outras de forma muito emocional".

"Essa emoção está presente. Dir-se-á que com o correr do tempo vai aumentando a razão e diminuindo a razão, mas isso não é assim tão linear. Não é linear perante situações dramáticas, complexas e visíveis de uma forma brutal", acrescentou. "Há uma emoção muito grande e essa emoção obriga a equilíbrios enormes", frisou o dirigente político.

"A União Europeia teve inicialmente uma grande dificuldade para reagir ao desafio pandémico, mas, depois, readaptou-se e fez um esforço de ajustamento. Ora, esse esforço de ajustamento permanente, com altos e baixos, é o processo europeu", explicitou. "Soma-se isso agora a guerra na Ucrânia, com as consequências de crises económicas, financeiras e sociais em cima de outras crises muito recentes. Não diria que é uma tempestade perfeita, mas é quase perfeita", finalizou.

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