Sociedade

Mês de maio marcado pelo agravamento da seca no norte de Portugal

As "notícias não são animadoras”, disse a responsável do Departamento de Clima e Alterações Climáticas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera sobre previsão de ocorrência de chuva nos próximos dias. Os níveis de precipitação estão muito abaixo do esperado para o mês de junho, sobretudo nos distritos da região Norte. 


Embora a precipitação que ocorreu em março tenha melhorado a situação de seca em Portugal, o mês de maio “voltou a agravar” o problema, sobretudo na região Norte nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto, que atingiram níveis de seca severa e ainda Vila Real e Bragança de seca extrema.

Maio foi um mês "extremamente seco" no qual as temperaturas, uma maior evaporação e pouca precipitação “não ajudaram” à atual situação de seca no país, indicou a responsável Vanda Pires, do Departamento de Clima e Alterações Climáticas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) à agência Lusa.

No final do mês passado, a equipa do IPMA verificou que "praticamente toda a região" registou o nível de seca severa. E agora, após uma nova avaliação, em 15 de junho, o instituto notou, através do cálculo do nível de gravidade – que categoriza a seca como fraca, moderada, severa ou extrema -, que todos os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto estão em seca severa e os distritos de Vila Real e Bragança em seca extrema.

Para o IPMA, este é um "agravamento bastante significativo". Neste momento, segundo Vanda Pires, a zona interior Norte e Centro está com uma percentagem de água no solo "muito baixa", dado que apresenta um "défice" ao registar valores inferiores a 10%, quase "nulos".

Quanto à previsão de ocorrência de chuva nos próximos dias, "as notícias não são animadoras” apontou a responsável, citda pela agência Lusa, ainda que esteja prevista “alguma precipitação” para o litoral Norte e Centro para esta semana.

"Não são valores extremamente elevados, são valores ainda assim inferiores ao que é normal para este mês de junho", destacou, ao notar ainda que na zona interior não se prevê valores elevados de precipitação.

Em relação aos restantes meses de verão – julho e agosto -, Vanda Pires indicou que irão decorrer "dentro da normalidade", com nível de ocorrência de chuva baixo.

"Esperemos é que em setembro e outubro, no início do novo ano agrícola, realmente voltem as chuvas e que a situação melhore, caso contrário teremos uma situação muito complicada", assinalou.

Com previsões a indicarem "temperaturas mais altas do que o normal" para os meses de julho e agosto a Norte e os solos a evidenciarem falta de água, o instituto alerta para um maior risco de incêndios florestais.

Note-se que, esta terça-feira, o Governo anunciou que vai lançar a partir do próximo mês campanhas de promoção de uso eficiente da água, direcionadas a todos os tipos de consumidores, com reuniões mensais de acompanhamento da situação até final de setembro.

As medidas foram apresentadas pelo ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, numa conferência de imprensa conjunta com a ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, depois de os dois governantes presidirem à 9.ª Reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca.

Nesta reunião, foi realizado um ponto da situação relativo à situação meteorológica, hidrológica, hidroagrícola e das culturas e abeberamento animal, e a avaliação de situações críticas.

Segundo os dados do IPMA, este ano é o mais seco de que há registo (desde 1931) e que só o ano de 2005 se aproximou da situação atual, pelo que a seca meteorológica e agrometeorológica "obrigam a tomar medidas".

Recorde-se que no início de fevereiro já tinha havido uma reunião da Comissão, na qual foram anunciadas e tomadas medidas, que serão agora complementadas com outras. A água para consumo humano está salvaguardada para dois anos, garantiu nessa altura Duarte Cordeiro.

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