Países Baixos, Alemanha e Áustria de regresso ao carvão

A ameaça russa levou neerlandeses, alemães e austríacos a levantar restrições.

Os russos estão com a mão na torneira que fornece gás a vários países europeus, e a ameaça tem levado vários membros do Velho Continente a encontrar medidas de combater a sua dependência desta fonte energética, tão volátil numa altura em que o Kremlin tem sido fortemente atacado devido à invasão russa da Ucrânia.

Como tal, os Países Baixos juntaram-se à Alemanha e à Áustria na lista de países europeus que, recentemente, para fazer frente às eventuais consequências negativas de um corte no fornecimento de gás russo, levantaram restrições à utilização do carvão na produção de energia.

“O gabinete decidiu retirar imediatamente a restrição à produção de usinas a carvão de 2022 a 2024”, disse o ministro neerlandês do Clima e Energia, Rob Jetten, aos jornalistas em Haia.

O ministro garantiu ainda que o país “preparou essa decisão com os colegas europeus nos últimos dias”, juntando-se à lista já composta pela Alemanha. Os vizinhos germânicos, por sua vez, decidiram recentemente ampliar a queima de carvão, de forma a aumentar o armazenamento de combustível para garantir o aquecimento no inverno. Isso sim, os alemães ainda pretendem fechar as suas usinas de carvão até 2030, devido às maiores emissões de CO2 do combustível fóssil. “A data de saída do carvão em 2030 não está em dúvida”, disse o porta-voz do Ministério da Economia, Stephan Gabriel Haufe, acrescentando que o alvo é “mais importante do que nunca”. Trata-se da mesma Alemanha que depende fortemente do gás de Moscovo para manter as suas casas quentes e a indústria a funcionar. Ainda assim, desde o início da invasão da Ucrânia, conseguiu reduzir a participação russa nas suas importações de 55% para 35%.