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Boris pode ter dias contados

Apesar da moção de censura não ter afastado o primeiro-ministro inglês do poder, o futuro de Johnson no poder está em risco e os próximos meses vão ser decisivos.

Boris pode ter dias contados

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi alvo de uma moção de censura por parte do próprio partido Conservador. Apesar de ter ganho, com 211 votos a favor e 148 contra, o seu futuro enquanto líder do país continua incerto.

Confrontado no início do debate semanal na Câmara dos Comuns, no parlamento britânico, com o facto de 148 deputados terem votado contra si numa moção de censura, Johnson admitiu que é normal «ter colecionado oponentes políticos» ao longo de uma carreira «que mal começou», acrescentando ainda que «absolutamente nada nem ninguém (...) vai impedir-nos de servir o povo britânico», afirmou.

Apesar de ter saído vitorioso desta moção de censura, o que permite que, no espaço de 12 meses, o primeiro-ministro não possa ser alvo de uma nova moção de censura, não quer dizer que Johnson continue no poder por muito mais tempo.

A antecessora de Boris, Theresa May, sorriu no final de um processo semelhante, em 2018, no entanto, seis meses depois, foi forçada a apresentar a demissão. Isto aconteceu porque os legisladores ameaçaram mudar as leis e efetuar uma nova votação.

A dificultar ainda as contas de Johnson está o facto de ter perdido uma grande parte do seu apoio no Parlamento, uma quantidade ainda maior do que May quando enfrentou a moção de censura.

Uma das principais razões para este voto de desconfiança está ligado ao «Partygate», o escândalo à volta das sucessivas festas secretas que o Governo deu, enquanto o resto de país era obrigado a estar fechado em casa devido à pandemia.

 

Sucessor

Se Johnson sair do poder, quem é que estará alinhado para a sucessão? Segundo o Guardian, não existe um claro candidato para assumir o poder, algo que poderá complicar a decisão de diversos membros do partido conservador, no entanto, apontaram dez nomes entre os tories, afirmando que as escolhas com mais hipóteses são Liz Truss, Jeremy Hunt e Rishi Sunak.

Truss é a ministra dos Negócios Estrangeiros, a primeira mulher inglesa a ocupar este cargo. Algumas das suas maiores vitórias recentes consistiram na libertação de Nazanin Zaghari-Ratcliff, uma cidadã britânica-iraniana que esteve seis anos na prisão no Irão por suposta espionagem, e a imposição de diversas sanções a oligarcas russos, escreve o jornal inglês.

Contudo, a ministra dos Negócios Estrangeiros é uma personalidade que divide o partido, onde, apesar de ser considerada como «brilhante» ou uma «nova Maggie [Thatcher]», há também quem a acuse de ser «louca» devido às suas obsessões políticas excêntricas e a uma estranha forma de falar em público. Truss confessou «apoiar a 100% Boris Johnson» durante este processo. «Conseguiu recuperar o país da covid-19 e apoiou a Ucrânia face à iminente agressão russa. Já pediu desculpa pelos erros que cometeu no passado. Agora temos que nos concentrar no crescimento económico», disse a ministra.

O outro grande candidato é Hunt, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e atual ministro da Saúde que, em 2019, concorreu contra Boris para a liderança do partido conservador, após a renuncia de Theresa May, mas acabou por perder. Ao contrário de Truss, Hunt motivou os seus colegas a aprovar o voto de não confiança a Boris Johnson.

Mesmo que não tenha o mesmo favoritismo de Truss e Hunt, o último dos três candidatos, Sunak, ministro das Finanças, que também expressou o seu apoio a Johnson, até poderia ser considerado o sucessor ideal, no entanto, um escândalo relacionado com a sua família e fraude de impostos fez com que a sua popularidade sofresse uma grande queda.

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