Opiniao

Os culpados disto tudo

Em vez de agradecermos a Costa por nos oferecer todos estes dias santos, andamos aqui a chateá-lo só porque o sistema de saúde está pelas ruas da amargura e, como consequência, muitos dos nossos estão a morrer ingloriamente. Pobres e mal-agradecidos!

Os culpados disto tudo

Os hospitais rebentam pelas costuras, sobretudo por causa da falta de pessoal médico e por uma suposta anormal afluência de utentes, e as urgências encerram um pouco por todo o lado, levando ao desespero de quem delas precisa para bem da sua saúde.

E a culpa é dos feriados!

Há mais de 40 anos que não morria tanta gente por dia, a grande maioria por falta de assistência médica, e nas urgência morre-se à porta de entrada, porque esta é fechada por não haver quem trate dos doentes, mas a culpa não é de quem gere a pasta da saúde, muito menos de quem a titular depende hierarquicamente, mas sim dos malditos feriados!

Grávidas chegam à maternidade, logo que se apercebem de que o período de gestação chegou ao fim, mas encontram as portas trancadas, pelo que se vêm constrangidas a procurar uma outra unidade de saúde, naturalmente privada, ou, em situação de recurso, a terem a criança em casa, sem acompanhamento médico.

E a culpa é, obviamente, delas próprias, porque se lembraram de dar à luz numa semana fustigada por feriados, ao invés de escolherem uma data em que a pressão sobre os hospitais seja menor.

Na verdade, nós somos uns ingratos, porque, graças a Costa, podemos desfrutar agora de uns dias adicionais de lazer, distribuídos ao longo do ano.

Sim, antes de Costa tomar as rédeas da governação não existiam feriados, atendendo a que, até então, os hospitais não sofriam do descalabro em que hoje estão atolados.

Em vez de agradecermos a Costa por nos oferecer todos estes dias santos, andamos aqui a chateá-lo só porque o sistema de saúde está pelas ruas da amargura e, como consequência, muitos dos nossos estão a morrer ingloriamente.

Pobres e mal-agradecidos!

Não podemos ter o melhor dos dois mundos! Se queremos desfrutar de feriados, não vale a pena choramingarmos apenas porque, em consequência dessa benesse, o serviço nacional de saúde não consegue cumprir o propósito para o qual foi constituído.

Chega de pieguices!

Turistas chegam ao aeroporto da Portela, agora re-baptizado com o nome daquele general que começou a dar nas vistas quando se envolveu em actividades de apoio aos fascistas do movimento de Mussolini, e têm de aguardar mais de cinco horas até conseguirem pôr os pés fora daquelas instalações, mas a culpa é exclusivamente deles, porque não se organizaram e resolveram chegar todos ao mesmo tempo.

Pelos vistos a pandemia afectou-lhes a capacidade de discernimento, porque, antes do vírus que aterrorizou o mundo inteiro se ter dado a conhecer, os turistas eram mais disciplinados e combinavam entre si horas espaçadas de chegada, permitindo, dessa forma, que não houvesse picos de afluência excessiva junto às portas de desembarque dos aeroportos nacionais.

Actualmente, talvez por via de um qualquer efeito secundário dessa maleita que vergou o mundo, os viajantes borrifam-se uns para os outros e teimam em chegar todos aos mesmo tempo, como se o dia tivesse deixado de ter 24 horas e estivesse agora resumido a meia dúzia delas.

Se não estão com vontade de desesperar em intermináveis filas de espera antes de se poderem passear por Lisboa, é bom que se coordenem e estabeleçam horários distintos de aterragem na capital portuguesa, à semelhança do que, certamente, faziam anteriormente.

As autoridades portuguesas é que não podem ser responsabilizadas pela incúria e desleixo dos turistas que nos visitam, que teimam, pelo seu indesculpável comportamento, lançar o caos nos nossos aeroportos.

Os preços de todos os bens e produtos, móveis e imóveis, disparam de forma galopante a cada dia que passa, em particular os combustíveis, em que nos vemos forçados a desembolsar uma quantia nunca vista e imaginada, bem mais cara da que nos era exigida quando o preço de venda do petróleo nos mercados internacionais estava bem acima dos praticados hoje, a inflação caminha para o descontrolo total e diariamente entram em falência uma quantidade assustadora de empresas, mas a culpa é da guerra, ou seja, de um conflito armado que se trava no outro extremo da Europa em que nos inserimos.

Melhor dizendo, o verdadeiro culpado responde pelo nome de Putin!

Putin sempre se esteve nas tintas para os ucranianos e nunca quis saber do Donbass para nada. Na sua mente fervilha apenas uma ideia, a de infernizar a vida dos portugueses!

Como bom estratega que é, cedo se apercebeu das dificuldades que teria de enfrentar caso fizesse os seus carros de combate atravessarem toda a Europa, desde Vladivostok até Lisboa, conforme idealizou Medvedev, antigo presidente e seu pau-mandado, até porque, quase certo, poderiam deparar com alguns problemas na travessia de determinadas fronteiras.

Como alternativa, lembrou-se de invadir o país vizinho, argumentando, como desculpa para os seus bélicos actos, a reivindicação de alguns territórios na posse dos ucranianos.

O efeito pretendido foi exactamente o mesmo: sem ter tido necessidade de se envolver numa guerra a milhares de quilómetros de distância, rebentou com a nossa economia, deixando-nos a nós, pobres portugueses, numa penúria ainda mais acentuada.

E os ucranianos, quais ingratos, porque rapidamente se esqueceram do acolhimento com que presenteámos os seus conterrâneos que aqui se radicaram, em vez de se conformarem com uma invasão que não tem como motivação a sua aniquilação, entenderam por bem resistir ao avanço das tropas russas, prolongando, com essa estúpida e inútil obstinação, a nossa agonia.

Portugal afunda-se numa espiral sem retorno e os portugueses empobrecem a uma velocidade descomunal, mas nenhuma das razões deste colapso pode ser imputada aos que nos governam há já quase sete anos.

Todas as origens dos nossos problemas têm a sua génese em factores cuja resolução não está nas atribuições do presente governo, muito pelo contrário, é graças à mestria do homem do leme que os desastres que diariamente enchem as notícias de toda a imprensa não assumem proporções ainda mais catastróficas.

Devemos estar agradecidos a Costa e à rapaziada que o secunda por não termos ainda descido por completo ao inferno.

Aliás, Costa só ainda não é santo, pelo menos assim reconhecido pelo Vaticano, pela simples razão de que o primeiro passo para o início de um processo de canonização depende da condição do candidato aos altares não se mover já no mundo terreno.

Atendendo ao bem com que nos tem abençoado, há cada vez mais portugueses a desejar a sua santificação no mais curto espaço de tempo possível!    

 

 

 

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