Politica

Eutanásia faz subir temperatura na AR

Proposta socialista da eutanásia foi aprovada no Parlamento após um debate acesso. Não faltou quem protestasse contra a legalização, dentro e fora da Assembleia da República.


Quinta-feira foi dia de discussão e votação dos diferentes projetos de lei do PS, do BE, do PAN e do IL sobre a despenalização da eutanásia. E as opiniões divergiram da esquerda à direita, se bem que as propostas foram aprovadas na generalidade. «Não sou a favor da eutanásia. Mas também não sou contra. Apenas porque entendo não me dizer respeito o que cada um resolver fazer com a sua vida», começou por explicar André Coelho Lima, deputado do PSD, que arrancou a sua intervenção na AR agradecendo ao partido a liberdade de voto sobre o assunto. «A liberdade de cada um termina onde começa a do outro», continuou Coelho Lima, mostrando-se «radicalmente pelo princípio da não ingerência nas vidas dos outros». «Não posso ser favorável a que o Estado decida manter-nos vivos mesmo contra a nossa vontade», defendeu o social-democrata.

Ainda nas hostes ‘laranja’, no entanto, ouviram-se vozes contraditórias. O deputado Paulo Rios, que admitiu votar contra a legalização da eutanásia, aproveitou o tempo de antena no Parlamento para colocar dúvidas sobre o processo, principalmente sobre a interrupção do mesmo e a escolha de um médico que possa ser mais adaptado aos objetivos. «No dia em que a solução que tivermos para a doença for a morte, falhámos como sociedade», defendeu, lançando: «A minha consciência grita não».

Quem também se mostrou contra foi André Ventura, líder do Chega, partido responsável por um projeto de referendo sobre o tema. Ventura acusou a esquerda de não querer proteger os idosos e os mais vulneráveis, dando-lhes antes «a morte diretamente através do SNS». «O PS quis fazer uma lei expresso, com medo de que o BE o ultrapassasse pela esquerda», disparou Ventura, argumentando que «não é assim que se legisla sobre vida, com medo da concorrência política», mas sim a «olhar para os verdadeiros valores que nos devem nortear».

O dia de votação sobre os projetos de lei da eutanásia no Parlamento não passou sem uma manifestação anti-legalização às portas da Assembleia da República. Cerca de meia centena de pessoas juntaram-se à manifestação promovida pela Federação pela Vida, empunhando cartazes onde se lia ‘Eutanásia, genocídio legal’.

«Quanto a nós, a questão estava arrumada, não vale a pena continuarmos a insistir tantas vezes na eutanásia até que um dia alguém a aceite. Aquilo que viemos aqui dizer é basta. Basta deste debate estéril que não resolve o problema do sofrimento», disse a responsável da Federação pela Vida, citada pelo Jornal de Notícias.

O protesto prolongou-se durante quase uma hora, e nele estiveram presentes deputados do Chega e membros do CDS-PP.

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